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A Elphaba...

Adoradora de literatura em geral.
Viciada em literatura fantástica e romântica.
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domingo, 22 de outubro de 2017

Durante a nossa vida vamos criando laços indissociáveis na memória que, contrariamente a instantâneos anulados por sobreposição ou instinto, permanecem em pequenos infinitos. O cheiro do colo de uma mãe (para sempre); um mojito à beira de um rio numa noite sem estrelas; a textura daquele cabelo entre os meus dedos; as letras que parecem sobressair como a calçada ao caminhar por Penafiel
Sou suspeita. Dentro de mim não existe uma imagem desta cidade, que tão carinhosamente me recebe, que não tenha sabor ou palavras. 



Primeira impressão, Restaurante IPI – Instituto Plural de Interior. A receção perfeita para um palato que ainda recordava o quão bem se come nesta cidade. Escolhi algo doce e picante após a entrada salgada, despertei este sentido como quem se prepara para ajustar a mente às curiosidades que se seguiriam. 


Já confortável, ambientada, vi inaugurar-se a Arte Pública. Jovens, porque Penafiel aposta na formação para a educação desde a meninice, representaram e tocaram eternizando a sabedoria de anteriores homenageados, enquanto nas ruas até um olhar desatento ficaria preso aos alertas de contaminação literária, às caixas de escrita, à janela da vizinha e aos pormenores que nas montras – do talho, do café, da loja de vestuário – transformam o comum em imaginário e ficção. É este cuidado que torna tudo tão especial, que faz uma mulher de pormenores encantar-se pela beleza de um interesse generalizado. 


Vi pela primeira vez o Senhor Sério, que conheço pela pertinência do comentário, no Museu Municipal de Penafiel. Não lhe prestei muita atenção, havia muito para absorver e fui caminhar, ver coelhos brancos acenar-me da Assembleia Municipal, de um charmoso salão de chá, da verde Praça da República, enquanto me questionava onde estaria Alice. Num cenário tão surrealista, com as figuras que se mesclavam com a população, algo mágico tinha de acontecer… 
Aconteceu o descerramento de uma frase – «Escrever é usar as palavras que se guardam: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer.» – e a silhueta do seu autor. Afinal, a Alice que eu procurava era Miguel Sousa Tavares, em quem comecei a reparar, comecei a escutar, ainda ao longe e através de breves comentários.


«Tudo isto vem mostrar aos leitores que os autores existem, são pessoas como as outras…»
«Não sei explicar até hoje de onde vem a inspiração.»
«Gosto muito do silêncio causado pela chuva.»
Curioso.

Escureceu e foi outra vez a comida a rainha mas, desta vez, com o homenageado presente. Eu sabia que ao anoitecer ficaria finalmente entrosada na sua prosa e na verdadeira razão de estar aqui; além de me sentir feliz por ter a oportunidade de respirar Escritaria.

Encaminhámo-nos para a reedição do título O Planeta Branco, no Museu Municipal de Penafiel.
Os mais pequeninos deram o seu cunham infantil à representação de Ismael e Chopin – um coelho bravo e um pianista – mostrando a simplicidade da vida e da descoberta, aliadas uma sonoridade hipnotizante e só conseguida pela curiosidade pueril, pontuada de ilustrações, da ilusão de quem se permite ganhar asas para criar. 
Uma interpretação tão bonita queridos leitores, tão bonita!
Muita inocência, uma flauta, uma viola, um xilofone e vozes suaves a fazerem magia com a ferramenta literatura. Numa história que é para eles, todos saímos a ganhar. 

Por fim, o quadro de presenças falou e Alberto Santos agradeceu. Já o seu editor recordou a importância da literatura infantil e alertou para a necessidade de educar para a leitura, de investir nos mais pequenos, enquanto a convidada Cristina Ovídio partilhou recordações, fez analogias perspicazes e intemporais sobre o texto e deixou vir ao cimo a emoção que é Penafiel por estes dias. Concordo com todos eles.
Por fim, Miguel Sousa Tavares foi breve mas certeiro como o reconheço. Contou-nos que escreve para si; que quando escreve para os mais novos pretende não perder a capacidade da expressão simples, pois é tão importante chegar às crianças como aos adultos. Diz reciclar-se ao fazê-lo para os mais pequenos – além de combater os inimigos da leitura: o entretenimento fácil a que todos sucumbimos – pretendendo ainda ajudar os professores, tentando tornar mais simples a ação da leitura. 
Sousa Tavares falou sobre o acontecimento que deu origem à escrita O Planeta Branco, uma morte e a dificuldade de explicar a uma criança, sem recorrer à religião, a finitude da vida, a aceitação. Uma história tocante, nascida do gesto nobre para ajudar os outros. 


Em última análise, foram horas muito especiais para alguém que procura sempre deixar-se “contaminar” pelas palavras. Este ambiente, que já vos sugeri anteriormente, é verdadeiramente singular e sinto-me muito privilegiada por poder fazer parte deste acontecimento, por poder partilhar convosco a minha opinião pessoal e o prazer que retiro do festival Escritaria em Penafiel

Boas leituras* 

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