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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Após um primeiro dia preenchido e feliz, acordar e ver a beleza de Penafiel solarenga, com o seu cenário verde tão dissonante dos meus dias, foi revitalizante. Na ordem do dia, expectativas elevadas que viriam a cumpridas com a promessa de conhecimento e partilha literária. 


O almoço ficará na memória como um dos melhores bacalhaus que já comi – eu que nem sou apreciadora estava capaz de fazer uma rasteira a alguém para conseguir a receita –, regado, claro está, com boa companhia, conversas e histórias. Seguimos para a Feira do Livro da Escritaria, no Largo Padre Américo, para ver e ouvir os mais pequeninos falar da obra O Segredo do Rio. Eles deram o seu melhor com a comunidade em peso a assistir à representação. Será que vi Miguel Sousa Tavares sorrir várias vezes? 

Seguiram-se os seniores e o ambiente transmitido em o Equador saltou das páginas para a tarde amena, preenchida de sons, cheiros e sorrisos. Da herança africana à fragrância da lúcia lima, o burburinho foi aumentando de volume na representação da vida nas roças. Fomos transportados para uma África que também é nossa pela partilha de cultura e tradição, infelizmente nem sempre pelos melhores motivos (escravatura), através da sonoridade de São Tomé e Príncipe de outros tempos. 


A tarde foi-se desenrolando ao ritmo dos entusiastas, com muitos a querem ver de perto o homenageado da cidade, no entanto houve tempo para um minuto de silêncio pelos incêndios que nos têm desolado a todos, antes de terminar com uma longa sessão de autógrafos, apresentada pelo jornalista Pedro Cruz. Este partilhou com todos nós o dia em que conheceu o autor e a admiração que sente pelo homem, referindo a sua frontalidade e valorizando a sua coragem de ser livre. 

Ainda antes de dar a tarde por encerrada, tive oportunidade de ir visitar mais calmamente as exposições Pela Janela do Olhar e Rostos da Democracia, de Mafalda Rocha, no Museu Municipal de Penafiel. Muito interessantes, em particular a segunda, com uma abordagem muito diferente aos rostos proeminentes na luta contra a censura. 

Após mais um jantar agradável, chegou o momento mais ansiado por mim desta 10.ª edição do Escritaria, a entrevista ao homenageado pelo jornalista Júlio Magalhães mas, antes disso, uma introdução musical pela Escola de Artes, Movimentos e Variações a permitir, uma vez mais, a convergência artística através do jazz. 


Não vou transcrever-vos a entrevista completa; mais de uma hora de conversa em tom descontraído onde Miguel Sousa Tavares se revelou e aproximou dos leitores, mostrando-se verdadeiramente lisonjeado em “Penamiguel”. No essencial, foi curioso saber que o título Não se encontra o que se procura nasceu de um “assalto” do editor ao seu computador, que Miguel ainda espera escrever o livro da sua vida (mesmo que o Equador o tenha marcado muito), descobrir a sua paixão por um Brasil que já visitou mais de cinquenta vezes ou, ainda, os receios que sentiu ao deixar A Grande Reportagem para se dedicar à escrita do romance. 
Miguel Sousa Tavares escreve compulsivamente e admite a influência do ambiente literário familiar na sua profissão, considerando o papel do autor fundamental para fazer chegar literatura de qualidade aos leitores e auxiliar professores – no que diz respeito aos títulos infantis – para auxiliar o ato de ler. Sim, ele procura ter uma escrita cinematográfica, tem cuidado na criação das suas personagens e acha essencial o diálogo para chegar aos leitores, algo que complemente com um rigoroso trabalho de campo, investigação e documentação para que verossimilhança esteja presente. 

Paralelamente ao que nos contou enquanto autor, que não gosta de crítica literária e vive para os seus leitores, manteve presente o seu lado opinativo, oferecendo diversas curiosidades sobre si mesmo e o seu percurso, que vão ao encontro da liberdade que tanto presa para dizer o que pensa, como alguém que não gosta de injustiças. 
Foi uma conversa cativante. Não se contou o tempo e o mesmo passou a valer cada momento. Fiquei com aquele desejo de ler cada página de Miguel Sousa Tavares, fascinada pela pessoa, pelo seu pensar que embora seja tão dissonante do meu consegue ser extremamente interessante, pelo conhecimento, pela experiência de vida e pelo verdadeiro trabalho e dedicação que coloca em cada obra. 


O último momento que me estava reservado no Escritaria foi verdadeiramente especial. Não voltei a ver o homenageado mas dei um salto temporal através de uma última refeição, num cenário idílico em que o almoço foi, no íntimo da sua experiência, uma história contada ao palato. Apresento-vos A Casa de Quessus. Foram vários os sentidos despertados para dar sabor a este momento encantatório que, entre o travo do fumeiro e o que de mais tradicional se pode degustar no nossa país, me fez recuar no tempo e apaixonar-me um pouco mais por este fim de semana. 

Em última análise, o festival Escritaria em Penafiel é, pela segunda vez, uma experiência única na minha vida que me deixa plena em recordações e bons momentos entre aquilo que mais me encanta, a literatura. Repito-me, sempre, se tiverem oportunidade não deixem de viver este evento anual que é produzido com dedicação e carinho singulares por todos os que dele fazem parte. É maravilhoso, estão todos de parabéns uma vez mais. Obrigada.
Obrigada



Boas leituras*

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