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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Sinopse:
Este romance de estreia de Barbara Mutch tem vindo a conquistar os meios literários internacionais, pela peculiar delicadeza e a sensibilidade que a sua escrita revela.
A história inicia-se nas terras do Karoo, na África do Sul, onde uma jovem irlandesa chega para desposar o noivo que não vê há cinco anos e aí constituir família. O livro revela-nos as pouco ortodoxas ligações que se vão tecendo entre os diferentes personagens. Com o rebentar da Segunda Guerra Mundial tudo muda dolorosamente naquela casa, até que uma guerra se instala no próprio país - o apartheid -, dilacerando ainda mais as já fragilizadas relações.

*Não é por acaso que a opinião que se segue não tem as cores habituais do blogue, simplesmente há nada a destacar quando toda a história é importante e, em grande parte, por causa da cor.*

Apenas com uma pequena noção do que poderia encontrar nesta narrativa, nada me poderia ter preparado para os factos revelados e como são revelados, para as verdades recentes, ainda e para sempre latentes de tão cruas, aqui tecidas, expostas, com uma voz singular e que me tocou profundamente.

Não quero falar deste livro, tenho vergonha de falar deste livro porque tenho vergonha de partilhar o embrulho daqueles que permitiram a inspiração para este magnífico livro. Por outro lado, gostava que as palavras nestas páginas chegassem mais longe e me fosse permitido o dom de mostrar tudo o que elas contêm, todas as emoções belas e os valores que evidencia. Gostava que me fosse permitido transparecer a fortuna agridoce de quem presenciou o melhor nos piores momentos e sobreviveu para deixar um legado de valor incalculável.

Estou a ser confusa, perdoem-me. A Cor do Coração é um livro sobre amor e música, sobre ódio e gritos, sobre nascimento e morte, sobre amizade, saudade e racismo. É a história de duas mulheres que partilham o mesmo lar em pólos opostos da sociedade, duas mulheres que crescem de formas diferentes e unidas por um estreito laço em consequência da situação, naquela época, do país em que residem e do mundo e do Homem.
Esta é a história de uma África do Sul explorada por homens que vieram de outros países e tentaram fazê-la sua através da subjugação dos que sempre a habitaram. É a história de homens vencidos por um país que não era seu e por uma luta que também não era sua e também dos que foram vencidos na sua luta, lutas diferentes e as mesmas lutas, lutas que não deveriam ter existido. É a História do passado de muitos de nós tornada ficção para espelhar a realidade e é uma história de ficção que explora laços e afectos que enterneceram o leitor. Por fim, esta é uma história brilhante sobre cor, paixões e coragem, uma história de liberdade, algo que julgamos garantido mas que, se reflectirmos, nunca possuímos.

Desde a Liesel de Zusak que uma personagem não me emocionava tanto como Ada, uma árvore que sustenta todas as ramificações de intervenientes, interligando-os de forma improvável.
Ada nasceu em Cradock House e, apesar de ser filha da criada, é atrás das portas, escutando o senhor e a madame, e no diário da última que aos poucos vai conhecendo o mundo, aprendendo-o. Esta criança, jovem, mulher e idosa, que conhecemos em todas as estações, vai evoluindo ao sabor do próprio texto, tocando-nos com a sua inocência e, mais tarde, com a sua sabedoria. Não consigo descrever Ada, confesso, ela é demasiado, é a essência pura de algo que não existe no meu mundo.
Madame, Lindiwe e Dawn também representam os seus papéis cruciais, três mulheres, três cores e três vidas dissonantes que completam a vida de Ada. E eles, o senhor e o menino, e elas, a menina e a sua filha, também lá estão, para as lágrimas e para os sorrisos, para mostrar que há de tudo um pouco em todo o lado, sementes de dor mas também de esperança.

Gostei da profundidade alcançada pela música e pelas palavras. Da força de dois elementos tão singelos e comuns a tatuar momentos, a marcar a diferença e a união quando tudo o resto parece desabar. Não gostei dos previsíveis actos de crueldade mas percebo como tornam importante a benevolência e não gostei da miséria mas compreendi como é possível ser-se feliz com tão pouco e abracei interiormente tudo o que a vida me oferece.

A Segunda Grande Guerra e o Apartheid são as duas problemáticas mais enfatizadas, de uma forma muito íntima, pela forma como foram interiorizadas por Ada. A família também tem especial relevância, nos seus vários contornos e de forma tão extensa quanto o coração alcança. E depois existe a sociedade, as sociedades, o retrato de diferentes povos vincados e que se distinguem pelas diferenças, sob o olhar dela, que mescla, de alguém para quem a distinção está actos e que levou demasiado tempo a descobrir determinados traços da natureza humana.


Para terminar, creio que este poderia ser apenas mais um livro sobre o Apartheid, na eventualidade de perante tal questão algo poder simplesmente ser, mas a voz magistral que Barbara Mutch deu à sua obra torno-a única, apaixonante, conseguindo que a ficção transcendesse a realidade e tocasse o mais duro coração.
A cadência, o ritmo que se apodera da escrita num crescendo singular, amarra-nos às suas descrições mesmo quando estas são um apêndice do foco central e a experiência de vida da autora está tão vincada nas personagens que os nossos afectos não são apenas destas figuras mas de todos, amarelos, brancos, castanhos, negros, de todos os que um dia se depararam com algo tão repugnante, com o racismo.

Não me iludo, a temática desta história vai muito além da cor, vai ao encontro do que significa ser gente e as gentes nunca foram algo que eu levasse em grande consideração. Talvez por isso esta opinião nunca chegará nem perto de transmitir o que eu gostaria, porque o que eu gostaria não existe. Não existe um mundo sem religiões, facciosismos ou ideologias, porque enquanto animais inteligentes tudo isto nos compõe, nem que sejam meros ideais. Somos o que somos e felizmente existem livros como este, para que não esqueçamos do passado e do que poderemos ser no nosso futuro, a começar a partir de agora, do nosso presente.

Esta é mais uma das grandes apostas da Editorial Presença em 2014, provavelmente um dos melhores livros que li este ano e que vou ler. Recomendo-o a todo o género de leitor que aprecie uma boa história e a todos os que permitam que diferentes melodias lhes toquem os corações.


Título: A Cor do Coração
Autora: Barbara Mutch
Género: Romance
Editora: Editorial Presença

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