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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Sinopse:
Um comboio em chamas atravessa a cidade. Um espectro de fogo semeia o terror nas sombras da noite. Mas isso não é mais do que o princípio.
Numa noite obscura, um tenente inglês luta para salvar a vida a dois bebés de uma ameaça impensável. Apesar das insuportáveis chuvas da monção e do terror que o assedia a cada esquina, o jovem britânico consegue pô-los a salvo, mas que preço irá pagar? A perda da sua vida. Anos mais tarde, na véspera de fazer dezasseis anos, Ben, Sheere e os amigos terão de enfrentar o mais terrível e mortífero mistério da história da cidade dos palácios.

Capaz de me inebriar pelo simples prazer de beber as suas palavras, é este o fascínio que Zafón exerce sobre mim.
Com uma escrita absolutamente magnífica, este autor tem uma sensibilidade, um poder encantatório que me enfeitiça e prende às suas ficções cruas que transcendem a realidade, independentemente da força hercúlea das suas personagens ou da complexidade dos seus enredos, cativando-me pelo simples prazer de o ler, de o ver descrever e olhar o mundo do seu jeito tão singular.

Em O Palácio da Meia-Noite, Carlos Ruiz Zafón volta a criar o ambiente gótico que sublimemente o caracteriza, envolvendo, desde o início, a sua narrativa numa cortina espessa de nevoeiro que acompanha o leitor nesta viagem de luz e escuridão, uma viagem rica entre a miséria, uma viagem plena nas sensações possíveis de uma amaldiçoada, corajosa e envelhecida Calcutá, alumiada por sangue novo.

Escrita muitos anos antes dos acontecimentos que marcaram as férteis vidas que povoam estas páginas, a nossa história principia-se num tempo anterior ao próprio narrador.
1916. Golfadas rápidas de ar sustentam precariamente o que resta de uma corajosa existência que transporta nos braços dois pequenos corações, dois destinos incertos que definirão o futuro de uma cidade que sufoca entre a bruma, uma cidade que não permite ao seu povo avançar para lá da pobreza em que se habituou a viver. O valor desta personagem, cujo nome é irrelevante, é incontestável e ficará nas memórias dos que travarão uma última batalha, recordada pela sua alma honrosa e pela sua luta quase inglória contra um espírito de fogo renascido das trevas, um espírito insaciado que promete voltar para cumprir os seus anseios.
1932, na mesma cidade que em nada se alterou deste o passado negro e silencioso. Sete vidas, mais uma, e aquele que um dia jurou regressar cruzam finalmente os seus caminhos para uma aventura predestinada dezasseis anos antes, uma aventura nunca antes imaginada pela valorosa Chowbar Society, um pequeno grupo composto por sete elementos tão inocentes quanto lhes é possível para alguém está à guarda do generoso orfanato St. Patrick’s, e mais um que nunca chegou sequer a conhecer um lar.
Há muito que os dados foram lançados e a probabilidade é de dois para um, sem meio-termo, de vida ou de morte pela subsistência da enigmática Calcutá.

Apesar de serem histórias distintas, o segundo livro da trilogia Neblina segue a mesma linha narrativa do seu antecedente, O Príncipe da Neblina, utilizando um passado misterioso para criar um futuro repleto de fantasmas que apavora âmagos pueris e sedentos de curiosidade, inocentes que inevitavelmente acabarão envolvidas na armadilha de um vilão incorpóreo retirado de um pesadelo.

As personagens, com maior ou menor destaque, são todas cruciais para o texto e como tal apresentadas com um esmero delicioso que nos enlaça na necessidade de saber os seus destinos.
Os oito jovens apresentados, todos com a mesma idade, as mesmas bases e raízes que se encontram, são dotados de sonhos distintos e características únicas que os tornam especiais nos defeitos e nas qualidades. Ben e Sheere, pela relevância que lhes está predestinada, são particularmente dignos de nota, pelas suas semelhanças e pelos seus afectos, que apesar dos anos de separação deixam clara a sua proveniência. No entanto, Siraj, Isobel, Roshan, Michael, Seth e Ian fazem parte de um todo por juramento e amizade que remete quem lê para o seu imaginário infantil, para o tempo em que tudo era para sempre mesmo que, no caso dos intervenientes, exista a consciência de quem cresce nas ruas, de que os desejos embora não devam ser esquecidos muitas vezes não passam disso mesmo.

No que respeita a personagens adultas, Aryami Bosé e Thomas Carter são quem mais se distingue pelo magnífico espírito de sacrifício que lhes é exigido durante o texto e pelo seu olhar que deve ser distante das emoções mais jovens mas que, inevitavelmente, não se afasta desse tenros e nobres corações. Para lá destas duas figuras centrais para pequenas vidas, existe ainda o imponente Jawahal, que se encontra num patamar completamente à parte. Esta criatura fabulada, uma personagem fascinante, é um dos elementos extraordinários do texto em todos os sentidos. Insano, ele cresce ao longo de toda a história até um culminar impensável, até ser colocada a última página do puzzle e lhe ser oferecido um final maravilhoso – como, aliás, é o final do livro.

Calcutá, enquanto cenário, é em si mesma uma personagem que ganha vida pelas diversas acções que se vão desenvolvendo no caminho de descoberta percorrido pelos intervenientes para quebrar a maldição que os persegue, uma maldição intrinsecamente ligada a esta peculiar cidade que, como o próprio texto induz, é enriquecida pelos seus palácios, ruas suspeitas e figurinos estranhos que trabalham o ambiente, a aura mística deste enredo.

Não quero cometer qualquer spoiler, até porque o próprio texto é bastante cuidadoso resguardando o leitor do cerne da questão, desta feita posso apenas contar-vos que esta é uma história extremamente fértil no que respeita às problemáticas abordadas, como a pobreza, o abandono ou a precariedade de Calcutá, da mesma maneira que cuida expor de forma belíssima valores essenciais, como a amizade e a família ou a bondade e a coragem, enquanto mescla fantasia, mitos e sonhos, com medos que alcançam miúdos e graúdos, naquela que é uma arriscada aventura juvenil descrita com grande primor e maturidade.


Em suma, este é um livro que brilha pelo seu enigma intenso, pelas suas reviravoltas e pelo seu final surpreendente, mas também pelas suas crianças que se transformam em homens que, quiçá, se podem transformar em espectros terríveis. E mais importante, é um livro que brilha através do espírito de cada interveniente, contagiante pelo que oferece sem pedir em troca.

Não me vou alongar mais, já vos disse que a escrita de Carlos Ruiz Zafón é maravilhosa e as suas descrições são únicas. É, na minha opinião, um autor contemporâneo que merece todos os prémios e sucessos que lhe foram atribuídos até ao momento e que conto ler, a totalidade das suas obras, logo que me seja possível.

Esta é uma aposta de sucesso da editora Planeta Manuscrito para o público em geral que deseje usufruir de uma boa leitura. Vão gostar.

O Príncipe da Neblina (Opinião)

Título: O Palácio da Meia-Noite
Autor: Carlos Ruiz Zanfón
Género: Fantasia



2 comentários :

Clarinda disse...

Olá amiga
Um dos meus autores de eleição!

Boas Leituras
Bj

Elphaba J. disse...

Olá Clarinda :)
É como para mim.

Boas leituras* Beijinho

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