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quinta-feira, 15 de maio de 2014

Sinopse:
Quando Eden tinha dez anos, encontrou o pai, David, caído no chão da casa de banho. A tentativa de suicídio conduziu ao divórcio dos pais e David desapareceu quase por completo da sua vida.
Vinte anos depois, Eden é uma chef bem-sucedida, mas após uma série de relacionamentos românticos falhados percebe que é tempo de procurar o pai, que se encontra a viver na rua, para poder perdoá-lo e seguir em frente.
A sua busca leva-a até um albergue para sem-abrigo e até Jack Baker, o diretor. Jack convence Eden a fazer trabalho de voluntariado no albergue e, em troca, ajuda-a na sua busca. À medida que Eden e Jack se apaixonam e a sua procura os aproxima de David, Eden vê-se obrigada a enfrentar as suas verdadeiras emoções e a dolorosa pergunta acerca do pai: será que depois de todos aqueles anos ele quer mesmo ser encontrado?
Enquanto Eden não fizer as pazes com o passado, jamais será capaz de abraçar o futuro?

Dotada de uma sensibilidade extraordinária, O Jardim das Memórias é uma história deliciosa que nos fala com naturalidade sobre as diversas acepções da palavra amor. É, igualmente, uma história que oferece uma interessante perspectiva sobre a mente humana e os seus requintes complexos. E é, particularmente, uma história sobre duas vidas tão comuns quanto singulares, duas vidas muito diferentes e intrinsecamente unidas, apaixonadas pela arte.

Como tão bem elucida a sinopse, a narrativa de Amy Hatvany é essencialmente sobre procura. A procura da protagonista Eden pelo seu pai há muito desaparecido e a procura por si própria, numa tentativa de apaziguar lembranças traumáticas e fechar um ciclo que ficou em aberto vinte anos antes, quando assistiu à tentativa de suicídio do seu progenitor.
Nesta jornada, previsivelmente, Eden acaba por ir muito mais além do que poderia ter imaginado e a vida oferece-lhe, mais do que uma reflexão sobre si mesma, aprendizagens e um novo olhar sobre o mundo, enquanto cresce e descobre o seu caminho para a felicidade.

Mesclando de forma fluida o passado e o presente, através de capítulos intercalados, o leitor vai conhecendo de forma contínua e profunda pai e filha, David e Eden, apercebendo-se da dimensão das suas emoções e dos seus pensamentos, relativamente à complicada condição familiar a que estão/foram sujeitos. Dito isto, em relação a Eden, uma mulher bela e trabalhadora, é particularmente interessante percebe-la enquanto criança e ver como os seus comportamentos, vinte anos depois, ainda são influenciados por uma infância em que a sua inocência foi corrompida. Já David, maculado pela sua loucura, acaba por ter como maior atractivo a sua visão distorcida da realidade e a sua mente perturbada, confusa, que nos faz temer por si ao longo de todo o texto.
No geral, acho que ambos têm igual protagonismo pela forma como estão tão ligados um ao outro, mesmo estando fisicamente afastados, e é sem dúvida uma mais-valia as diferentes perspectivas que possibilitam de uma mesma situação.

Ainda relativamente a personagens, existem vários intervenientes secundários que pontuam o texto de forma bastante positiva, como é o caso, em especial, de Jack, ou de Juan e Lydia. E embora, na maioria dos casos, todos tenham uma determinada influência no enredo, a verdade é que chamam a atenção pelas temáticas que permitem abordar, algo que torna a história particularmente enriquecedora.

Para lá do romance contemporâneo ligeiro, este livro é claramente um drama e as suas problemáticas dividem-se entre os sem-abrigo e as doenças mentais. Desta feita, o leitor tem acesso ao funcionamento de albergues – Jack é dono de um – e a muitas informações sobre os utentes destas instituições e às vidas duras, nem sempre opcionais, a que estão sujeitos. Álcool, drogas e, até, prostituição são levemente explorados mas é a realidade de vidas sem tecto que é realmente marcante. Sem pudor, a autora confronta quem lê com a incrível a falta de atenção dada a todos aqueles que vivem, no limiar, à margem da sociedade, pessoas a quem viramos facilmente o rosto porque preferimos não ver.
Da mesma forma, através de David, e directamente relacionada com a questão dos sem-abrigo, está exposta a questão das pessoas com problemas psicológicos e, da esquizofrenia à bipolaridade, é dada uma imagem bastante tocante daqueles que vivem dominados pelos seus demónios interiores, tendendo à loucura e degradação, que sentem, por tudo isto, uma falta de pertença a um lugar-comum por não conseguirem, simplesmente, adaptar-se ou corresponder às expectativas, conformando-se com o sobreviver à distância.

Em suma, e ao contrário do que possa parecer, esta não é uma história triste. É, isso sim, uma história emotiva sobre a saudade, as memórias, o amor e a vontade de recomeçar. É uma história com uma prosa bonita e envolvente que mistura a importância da família com duas formas de arte, uma capaz de alimentar o corpo e outra o espírito, havendo portanto muita beleza neste universo sombrio da sociedade.

Amy Hatvany tem uma escrita muito cuidada que, sem descurar a seriedade, impõe leveza e fluidez à sua narrativa.
As suas descrições são breves e pouco dedicadas ao ambiente mas são, porém, muito íntimas no que respeita a intervenientes, deixando a sensação que estamos a entrar no mundo de alguém sem a certeza se deveríamos invadir a privacidade de algo tão sensível, tão singular.
Terminei com vontade de ler algo mais da autora.

Pessoalmente esta não foi uma opinião fácil e não foi, certamente, bem conseguida. Sei que ficou muito por dizer mas esta é uma história para se sentir e reflectir.
Fiquei, indiscutivelmente, a pensar no quão feita de memórias sou e na importância que o meu passado tem naquilo que hoje represento, assim como fiquei com um sorriso lacrimoso na última página porque acredito, piamente, que a felicidade não tem de ser plena, tem de ser, isso sim, generosa e apaziguadora, deixando-nos com a certeza de que fizemos tudo quanto podíamos para a alcançar.

Esta é uma magnífica aposta Topseller, direccionada para os leitores de romances que apreciem histórias de vida intensas onde se destaquem os sentimentos e as emoções. 


Título: O Jardim das Memória
Autora: Amy Hatvany
Género: Romance, Drama
Editora: Topseller



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