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sábado, 3 de maio de 2014

Sinopse:
Acaso sea Crónica de una muerte anunciada la obra más «realista» de Gabriel García Márquez, pues se basa en un hecho histórico acontecido en la tierra natal de escritor.
Cuando empieza la novela, ya se saber que los hermanos Vicario van a matar a Santiago Nasar -de hecho ya le han matado- para vengar el honor ultrajado de su hermana Ángela, pero el relato termina precisamente en el momento en que Santiago Nasar muere. El tiempo cíclico, tan utilizado por García Márquez en sus obras, reaparece aquí minuciosamente descompuesto en cada uno de sus momentos, reconstruido prolija y exactamente por el narrador, que va dando cuenta de lo que sucedió mucho tiempo atrás, que avanza y retrocede en su relato y hasta llega mucho tiempo después para contar el destino de los supervivientes. La acción es, a un tiempo, colectiva y personal, clara y ambigua, y atrapa al lector desde un principio, a pesar de que conoce el desenlace de la trama.
La dialéctica entre mito y realidad se ve potenciada aquí, una vez más, por una prosa tan cargada de fascinación que las eleva hasta las fronteras de la leyenda.

Edição Debolsillo
Fiquei triste quando soube da morte de Gabriel García Márquez.
Tinha agendada a leitura desta sua obra para dez dias após a data do seu falecimento – obrigatória para a faculdade – e, mais uma vez, com muita pena minha, dei por mim a conhecer um grande nome da literatura universal e, para além disso, um pensador e ensaísta louvável, já depois de o ver partir. São questões que influenciam o meu folhear e apeteceu-me guardá-lo para outra altura. Não era viável.

Assim, com o coincidente título Crónica de una muerte anunciada, iniciei esta pequena narrativa que destaca o seu final logo nas primeiras linhas, trabalhando-o, exaustivamente, até à visualização do fatídico momento em que o protagonista perde dramaticamente a vida.
Relativamente ao enredo, são uma morte, um casamento e a voz de um povo que constroem este texto, que, ao contrário de procurar oferecer uma grande história, nos expõe a possibilidade de reflectir sobre os valores e índoles de uma forma profunda e merecedora de uma análise ao mais ínfimo pormenor.

Dividido em cinco partes, este livro começa então por nos apresentar aquele que tem a sua morte anunciada em todo o povoado de Manaure, Santiago Nasal. Alguém distante de prever a fatalidade que o aguarda, conhecemos este jovem como um espelho de boa-disposição, querido pelos que lhe são próximos e destacando-se pelos seus sonhos raros que, segundo sua mãe Plácida Linera, são livres de agouros – erro que carregará consigo até ao fim dos seus dias.

Igualmente destacáveis são as personagens Ángela Vicario e Bayardo San Román, dadas a ver com maior cuidado na segunda parte da narrativa. Ela é uma jovem que se vê contrariada rumo ao matrimónio com o segundo e, para piorar a situação, com a sua virgindade perdida. A noite de núpcias de ambos é o primeiro passo para o pronúncio que agita o povo e dita o afastamento daquela que poderia ser uma boda rica e abençoada.
Destes dois intervenientes, Bayardo foi de quem mais me compadeci ao ver lograda a sua ambição de casar, através de uma mentira alimentada por parte da mais filha mais nova da família Vicario. Já Ángela, vejo-a como uma espécie de Eva, a causa de todos os males apesar dos gestos honestos que, num momento crucial, acaba por revelar.
 
Edição Dom Quixote
Exceptuando as três personagens que citei anteriormente, só os gémeos Vicario que limpam a honra da irmã, embora o seu perfil os contrarie, são – entre os mais de quarenta intervenientes –, destacados, revelando uma contradição a si próprios no momento alto da história, sucessivamente predestinado. Eles são, também, um bom exemplo de perfil geral das figuras presentes, imprevisíveis no presságio dos seus actos, deixando antever a repetição de um retrato geral traçado de forma linear durante todo o livro. (Não quero com isto dizer que todas as personagens não sejam fundamentais, porque efectivamente qualquer uma delas poderia ter sido.)

Como disse anteriormente, este é um texto sobre a natureza humana, sobre a sua capacidade de se saber antecipadamente algo que se repudia mas que, por um outro motivo, se é incapaz de evitar. É interessante ver as diferentes perspectivas, as diferentes realidades de uma informação transformarem-se em algo mutável consoante aquele que a possui. Ver o quão pobre pode ser a humanidade que, impávida, se recusa a contrariar-se por aquilo que considera mais correcto. No final, a imagem que fica é muito crua, deixa de lado os disfarces e desvaloriza arrependimentos, pondo a nu um lado sombrio das figuras representadas em geral, tal e qual uma amostra humana.

Uma das características mais acentuadas do texto, e que define a escrita Márquez e o seu género de eleição, tem que ver com o misticismo e simbolismo constantes presentes na narrativa, que lhe conferem um lugar de destaque no realismo-mágico. Desta feita, embora esta seja considerada a obra mais “real” do autor, por ser baseada em algo verídico e ter vários pontos de ligação com a sua terra natal, são notáveis vários fragmentos inexplicáveis e elementos contraditórios que confundem o leitor numa primeira leitura e só se tornam evidentes depois de a história ser pensada no seu todo.

Em suma, este não é um livro para quem procura entretenimento fácil mas sim algo que lhe permita meditar sobre a leitura, sobre as ligações, as facetas estranhas dos indivíduos e os indícios que vão sendo oferecidos, um conjunto que só fará sentido quando se assiste ao culminar de um facto conhecido à priori. Um livro muito, muito inteligente e que merece uma releitura.

A escrita de Gabriel García Márquez, no original, não é simples nem previsível, pelo contrário, mas este revela-se um narrador extraordinário – como compositor da crónica – a que é impossível ficar indiferente.
Envolvente, o autor prende-nos às suas descrições e sinais, que nos levam a procurar algo mais subentendido em cada linha, enquanto oferece um sem número de peças para o simples puzzle oferecido à partida. Gostei particularmente da sua capacidade de atribuir verosimilhança, naturalidade, a um acontecimento que, dada a sua conjectura, parece impossível de concretizar.

Eu li uma edição espanhola, da editora Debolsillo, mas podem encontrar este publicado em português pela Dom Quixote.


Título: Crónica de una muerte anunciada
Autor: Gabriel García Márquez
Género: Romance
Editora: DebolsilloDom Quixote


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