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sábado, 12 de abril de 2014

Sinopse:
Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil é a história de um rapaz sofisticado e vulnerável com um grande apreço pelo mundo, mas sem a menor ideia de como viver nele. James tem 18 anos, é filho de pais divorciados. Eloquente, sensível e cínico, rejeita as presunções que orientam o mundo adulto que o rodeia – incluindo a expectativa de que irá para a universidade no outono seguinte.
Por ele, mudar-se-ia para uma casa antiga numa cidade pequena do Midwest. Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil passa-se durante uns dias abrasadores de verão. Ao mesmo tempo que faz confidências à sua compreensiva avó, James boicota uma psicóloga astuta, lamenta a sua irmã pretensiosa e cria uma identidade falsa online para poder avançar com o fraquinho que sente por alguém próximo.

Embora tivesse lido a sinopse e estivesse preparada para a maior parte dos acontecimentos narrados nestas páginas, confesso-vos que o texto apresentado, a sua voz e a sua estrutura, foi uma verdadeira surpresa. Foi melhor e pior, diferente e marcante.
Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil foi uma história que estranhei antes de permitir que se entranhasse, antes de me deixar a desejosa por relê-la, antes de me deixar ansiosa por absorver tudo o que não consegui numa primeira leitura que, se de início foi lenta, se tornou demasiado veloz.

Fugindo aos habituais parâmetros de um romance comum, Peter Cameron conta-nos, com uma voz sublime, a dissonante perspectiva de James face ao seu mundo – ao que o rodeia e às problemáticas com que recentemente é confrontado – levando-nos ao passado deste jovem para a compreensão do seu presente, da sua singularidade que não ambiciona o previsível e não se prende à maior parte das convenções que o leitor poderá ter intrinsecamente enraizadas.

Sobre a juventude, os primeiros passos e questões que nos atingem quando nos aproximamos da idade adulta, este livro aborda dilemas familiares dos mais simples aos mais dramáticos, assim como nos confronta com o trauma e com uma banalidade que ainda hoje é vítima social de estereótipos. A sua abordagem é diferente, centrada na personagem principal e nas ramificações que o próprio escolhe, e acaba por ser, fundamentalmente, um livro sobre escolhas e questionamentos, sobre tudo um pouco e nada em particular, levando a reflexões inesperadas e muitas vezes profundas sobre interrogações rotineiras em que jamais ousaríamos pensar.

A premissa é bastante simples, James tem dificuldade em adaptar-se ao que é normalmente esperado de alguém no ponto em que a sua vida se encontra, sendo confrontado com uma ida para a faculdade que não deseja, com o problema de ter pais divorciados e com disfuncionalidade de uma família excêntrica, e muitas vezes egocêntrica, que embora se preocupe consigo não sabe lidar com a sua dificuldade em relacionar-se, em ser social como deveria. Em suma, ao longo da história o leitor é levado a percorrer a mente deste rapaz e a descobrir as suas peculiaridades que fazem de si alguém igual a todos nós e ao mesmo tempo extraordinário.

Em relação a personagens, algumas das secundárias destacam-se essencialmente pela forma como tocam James e não por terem um papel realmente significativo no enredo, é o caso da mãe que não o alcança, da irmã virada para si mesma ou do pai que se preocupa com a imagem que o filho pode passar. Já no que respeita à da avó deste rapaz, ao gerente da galeria da sua mãe ou da psicóloga que este passa a frequentar, estes são por diversas vezes responsáveis por acções ou caminhos escolhidos do protagonista, fazem-no reflectir, o que nos ajuda a descobrir o seu íntimo muitas vezes confuso e inacessível.

Por tudo o que disse até ao momento, James é a figura central em todos os sentidos da história, é um protagonista imenso que, num curto espaço de tempo e com o mínimo de acontecimentos, nos leva muito longe através da sua mente. Ele pergunta-se sobre tudo, sobre a sua própria existência e sobre as reticências inatas que ele não considera da mesma maneira que os seus pares. Ele procura a partir da própria alma fundamentos para gestos e emoções, para a normalidade, e nunca tem a certeza de encontrar o suficiente, de se apaziguar consigo mesmo para poder seguir o seu rumo, continuando, assim, a procurar compreender-se na sua divergência, nos seus actos que com alguma inocência o levam a pontos que desconhece.

Relativamente à escrita de Peter Cameron, nem sempre é simples e tende a ser descritiva, mas existe uma beleza inegável na forma como o texto está exposto, como o autor conduz, exactamente como deseja, quem lê.
O ritmo de leitura acaba, assim, por ser à velocidade da intrincada teia que é o pensamento humano, nem sempre assertivo e muitas vezes inesperado, por vezes coerente e pleno de necessidades, repleto de curiosidades e o desejo de porquês, pleno de ideias conflituosas, confusas e discutíveis como o próprio protagonista, que nem sempre está correcto ou é interessante - é humano.

Em suma, este é um livro que acaba por fazer com que nos questionemos a nós próprios e ao mundo, da sua complexidade aos seus signos mais simples.
Se é um livro brilhante… talvez seja. Depende do que cada um procura. A verdade é que este é um livro sem lágrimas nem risos, que não se prende em emoções simples e que nos faz duvidar do puro entretenimento – umas vezes fútil e outras tão necessário – acho que vai depender do que cada procurar encontrar no que lê, do que cada terá, eventualmente, capacidade de abraçar. Eu terminei sem ter conseguido atingir tudo mas com a vontade de um próximo folhear, de muito mais, terminei com a certeza que não esquecer algumas das questões essenciais tratadas na história.

Esta é uma aposta por parte da Marcador que se revelou surpreendente e que eu sugiro a quem procura um pouco mais em cada leitura, a quem procure algo diferente e que o desafie.

Título: Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil
Autor: Peter Cameron
Género: Romance
Editora: Marcado


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