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Adoradora de literatura em geral.
Viciada em literatura fantástica e romântica.
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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Sinopse:
Evie O'Neill foi exilada da sua monótona e pacata cidade natal e enviada para as agitadas ruas de Nova Iorque - e fica radiante! Nova Iorque é a cidade dos bares clandestinos, das compras e dos cinemas! Pouco depois, Evie começa a andar com as glamorosas «Ziegfield Girls» e com atraentes carteiristas. O único problema é que Evie tem de viver com o seu tio Will, curador do Museu Americano de Folclore, Superstição e Ocultismo - também conhecido como «O Museu dos Arrepios», homem com uma pouco saudável obsessão pelo oculto.
Evie receia que ele descubra o seu segredo mais sombrio: um poder sobrenatural que até ao momento só lhe causou problemas. Porém, quando a polícia encontra uma rapariga morta que tem um estranho símbolo gravado na testa e Will é chamado ao local, Evie percebe que o seu dom pode ajudar a apanhar o assassino em série.
Quando Evie mergulha de cabeça numa dança com um assassino, outras histórias se desenrolam na cidade que nunca dorme. Um jovem chamado Memphis é apanhado entre dois mundos. Uma corista chamada Theta anda a fugir do seu passado. Um estudante chamado Jericho esconde um segredo chocante. E sem que ninguém saiba, algo sombrio e maligno despertou.

Há livros que indiscutivelmente se destacam entre os seus pares - devido aos seus enredos fortes, a uma exímia exploração de personagens e conteúdos e a uma narrativa com a capacidade de nos prender completamente à acção –, Os Adivinhos é um desses raros exemplos e foi sem dúvida um dos melhores livros que li este ano.
Libba Bray comenta, na sua nota final, que esta história teve um imenso trabalho de investigação com muitas horas de pesquisa para mesclar ficção e factos - algo em que eu acredito piamente.

Numa viagem louca pelos 20s, a autora arrancou-me diversas da realidade e transportou-me para as suas páginas, repletas de mistérios, segredos, mortes e sorrisos fáceis, transportou-me para uma terra plena possibilidades – Nova Iorque – um lugar prodigioso e em tempos de constante ascensão, um lugar onde os sonhos da jovem protagonista, paralelos ao perigo, foram muito além do que eu poderia imaginar.

Como tão bem nos elucida a sinopse, uma das personagens principais da narrativa fez asneira e essa asneira, que meteu em xeque o seu segredo, foi a melhor coisa que lhe poderia ter acontecido – afinal de contas não é todos os dias que se é exilado para um local feito à imagem quem deseja viver intensamente, como é o caso de Evie. Por vezes irritantemente mimada e egocêntrica, esta jovem destaca-se no entanto pelo seu delicioso humor natural, o seu dom muito peculiar e uma astucia rara para a sua idade. É maravilhoso assistir às suas aventuras partir do momento em que passa para tutela do seu tio Will, ou Tito como esta prefere chamar-lhe.
Espírito boémio, amizades eternas e rapazes interessantes parecem passar então a preencher o universo de Evie, mas enquanto esta se diverte o leitor atenta, confunde-se e vai conhecendo nuances de outras vidas, também elas singulares, também elas dotadas de segredos que vão além da normalidade. Mas, rapidamente, a estranheza começa a adensar entre o deslumbramento e, quando a primeira morte acontece, a vida de Evie ganha um novo ímpeto, onde tanto o seu dom como a sua alma de Sherlock HHHnskjdmxasxolmes despertam para o princípio de um mistério que pode destruir tudo e todos.

Não querendo repetir-me mas já me repetindo, eu gostei realmente de tudo neste livro e de entre as personagens exploradas adorei, mas adorei mesmo, John Hobber, ou John Perverso. Ele é o assassino pervertido que o leitor fica a conhecer logo de início, pois aqui, ao contrário do habitual, o interesse não está em descobrir quem ou o que reproduz o mal, mas sim como chegar até ele e vencê-lo. São extremamente emocionantes, arrepiantes até, as atrocidades cometidas e os contornos perversos em que se desenvolvem e, na mesma medida, são fascinantes os caminhos que levam Evie e o seu Tito de pista em pista – caminhos realmente bem conseguidos, existindo a sensação permanente que tudo pode acontecer, existindo uma tensão que acompanha o virar das páginas.

Ainda em relação à vertente criminal da história, para lá de toda a criatividade que a envolve, achei brilhante a sua associação à passagem de um cometa, bem como a forma como este, no folclore, acaba por estar associada a holocaustos do passado - como por exemplo a queima das bruxas. Um pormenor, entre muitos outros, que encontrarão neste mistério envolvente que enreda um elevado número de personagens, mesmo que não estejam, directamente, associadas à investigação.

No que respeita ao lado paranormal do texto, a expectativa deixada no leitor é evidentemente uma mais-valia. Quem lê sabe que há algo mais, mas não sabe a dimensão dos poderes, peculiaridades, que alguns intervenientes realmente possuem - se é que possuem - mantendo assim o potencial da obra a descoberto e oferecendo encantamento em pequenas doses. Neste sentido conhecemos Memphis e Isaiah, dois jovens entre tantos outros que figuram no livro, que se destacam por serem negros e de passado triste, com alguns traumas por ultrapassar, e principalmente, em ambos os casos, com uma relação directa ao sobrenatural. No caso de Memphis, é igualmente interessante a sua ligação a um lado clandestino dos subúrbios da época.

Todas as personagens que citei até ao momento são protagonistas com histórias bem trabalhadas e, fascinantemente, acabam por conduzir a muitos outros com papéis relevantes. Entre eles vale apenas destacar Jericho, um ajudante de Tito no “O Museu dos Arrepios”, porque soma ao romance, policial e fantástico, um outro género literário que eu não vos conto por não querer fazer spoilers. Espero muito, muito poder citá-lo na próxima opinião, pois creio que será o tema principal paralelo à fantasia e crime, que já se destacam. Em suma, podem contar com diversidade.

Para lá de podermos observar a liberdade que adveio da Primeira Grande Guerra, o vigorar da Lei Seca e noites longas de Jazz, esta é igualmente uma Era de emancipação feminina e ninguém o demonstra melhor que Theta, uma nova grande amiga de Evie e Mabel, a última é mais conservadora do trio por influência dos seus pais. Neste sentido é maravilhoso abarcar o cenário da época que está descrito excepcionalmente com todos os pormenores que possa imaginar. Do arrojado cabelo curto, passando por bailarinas excêntricas, comentários típicos e até um tsunami cultural, Libba não deixou nada ao acaso neste grande livro que espelha com bastante realismo a década em que tudo se passa.

Outro ponto forte, muito forte mesmo, tem que ver com a religião. São citadas, de forma mais ou menos breve, inúmeras ceitas e cultos religiosos, reafirmando fanatismos e rituais bastante… intensos. Desta feita, fica claro o conceito de verosimilhança e o perigo que advém do mesmo, dos aficionados, expondo um lado bastante putrefacto do ser humano. 

Se ainda não o deixei claro, o ambiente vivido ao longo das páginas é verdadeiramente envolvente pela credibilidade alcançada, mostrando com esplendor um multiculturalismo delicioso, associado a estilos, modos e descrições, onde é possível criar uma ligação entre o presente e um passado de excelência.

Eu já era fã de Libba Bray, adorei o seu livro anterior – Uma Grandiosa e Terrível Beleza – que embora seja um género diferente deixa claro o seu talento, mas agora, confesso-vos, a autora superou todas as minhas expectativas. A sua escrita é maravilhosa, enleadora, absorvendo por completo o leitor com uma simplicidade viciante.
Mestra nos diálogos e nas descrições, conseguiu consolidar um enredo com mais de uma dezena de personagens, para um fim comum que fiquei ansiosa por descobrir, e oferecer-lhes uma palpabilidade rara neste género de ficção – com fantasia, se é que me entendem.
Uma nota ainda para a dicotomias utilizadas, constantes, que vão enfatizando acções e/ou momentos chave, estando fiéis a par com malditos, ou o mal com a perfeição. Enfim, perfeito.

Estou a arrancar cabelos e a roer unhas pelo próximo livro de Os Adivinhos, com publicação prevista no original para 2014, com o título Lair of Dreams, pois tenho a certeza que com esta autora não me vou desiludir.
Por fim, deixo-vos uma frase intemporal que resume muito do que acontece na história: «Não há nada mais assustador do que a certeza dos que acreditam deter a razão – disse Will.», página 482. Não concordam?

Uma grande, grande aposta da Asa, na colecção 1001 Mundos, que certamente chegará a todos os leitores sem excepção, por adicionar a géneros clássicos misticismos e simbolismos que hipnotizaram os apaixonados pela leitura. Estará, em dose dupla, entre as minhas prendas este Natal. *.*

(Opinião)


Título: Os Adivinhos
Autora: Libba Bray
Género: Romance; Policial; Fantástico
Editora: Asa – 1001 Mundos


4 comentários :

Clarinda disse...

Parabéns pela sua escrita!
É sempre um prazer ler as opiniões neste blog.
:) bjinhos

Elphaba J. disse...

Obrigado Clarinda *.*
É muito simpático o teu comentário.

Beijinhos

Cris disse...

Olá Elphaba,

Estou ansiosa por ler este livro desde que a versão original foi publicada!!!
Ouve os primeiros capítulos da versão original, está genial.
http://www.youtube.com/watch?v=dN1H_PwpAus

Elphaba J. disse...

Cris isto é tão bom! Obrigado, obrigado, obrigado!
E tens mesmo de ler, o audio está fantástico mas o livro é muito, muito bom!

Beijinhos e Bom Ano.

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