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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Sinopse:
Inês, com apenas dez anos contempla o cenário onde terá início o primeiro acto de uma tragédia que ficará para a história como uma das mais belas histórias de amor de sempre. A sua ama, pronuncia as palavras que o destino se encarregará de cumprir - «um príncipe amar-te-á pelo teu colo de garça e pelos teus cabelos loiros e as tuas fontes virão a ser cingidas por uma coroa real».
No castelo de Peñafiel, Inês e Constança tornar-se-ão irmãs de alma, unidas pelo mesmo amor - D. Pedro. E se um dia mais tarde o príncipe português casar-se-á com Constança respeitando-a pela sua serenidade é a Inês que amará perdidamente – «Inês era a força da cascata, o rumor do mar enraivecido, o roçar do vento quando o cavalo se lança a galope». A morte de D. Constança afasta momentaneamente os dois amantes, mas será então que Pedro e Inês irão viver, na idílica Quinta das Lágrimas, as horas mais felizes do seu infortunado amor. Mas o destino lança nos corações de alguma nobreza as facas da ambição que irão atraiçoar e manchar de sangue o esbelto pescoço de Inês.
A beleza lendária de Inês de Castro foi captada na perfeição por esta autora, numa obra que ficará certamente na memória do leitor.

Quando me foi dada a oportunidade de escolher uma narrativa para apresentar sobre um mito nacional, para uma cadeira da faculdade, não primei certamente pela originalidade mas, definitivamente, por um lado meu que vocês já conhecem, um lado que não resiste a uma bonita história comandada pelo coração.
A tragédia de Inês de Castro foi o mito escolhido e, acreditem, difícil foi escolher qual o livro, o tipo de abordagem que desejava fazer ao tema, pois existem dezenas, talvez centenas de opções, nas mais variadas línguas e com múltiplas nuances interessantes – mais ou menos distantes da pseudo-realidade.
A escolha da obra de María Pilar Hierro teve como principal factor o aconselhamento de uma amiga, mas também o reduzido número de páginas, o facto de tender mais para a ficção do que para os factos históricos e ainda a biografia da autora – licenciada em História Moderna e Contemporânea.

O enredo é conhecido de todos e tem uma intemporalidade afectiva que marca pela diferença na época em que desenvolve a acção, uma época em que pouco se ousava ou pensava em sentimentos, pois tudo era decidido em prol do que fosse mais benéfico para o reino. 
Ao contrário do que esperava, esta história surpreendeu-me por não se fixar apenas no romance entre D. Inês de Castro e D. Pedro I,  o que na minha opinião é uma característica louvável e que distingue este livro de alguns dos seus homónimos – assim como a sua divisão capitular, em sete partes distintas, que prodigiosamente permitem a idealização cadenciada de todo universo trágico.

A primeira parte da narrativa e o início da segunda situam-se no ano de 1622 e têm como personagens principais um cavaleiro errante e desconhecido, que se oferece para contar pormenorizadamente a história de D. Inês a dois dramaturgos espanhóis do Siglo de Oro espanhol, D. Luis Vélez de Guerava e D. Félix Lope de Vega y Carpio – que mais tarde serão conhecidos e aclamados, em parte, pelas suas peças dedicadas ao drama nacional, Reinar Después de Morir e Inés de Castro, respectivamente.
A essência de todo o livro assenta, portanto, na forma como envolve factos verídicos com mitológicos, e por consequência ficcionais, com séculos de distância e que têm a capacidade de perdurar na memória, na mente de quem escuta o mito, até aos dias hoje, permitindo que o leitor se enleie e conjecture sobre o que realmente poderá ter acontecido aos amantes e aos dramaturgos.

Para os mais interessados no romance principesco, é mais ou menos a meio do segundo capítulo que o misterioso cavaleiro, pedindo para não ser interrompido por Vélez e Lope, nos transporta no tempo para o ano 1320 quando se dá o nascimento da protagonista, passando para 1330 onde narra o começo de uma amizade profunda com o florescer da juventude e por aí em diante, sempre marcando com fidelidade e especial atenção os pontos-chave que predestinaram o destino fatídico de A Castro
Quanto à intriga, muito sucintamente, D. Constança Manuel é prometida ao príncipe D. Pedro I, filho do Rei de Portugal D. Afonso IV, sendo assim encaminhada para Lisboa e levando consigo a sua fiel amiga, como que irmã, D. Inês de Castro. A chegada de ambas ao Castelo de São Jorge, morada dos monarcas em Lisboa, é marcada pelos olhares cruzados entre as donzelas e o príncipe, que fazem com que D. Inês caia de amores pelo futuro marido da sua amiga bem como este por si.
Dá-se o casamento entre os prometidos e durante os anos de matrimónio há dois ou três encontros fatais entre D. Inês e D. Pedro I – aos quais se junta uma grande sucessão de acontecimentos e premonições que vão adensando a trama –, sendo que no fim da sua vida D. Constança já está consciente da "traiçao" e consente o amor proibido entre os que estima ao contrário do Rei, que não é da mesma opinião. D. Inês é então enviada para o Convento de Santa Clara, e assim afastada da corte, que mais tarde pelos actos fatídicos aí cometidos ficará conhecido por Quinta das Lágrimas – estamos em finais de 1345.

Túmulo de D. Pedro I
Não sei até que ponto corro o risco de já ter cometido ou vir a cometer spoilers, mas esta história é de cultura geral e penso que todos conhecem como termina – os amantes vivem felizes durante 7 anos, têm três filhos bastardos e no fim D. Inês é degolada a mando do Rei, o que leva a que D. Pedro I se insurja contra o seu pai ficando com o cognome O Justiceiro.

No que respeita a personagens, todas elas estão trabalhadas por forma produzir entretenimento durante a leitura, e é aqui que se verifica o quão ficcional é esta obra e as suas lacunas históricas. Ainda assim, no que respeita ao século XVII, adorei ter descoberto os dramaturgos espanhóis sobre os quais tive oportunidade de pesquisar um pouco, bem como a oportunidade de conhecer – embora fantasiosamente – as infâncias de D. Inês e D. Constança, o que me permitiu igualmente fazer uma nova interpretação do mito.
Estas duas jovens são, de facto, as personagens principais juntamente com D. Pedro I e para mim foi impossível não me compadecer de todos os intervenientes deste triângulo amoroso que, em tempo algum, deixam de pensar nas repercussões dos seus actos preocupando-se, seriamente, com aqueles que estariam a magoar. Os laços trabalhados são, portanto, uma construção magnífica ao longo do texto e a minha eleita é sem dúvida D. Constança, talvez a mais inocente e a mais justa, revelando uma sensatez que eu não alcançaria.

Túmulo de Inês de Castro
Outra das mais-valias desta história é poder ser lida por qualquer leitor sem a preocupação ou morosidade muitas vezes imposta pelos livros históricos, pois exceptuando quem não goste de drama, esta é uma escolha assertiva.

Muitas citações de obras referentes ao romance publicadas ao longo dos tempos, de Camões a Henry de Montherlant, são também parte integrante do livro pontuando-o magnificamente, principalmente no que respeita às descrições de D. Inês, conhecida pela sua beleza inebriante, pelo seu «colo de graça». (Colo é pescoço, contemporaneamente esta expressão é dúbia, eu sei.)

Por tudo o que já disse, fica claro que a escrita de María Pilar Hierro é bastante atractiva e esta poderia ter sido uma leituras de poucas horas se não me tivesse sido exigida uma análise pormenorizada da mesma, ainda assim é inegável o prazer que retirei das descrições de época, das caracterizações e da carga emotiva presente em todos os momentos.

Como nota final, quero citar ainda a capa do livro, extraordinária, que representa o emblemático túmulo mandado construir por D. Pedro I para D. Inês, existe um para o próprio de frente para o da sua amada onde foi sepultado após a sua morte, e que marca a coroação de Inês já depois de morta, com homenagem por parte da corte – os túmulos podem ser visitados no Mosteiro de Alcobaça, local que fiquei ansiosa por conhecer em breve, e estão representados pelas imagens acima legendadas.
«– Eu te coroo, Inês, Rainha de Portugal. Para que assim sejas reconhecida pela História.», página 135.

Onde começa e acaba o mito é algo que será sempre discutível, inegável é que esta é, sem dúvida, uma das mais belas histórias de amor que o nosso país conheceu
Este livro é uma aposta de qualidade Editorial Presença que eu recomendo, sem restrições, aos curiosos que deverão ter sempre em atenção de que esta obra tem tanto de verdade como de ficção. As mais românticas também poderão gostar.

Título: Inês de Castro
Autora: María Pilar Queralt del Hierro
Género: Ficção Histórica

Para mais informações sobre o livro Inês de Castro, clique aqui.


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