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Adoradora de literatura em geral.
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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Sinopse:
Os Doze é a sequela de A Passagem, um bestseller internacional que nos dá a conhecer um mundo transformado num pesadelo infernal por uma experiência governamental que não correu como previsto. No presente, à medida que o apocalipse provocado pela mão humana se vai intensificando, três personagens tentam sobreviver no meio do caos. Lila, uma médica e futura mãe; Kittridge, que se viu obrigado a fugir do seu baluarte com poucos recursos; e April, uma adolescente que se esforça por manter em segurança o irmão mais novo num cenário de morte e destruição. Mas, embora ainda não o saibam, nenhum dos três foi completamente abandonado...
A uma distância de 100 anos do futuro, Amy e os outros sobreviventes continuam a lutar pela salvação da humanidade... sem se aperceberem de que as regras foram alteradas. O inimigo evoluiu, e surgiu uma nova ordem negra com uma perspetiva do futuro infinitamente mais terrífica do que a da própria extinção humana.

Existem muitos livros, felizmente, que por muitas palavras que sejam partilhadas ficarão sempre mais e mais por referir, e o mais recente superthriller, repleto de fantasia e ficção científica, publicado pela Editorial Presença está, definitivamente, incluído nesta categoria.

Justin Cronin, na minha opinião, fez tudo bem. Ele matou quem devia e quem não devia para por à prova o meu coração, ele desenraizou o mal só para o replantar e fazer germinar pior que nunca e, depois, ainda preencheu todos os espaços possíveis com traços de amor entre o terror, só para que a verdadeira mensagem continuasse a ser evidenciada ao leitor.

As personagens e os tempos narrados ao longo da história são imensos, mas quando voltei a redescobrir, anos, muitos anos mais tarde, aqueles que já conhecia do livro anterior, quando voltei a um mundo contaminado por um vírus que destrói tudo e todos à sua passagem, não consegui deixar de reflectir sobre o verdadeiro busílis, humano ou viral, que criou este universo, sobre a verdadeira causa da desgraça a que assistimos e que assume tantas faces quantas qualquer pesadelo pode assumir – o que me levou, agora, à constatação de que o mal reside exclusivamente no íntimo de cada um. Este foi um dos vários pensamentos que me acompanharam sempre mas que, no final, fez um sentido efectivamente assustador.

No princípio de Os Doze fui guiada pela expectativa que me motivou, pelo receio de saber em antemão tudo o que poderia vir a acontecer após o Ano Zero – devido à anterior leitura de A Passagem, livros 1 e 2 –, por adivinhar que o erro já estava disseminado, incontrolável. No entanto, nada me retirou o prazer de acompanhar Kittridge, Danny e April, curiosa quanto ao seu futuro, no seu espaço temporal que me era desconhecido, e temi pelas suas existências e representações sem nunca conseguir esquecer de Lila e Grey, vidas singulares e peculiares, no surreal a que já me era permitido antever.
No futuro, quase um século depois – um século… –, regressei a casa, a uma parte que já conhecia, receava, e que se mostrava agora tão diferente. O horror ganhou maturidade e dimensão, cada realidade, comum ou particular, estava diferente para pior, e confesso-vos que então que o virar de páginas tornou-se viciante, que ansiei por cada momento de tensão extrema a que fui assistindo.

Aquele que poderia ser um livro de transição para um derradeiro final foi, pelas palavras de um excelente autor, uma obra rica em pormenores e vivências que vieram colmatar todas as lacunas deixadas anteriormente, devido à complexidade deste enredo. Para tal, o leitor conta com mais de uma dezena de personagens, umas já conhecidas e outras não, com um papel determinante para uma visão abrangente e plena de satisfação.

A obra alterna os diversos momentos espaciais, pelo que começo por me focar no início deste apocalipse, no Ano Zero, dando-vos a conhecer as personagens e as abordagens de quando pouco ou nada se sabia sobre o que estava a acontecer, exceptuando que os EUA estavam a perder a sua população de forma violenta a uma velocidade arrepiante.
Kettridge, com a sua perspectiva de ex. militar mutilado, desempenha aqui um papel de rebeldia, revolta, que acaba por se tornar fundamental para as parcas vidas com que se cruza, mostrando a relevância de uma mente estratega e de comando face ao caos.
April, de uma geração totalmente diferente, traz para a narrativa o contexto emocional e relembra o leitor que em situações limite as opções acertadas alteram-se, que aquilo que no passado seria repudiado pode acabar por se tornar um vínculo à nossa humanidade. É uma flor que cresce velozmente trazendo uma luz, simbolizou para mim continuidade. 
Danny, autista, é de uma dimensão à parte. Este homem dependente é uma surpresa constante e conhecer a sua mente nas condições adversas em que se encontra é um pormenor muito bem conseguido por parte do autor, afinal de contas, creio que existe a intenção de mostrar o máximo possível de partes afectadas num momento como este, e acredito que nesse sentido o sucesso foi alcançado.
Ainda no Ano Zero, mas já com a noção presente de que teriam um papel posterior a representar também, Lila e Grey são um retrato singular a atractivo, ele amnésico por realmente não recordar o que se passa no mundo, alcançando um previsível instinto de sobrevivência, ela porque escolhe não lembrar o quão diferente está a actualidade, preferindo refugiar-se num passado traumático e existindo, assim, alienada da realidade. São uma analogia interessante à memória que não poderia deixar de vos referir.

Com a profetizada passagem do tempo, o leitor é então levado para o futuro onde tudo se decide e algo, ainda, ficará por deslindar. Neste momento em particular, embora existam novos intervenientes bastante interessantes, julgo que é no regresso aos escolhidos, e já conhecidos, que vale apena atender, a Peter, a Alicia, a Amy e a Sara, que me são particularmente queridos.
Peter é um guerreiro, sempre foi e está destinado a ter um papel maior nos acontecimentos que restituirão a possível normalidade. É um viajante sem rumo, muitas vezes perdido e preso a convicções pouco claras, que acaba por se revelar linha após linha. Penso que mais tarde o associarei ao equilíbrio, àquele que equilibra os corações dos que, embora justos, se perdem na ténue fronteira entre o bem e o mal.
Alicia, contaminada e escolhida, é das figuras mais dúbias e difíceis de compreender durante a leitura, mas também ela tem um momento marcante e que acaba por fazer de si uma excepção entre todo o mal a que o assisti. É muito forte, e não me refiro apenas à sua força física, e esconde uma forma de amar que embora seja estranha é louvável.
Amy é a Amy. É a menina, a mulher e o monstro, que todos veneram e temem com razão. A sua causa, demanda, é a mais árdua de todas, creio, e certamente a mais confusa, mas a pureza dos seus afectos e gestos é tal que seria impossível o leitor não sentir um pouco da transcendência que ela provoca em todos os que são tocados por si.
Para o fim guardei a personagem que mais me impressionou neste livro – fui impressionada muitas vezes –, Sara. Ela é fundamental porque mostra como uma vida plena é levada à completa anulação da sua existência e, pior, representa a 70 mil almas que estão na mesma situação que a sua. É incrível a desintegração arbitrária a que assistimos, necessária para a sua sobrevivência, a forma mecânica como esta mulher subsiste, a cumplicidade obrigatória que cria com um sistema de terror – foi algo que me chocou muito.

Poderia ainda falar-vos dos Doze, os que dão título ao livro e que ficamos a conhecer melhor na obra, mas não existe muito que possa ser referido. Imaginem a reencarnação do mal e multipliquem-na por número de seleccionados para uma experiência mal conseguida, é o que estes representam tornando este cataclismo bastante injusto. Mas esta história está cheia de heróis, reencontros e perdas, por isso faço questão de não lhes dar muita atenção. Fica, no entanto, muito por dizer em relação a outra dezena, ou mais, de personagens, mas eu quero alongar-me muito mais.


Em suma, como puderam verificar, são muitas questões abordadas ao longo do livro, através de faces dissonantes e perturbadoras. Um livro que tem muitas situações de violência extrema, que foram além do que a minha imaginação concebe. Um livro onde o suspense é permanente e que se encontra narrado de forma inteligente para nos fazer crer na sua credibilidade. Um livro onde o futuro e a eterna questão de uma vida sem fim não tem preâmbulos tecnológicos ou romanticismos, é um texto muito cru, é um texto com uma visão unicamente dramática, sinistra até, sobre os limites da ambição humana.

Justin Cronin conquistou-me em pleno, e embora a sua escrita, devido aos saltos no tempo, nem sempre seja completamente clara, conseguiu fazer um sentido imenso quando chegou ao fim, deixando-me ansiosa pela continuação.
Devo ainda dizer que as suas descrições são bastante claras a nível visual, embora a variedade de cenários seja limitada pelo estado em que o planeta se encontra. Não existem, igualmente, falhas quanto a caracterizações o que, na minha opinião, é milagroso devido às dezenas de intervenientes que testemunhei, demasiados mas justificáveis pelas mais de 1650 páginas que perfazem, até ao momento, a sua narrativa.

Eu sou fã e penso que isso ficou claro pelo que tentei transmitir, apesar de ter a certeza que esta não é uma opinião muito bem conseguida devido às dificuldades que senti ao escreve-la.
Gostei tudo, tudo mesmo, neste livro repleto de pormenores sádicos e noções de amor disfuncionais, um livro que começa de forma profeticamente assustadora e que termina repleto de inquietação, pelo que me resta unicamente desesperar pela publicação de The City of Mirrors, no original publicado em 2014, e mais ainda para o folhear por cá. (Leitor sofre!)

Esta é uma aposta soberba da Editorial Presença que eu sugiro, veemente, a todos os fãs de literatura fantástica – é excelente!



A Passagem - Livro 1 (Opinião)
A Passagem - Livro 2 (Opinião)


Título: Os Doze
Autor: Justin Cronin
Género: Fantasia; Ficção Científica
Editora: Editorias Presença
Para mais informações sobre o livro Os Doze, clique aqui.


2 comentários :

Maria Pereira disse...

"A Passagem" foi um dos meus livros favoritos dos últimos tempos e mal posso esperar por este. A tua descrição deixou-me com água na boca e vontade de o começar já a ler e assumo-me como fã incondicional deste escritor

Boas leituras

Elphaba J. disse...

Maria e acredita que ficou mesmo muito por dizer, sinceramente acho que nem me expressei bem!
O livro está espectacular. Tão bom ou melhor que o primeiro, embora a história sofra algumas alterações e vá por caminhos diferentes. A questão é que o autor faz com que isso aconteça de uma forma muito natural - é fantástico! Lê :D

Beijinhos & Boas leituras.

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