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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Sinopse:
Raphael, Gardo e Ratazana vivem em Behala, uma lixeira de proporções inimagináveis num país do Terceiro Mundo. Todos os dias, a sua vida resume-se a passar a pente fino os detritos provenientes da cidade na esperança de encontrarem algo que possa ser vendido. Um dia, descobrem uma pequena mala de cabedal que contém dinheiro e alguns documentos pessoais. Mas a polícia também está interessada em ficar com a mala, e os três rapazes dão por si a ser perseguidos à medida que tentam desvendar um caso de corrupção que envolve as mais altas esferas da sociedade.

Quando olhei pela primeira vez para o título Trash - Os Rapazes do Lixo soube, de imediato, que mais tarde ou mais cedo teria de ler esta história, esta ficção que denuncia uma realidade que não pode ser escondida, uma realidade que deve chegar a tantos quantos for possível porque, infelizmente, muitos são os que lhe estão próximos e preferem não ver.

Abrindo-nos as portas para um retrato social anómalo a muitos de nós, esta é a história de três rapazes, crianças, que têm como único lar uma lixeira de proporções descumunais. Neste local fétido, eles trabalham tanto quanto lhes é possível para manterem a única condição que conhecem, a miséria em vez da morte pela fome. Têm uma escola, é verdade, uma escola certamente dará algo como esperança a algumas daquelas crianças, mas não é o caso dos protagonistas, órfãos que só se têm a si mesmos.
Um dia, entre excrementos e podridão humana, dois dos três inocentes que irão amar neste livro encontram uma mala com dinheiro e documentos, dinheiro que lhes encherá a barriga por uns dias, documentos que são procurados pela polícia. Quando as autoridades invadem o seu universo só lhes resta a mentira ou a fome e os mistérios de uma carta, uma carta sofrida através das palavras de um pai morto que teme pela sua filha, uma carta que compadece aqueles por quem já o leitor se comoveu, dando início a algo maior, algo que denuncia a verdade e que mudará a vida destes meninos para sempre.

Nem sei por onde começar.
Por assistir a uma novela que passa num canal generalista, tinha de antemão conhecimento desta realidade pobre, uma realidade ingrata para aqueles que não têm quem zele por si e este, leitores, é o primeiro agradecimento que poderão vir a fazer durante a vossa leitura. Este livro, no entanto, é mais cru - a palavra escrita toca-me sempre mais -, é mais forte emocionalmente porque denuncia culpados de peso, culpados que poderiam fazer a diferença em países de terceiro mundo.

Raphael, Gardo e Ratazana são exemplos de crianças brilhantes, crianças que seriam um dia úteis a uma sociedade mas que, por falta de oportunidade, não são nem nunca serão ninguém. Enquanto personagens eles são encantadores. Espertos como muito poucos, como os poucos que sem ter nada utilizam tudo como recurso. A sua meninice, ingenuidade e coragem derrotaram-me, revoltaram-me e fizeram-me pensar muito na minha própria existência, por isso, embora este seja um livro da Colecção Noites Claras da Editorial Presença, indicada para um público juvenil, é a gente graúda que Raphael, Gardo e Ratazana têm que chegar. São intervenientes que não dão grande margem a desenvolvimento ou divagação sobre o seu carácter, mas que representam na perfeição um papel anónimo.

A narrativa, segundo as notas finais do próprio autor, é baseada numa lixeira de Manila, nas Filipinas, um local que certamente não deverei visitar sob o risco de me perder lá para todo o meu sempre.

Mais do que falar de indigência, esta é uma história sobre corrupção, corrupção daqueles que são a cara do poder, daqueles que se colocam num pedestal e por aí ficam sem o peso na consciência relativo aos que não têm nada, aos que se distribuem por valas comuns, aos ninguéns morrem todos os dias sem direito, sequer, ao espaço garantido a sete palmos debaixo do chão.

É muito triste, e pela tristeza que sinto custa-me escrever, desculpem-me.
Não concebo os que se calam, não concebo que os que têm pouco, e podem fazer uma centelha por vidas, se mantenham com o pouco em troca de nada. 
A polícia, comprada. O governo contaminado. A comunicação social reprimida. E nos pequenos muitos sorrisos, sorrisos fáceis por estarem unicamente vivos.

A escrita de Andy Mulligan não é muito simples, mas merece toda a tenção e dedicação do leitor. Escrito na primeira pessoa, este texto tem como principais narradores os protagonistas, mas também algumas das almas generosas que, voluntariamente ou involuntariamente, participaram nas suas aventuras.
As descrições são o mais realista possíveis, e não é preciso muito para que quem lê se sinta repudiado pelo cheiro agridoce e enjoativo do podre e do estrume. É dada a ver a miséria de qualquer país sem saneamento nas zonas mais carenciadas e a esterilidade que nunca chega a ser bela do lado oposto, do lado dos que tiram o pão de quem nada tem para comer.
No fim da vossa leitura, sentirão que no meio do erro está tudo bem, está tudo bem porque Andy Mulligan pôs sal na ferida.

Quando a mim acho que deixei, excepcionalmente, de saber escrever uma opinião literária. Sinto-me apenas frustrada e revoltada, o pior de tudo, impotente face a um virar de páginas viciante pela incerteza, pelo medo, que senti por todas as crianças representadas nesta história.
Convido-vos a visitar o site do autor dedicado a este livro - aquiE o vídeo relativo ao livro - aqui.
Uma história sobre crianças mas que abrirá os olhos a muitos adultos e que eu recomendo, veemente, a quem procure algo mais do que entretimento.

Uma publicação Editorial Presença que eu desejei muito ler, que não me arrependo minimamente de ter lido, porque existem histórias que têm de ser conhecidas por todos.


Título: Trash - Os Rapazes do Lixo
Autor: Andy Mulligan
Género: Ficção; Juvenil


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