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A Elphaba...

Adoradora de literatura em geral.
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sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Sinopse:
Harry e Madeleine Winslow foram abençoados na vida: têm talento, charme e dinheiro. Harry é um autor premiado e com uma carreira promissora. Madeleine é uma mulher de beleza sublime e graça, cuja bondade e serenidade desmentem a educação privilegiada e vivência luxuosa. Ligados por profunda devoção, partilham um amor que provoca inveja.
Num fim-de-semana, no princípio do Verão passado na praia, Harry e Maddy, que estão na casa dos quarenta, conhecem Claire, uma jovem aparentemente inocente e inteligente, que desperta com a sua juventude cativante e ingenuidade desarmante uma admiração no casal. Atraída pelo inegável magnetismo dos Winslow, Claire entra na vida do casal.
Mas, ao longo do Verão, a amizade e reverência transformam-se em desejo perigoso. O que irá abalar e poderá destruir o mundo dos Winslow.
Uma história de amor, luxúria, engano e traição contada através da perspectiva de Walter, amigo de infância e apaixonado em segredo por Maddy. Indiscrição é um romance pensado, cheio de fascinantes factos da vida, um irresistível e sensual page-turner, que explora o desejo de ter tudo, e as consequências de querer mais, com um equilíbrio subtil de sexo e muito intimista.

Charles Dubow fez tudo tão bem; encantou-me com a sua prosa e conseguiu levar­-me ao âmago das suas vidas imaginárias, deixou-me suspensa na realidade ficcional com infinitas opções, medos, e manteve-me atenta, chegou mesmo a fazer-me acreditar que esta podia ter sido uma história diferente, mas confesso que acho-a quase perfeita assim, feita de muitas páginas que poderiam ser verídicas, páginas onde paira a indiscrição do narrador devido à imprudência de todos os que mereciam um pouco mais.

Tinha um bom pressentimento a respeito deste livro, mas nada me poderia ter preparado para as múltiplas surpresas com que me deparei, para as lágrimas que verti e para as emoções e análises observei ao longo deste romance que, não tendo nada de extraordinário devido ao facto de a fragilidade humana ser de conhecimento geral, está escrito maravilhosamente, expressando-se através de uma voz que certamente se irá destacar neste género literário.

A sinopse de Indiscrição elucida bastante, pelo que não me vou alargar quanto à premissa. Temos uma jovem, Claire, que o acaso leva a conhecer o fantástico casal Harry e Madeleine Winslow, pessoas muito queridas no seu círculo fechado de amigos e extremamente bem relacionadas na alta sociedade. A relação entre estas três personagens vai evoluído enquanto Walter, o melhor amigo de Maddy, nos vai relatando pormenores e histórias da vida de todos eles, até que um dia um conjunto de situações permite que algo aconteça a este grupo de pessoas, algo impensável que alterará e marcará profundamente as suas vidas.
Simplificando desta forma sei que esta narrativa parece pouco atractiva, mas não se iludam porque não existe nada nada de banal neste texto. Tudo o que vai sendo relatado foi pensado para nos tornar observadores de pessoas, observadores de metamorfoses daquela que é a mais complexa criatura ao cimo da terra.

Na nossa natureza, somos muitas vezes impulsionados por emoções despertadas por sentimentos e aquele que muitos procuram encontrar, e ver retribuído, é o amor. Ele é uma espécie de nirvana que nos traz a segurança que advém do companheirismo, da mímica invisível partilhada entre dois seres que se encontram e proporcionam aquilo que realmente procuramos, a felicidade. Maddy e Harry foram abençoados, tinham tudo isso e um pouco mais, que era oferecido pelos seus amigos, vidas contagiadas pela ligação deste par.
Infelizmente, como muitas vezes acontece, o que temos não chega, queremos mais. Queremos o amor mas queremos também a paixão, porque se o amor nos traz a felicidade a paixão faz-nos sentir vivos e, de uma forma mais intensa, queridos. Claire queria sentir-se querida, acima de todas as coisas, talvez para recuperar a sensação de pertença que há muito lhe tinha sido roubada e pertencer ao grupo dos Wilson era algo a que não podia resistir, mas faltava-lhe algo, ela queria mais, queria ser amada e rever-se naqueles que depressa passou a admirar, pessoas para vida com que sempre poderia vir a contar. Já Walter não queria nada, porque o que não tinha estava fora do seu alcance e por isso apenas observava, vivia através dos outros o que não tinha e, como pessoa generosa que era, preocupava-se, não podia fazer mais nada a não ser simplesmente dar e amar e observar, mas nunca pedia ou queria nada. Algum deles está errado nos seus anseios?

Esta é uma história de amor, uma história que se queria bela com tantas vidas para amar, mas o amor, no entanto, faz-se acompanhar do egoísmo, da mesma que o melhor de faz acompanhar do pior. É uma lei da natureza, como aquela que todos os dias provoca uma morte no mundo para proporcionar um nascimento, ou já não existiria mundo, existiria apenas o caos, e é aí que a humanidade se complica porque equilíbrio é algo sensível, é como os desejos que podem tender sempre para os dois lados devido às suas consequências. E porque nada é perfeito, a tentativa de alcançar algo pode levar-nos ao erro e cada erro tem um preço, o preço que tendemos a ignorar quando nos é apresentada a satisfação do desejo… estou a divagar, perdoem-me, vou directa ao busílis da questão.

Estas vidas amaram, ou tentaram, tanto quantos lhes seria possível alcançar, mas erraram porque nem sempre foram felizes nas suas escolhas e por isso pagaram um preço, a justiça desse preço é discutível, ou seja, este livro não é mais do que um retrato de todos nós enquanto seres sociais que tentam satisfazer-se. 
Paixão e traição são os temas mais latentes, a par com o amor e com a generosidade, enquanto assistimos à passagem das estações do ano, à evolução íntima de infinitas possibilidades que nos reserva o futuro. Nestas páginas existe espaço para muitos sorrisos e para muita dor, para culpados que não são exclusivamente culpados e para inocentes que tiveram a sua cota parte de falhas. É um livro fascinante, isso certo, porque me revi nas suas personagens e com elas aprendi algo, enquanto tentei, constantemente, não fazer julgamentos.

Charles Dubow é quase brilhante e a sua escrita é tão simples quando admirável. Não escreveu nada que não pudesse, ou já não tivesse, sido escrito por alguém, é certo, mas a forma como o faz marca pela diferença através de uma abordagem surpreendente e original.
Embora não se alongue nas descrições espaciais, este é um autor cuidadoso para com os seus intervenientes e é a esses que dedica a sua total atenção. Cada caracterização presente nesta história, assim como o desenvolvimento de cada personagem, foi estudado e pensado para nos levar a uma reflexão sobre o Eu e sobre como actuaríamos se estivéssemos na posição ficcional, o que eu considerei maravilhoso.

Pessoalmente, tratando-se de um livro que tem tanto feliz como de dramático, eu não consigo recomendá-lo a todos os leitores, embora ache que deveria ser lido, que merece ser lido. No entanto, quem escolher esta leitura, tenha o cuidado de usufruir tanto das alegrias que esta vai proporcionando, como da esperança, como do amor, como da melancolia final devastadora e profunda, porque tudo vos deixará a reflectir muito depois de terem virado a última página.
Por fim, peço desculpa se esta não foi uma das minhas opiniões convencionais, mas para convencional basta o que é tratado nesta história, que deve ser encarada de uma forma especial.

Esta é uma aposta diferente da Planeta Manuscrito, mas extremamente agradável e marcante. É um tipo de obra que eu espero ver publicado novamente por todo o prazer que me ofereceu nas entrelinhas e que, a ter de ser recomendado por mim, que o seja aos leitores de romances e a todos os que amam ou desejem amar.


Título: Indiscrição
Autor: Charles Dubow
Género: Romance


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