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sexta-feira, 26 de julho de 2013
Sinopse:
Num futuro pós-apocalíptico, surge das cinzas do que foi a América do Norte, Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. Todos os Distritos estão obrigados a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome - um espetáculo sangrento de combates mortais cujo lema é «matar ou morrer». No final, apenas um destes jovens escapará com vida… Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, um ato de extrema coragem… Conseguirá Katniss conservar a sua vida e a sua humanidade? Um enredo surpreendente e personagens inesquecíveis elevam este romance de estreia da trilogia Os Jogos da Fome às mais altas esferas da ficção científica.

Depois de recentemente nos ter sido dado a conhecer mais um trailer do segundo filme da trilogia Os Jogos da Fome (aqui), não resisti a uma releitura com direito a comentário aqui no blogue - que não tive oportunidade de publicar anteriormente.
Não me vou alargar, obviamente, porque creio que a maioria dos fãs deste género literário já leu a trilogia ou, pelo menos, já assistiu ao filme, ainda assim é com prazer que aqui deixo a minha opinião. 

Provavelmente erroneamente, eu tenho a sensação Os Jogos da Fome, o título do primeiro livro que dá nome à série, veio despertar os leitores portugueses de YA, jovens adultos, para o fenómeno das distopias em cenários de ficção científica e, embora depois do enorme sucesso de Suzanne Collins já tenham existido publicações absolutamente extraordinárias, ninguém pode tirar o mérito a esta autora que, eximiamente, fez o baptismo em milhares e conseguiu conquistar a sua legião de fãs.

A história já todos conhecem, Penem é dominada por um Capitólio através de um regime totalitário opressivo, os 12 distritos adjacentes à capital são subjugados pelo medo e pela fome, após a derrota de uma revolta fracassada 74 anos antes.
Para provar o seu poder e relembrar que não pode ser vencido, o Capitólio organiza todos anos Os Jogos da Fome, que consiste em colocar 24 crianças numa arena a lutarem até à morte de forma brutal e desumana até que só exista um vencedor e, como se isto não fosse suficientemente mau, as crianças tem de ser “oferecidas” pelos distritos - um rapaz e uma rapariga, entre os 12 e os 18 anos -, que assistirão em directo à morte dos seus.
O cúmulo do bizarro é que os distritos não estão em pé de igualdade, alguns são mais miseráveis que outros, e portanto a deslealdade deste jogo começa mesmo antes da entrada na arena. Mas nem tudo é mau, durante a preparação para os jogos - que é uma piada brutal -, os tributos podem sempre tentar convencer milionários do Capitólio a patrociná-los enquanto estiverem a lutar e, quem sabe, quando estiverem a morrer de fome, medo e frio não serão salvos por uma alma caridosa que prefere ver morrer a criança ao lado, enfim… Katniss e Peeta são os tributos do Distrito 12 para septuagésimos quartos Jogo da Fome e que o entretimento comece!

Acho esta premissa arrepiante e muito, muito inteligente em diversos sentidos que passarei a explicar mas, em primeiro lugar, afirmo desde já que gostei bastante do livro e até mesmo das suas personagens que não são de empatia fácil.
Katniss, a protagonista, ela é antipática, rezingona e mal-educada, mas, por outro lado, tem um coração de outro e não posso dizer que não teria o feitio dela, ou pior, se vivesse sob as suas condições. Afinal de contas a rapariga só gosta e só pode confiar nela própria, na família e no jeitoso lá do distrito, Gale, com quem vai caçar regularmente (caçar, que engraçado, ambos giros e carentes, com 16 anos e passam horas intermináveis juntos apenas a caçar… grande falha da Suzanne). Mas adiante, gosto dela porque o leitor tem de aprender a gostar da sua personalidade e fazer um esforço para a compreender e, para tal, é levado a tentar entender a dimensão do universo em que Katniss está inserida.
Peeta, o seu companheiro de distrito na arena, já é outra história. É mais privilegiado que esta dado que os pais são os padeiros e, basicamente, passa menos fome. Nunca falou com a Katniss mas em vésperas de se matarem um o outro declara que sempre foi apaixonado por esta e aceita o jogo com uma serenidade que me dá cabo dos nervos. Confesso que quando comecei a gostar da sua prestação ele me desiludiu imenso, por isso espero que no próximo livro me surpreenda bastante.
A verdade é que embora tenha as mesmas origens, este par de protagonistas não poderia ser mais dissonante e não foi fácil criar empatia com estes jovens antes de ver o filme, mas agora depois de ler o livro duas vezes e ver o filme também por duas vezes, acho que ambos acabam por saber jogar e não consigo retirar-lhes o mérito.

Quanto a intervenientes secundários, gostei de Rue, um tributo de outro distrito que acaba por criar um laço emocional com Katniss e que me fez chorar horrores, bem como de Haymitch, que embora seja bastante irritante deixa claras as cicatrizes que um vencedor carrega após os desumanos Jogos. Por fim, vale apena ainda comentar Cinna, Effie e Caesar, que por motivos diferentes dão um toque muito especial ao texto, todos eles são do Capitólio.

Esta história deu-me muito que pensar e os temas que posso abordar são imensos, mas começo com uma questão que me perturba bastante, o que existe para lá de Penem? Não quero acreditar que o mundo no futuro esteja reduzido a 12 distritos miseráveis e uma capital (à América do Norte), não faz sentido. Mas falemos de coisas boas, adorei a beleza estéril e superficial do Capitólio, que é rapidamente evidenciada em oposição à desgraça nos distritos. É algo tão surreal e exagerado que chega a oferecer humor à narrativa, humor negro, obviamente, e a Effie desempenha aqui um papel crucial.

Outra questão que me faz pensar muito é a consciência dos habitantes da capital. Parece-me, de todo, improvável que uma massa tão extravagante, e até criativa, não se revoltasse contra os jogos - aqui Cinna combate a minha teoria -, no entanto como é que tirania explica, por exemplo, às suas crianças que estão a matar outras por prazer e para mostrar o seu poder… creio que é uma escola perfeita para assassinos que não matam por estarem permanentemente satisfeitos no seu mundo ilusoriamente encantado e, acreditem, gostava mesmo de saber como é a educação no Capitólio.

As dicotomias exploradas são também variadas, mas aquela que coloca o deslumbramento em oposição ao horror é qualquer coisa de fascinante. Adorei os cenários, todos eles, e estes espelham bem o quanto o belo pode ser aterrorizador. Gostei também das cenas de violência, principalmente as que contêm emotividade, e a forma como os protagonistas lidaram com o carácter psicológico inerente a esses momentos, Katniss em particular. Acho que foi mesmo o que mais me agradou, a exploração afectiva e emocional do medo, da opressão e dos actos de atrocidades cruas, que promoveram uma transformação necessária à sobrevivência que só é possível em situações extremas, como na arena dos Jogos. Ninguém passa por uma situação destas sem deixar para trás um pouco da sua humanidade e, sinceramente, até tenho medo do recado que Suzanne está a dar aos seus leitores.


Bem, contei fazer apenas um breve comentário mais já me alarguei, no entanto penso que fica claro que este é um livro obrigatório para os leitores de distopias e, em particular, de cenários futuristas com bastantes laços com a actualidade. Afinal de contas, as necessidades são as mesmas e as tecnologias de ponta só estão acessíveis a quem está do lado do poder.
É uma história para todos os leitores, pelas muitas lições que contém, mas que não recomendo a um público muito jovem pela brutalidade de muitas cenas descritas.

Suzanne Collins tem uma escrita acessível e agradável, que promove um ritmo de leitura veloz e que joga bem com as emoções de quem lê.
As suas descrições são bastante detalhadas em alguns momentos e a sua imaginação chega a ser de uma perversidade assustadora - o caso dos mutes finais da arena, uma das grandes ausências do filme que me deixa sempre a imaginá-los durante algum tempo.
Nada a apontar, portanto, a senhora escreve bem e tem uma criatividade cinco estrelas.

Entretanto, já li o livro seguinte da trilogia, Em Chamas, e conto fazer a opinião em breve. Para já, posso dizer-vos que algumas questões foram respondidas, que fui constantemente surpreendida e que a violência psicológica é ainda maior. Está muito em jogo e novas personagens vêm refrescar positivamente este enredo. Agora conto ler A Revolta, o terceiro e último livro da trilogia, nos próximos dias pelo que não vos vou fazer esperar muito por novos comentários, espero eu!


Este livro é uma aposta Editorial Presença, da sua colecção Via Láctea, particularmente destinada a quem gosta de explorar novas realidades. Eu sugiro sem restrições a leitores pouco susceptíveis

Título: Os Jogos da Fome
Autora: Suzanne Collins
Género: Ficção Científica, Distopia, YA



5 comentários :

Diário da Chris disse...

Adorei a tua opinião.. Eu gosto muito desta triologia e esout super ansiosa por ver o segundo filme que me parece estar muito bom..
Beijinhos*

www.diariodachris.wordpress.com

Liliana Lavado disse...

Li o primeiro desta série, gostei, mas por alguma razão (mistério!) não me pôs a ler os seguintes :P
Acho que me vou ficar pelos filmes que aparecerem :)

Elphaba J. disse...

Olá Chris,
Obrigado! *.*
Eu também estou ansiosa por ver o segundo filme, foi isso que me levou a fazer esta opinião e a ler o resto da trilogia!

Liliana,
Acho que irias gostar de ler pelo menos o segundo, eu gostei bastante e a autora consegue surpreender. Mas imagino que tenhas imenso trabalho e como os filmes nem estão maus é sempre uma opção.

Beijinhos para ambas & Boas leituras :)

Rita Ribeiro disse...

Olá Elphaba. :)

Fico contente que tenhas gostado dos dois primeiros livros da trilogia, pois a histórias é bastante interessante, envolvente e original. Confesso que gostei bastante de toda a trilogia, embora tivesse começado algo reticente o terceiro volume, devido ás opiniões que havia lido. Estas obras têm uma grande carga psicológica e no terceiro volume são muitas as perdas, contudo espero que gostes tanto do final quanto destes dois primeiros volumes. :)

Beijinhos e boas leituras*

Elphaba J. disse...

Olá Rita (:

Gostei imenso, mas gostei ainda mais do 3.º que entretanto já li!
É verdade, a Collins construiu uma história fantástica, está de parabéns, existe muito pouco a apontar ao seu cenário distópico e consegue, de facto, trabalhar bem toda a carga emocional associada ao enredo.

Bejinho & Boas leituras *.*

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