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terça-feira, 2 de julho de 2013
Sinopse:
Com boas notas, e a estudar num dos melhores colégios de Lisboa, Gonçalo é o filho que todos os pais gostariam de ter. Desde cedo, ele e o grupo de amigos são bombardeados com imagens sexuais em filmes, séries, videoclips, anúncios e celebridades levando a uma erotização precoce. A ausência de educação sexual por parte dos pais e colégio leva-os a investigar o extenso mundo da pornografia na Internet. Em simultâneo, a sua impreparação para lidarem com as redes sociais leva-os a serem participantes e vítimas na busca vertiginosa de likes para ultrapassarem a mítica marca dos 1000 amigos. Eles apenas pensam nos desafios e nunca nas consequências. As drogas legais, o sexting, a masturbação online com estranhos, serem paparazzi da vida uns dos outros e a prostituição com mulheres mais velhas fazem parte do seu estilo de vida, onde o futuro não existe, apenas o logo à noite. Depois do best-seller que abalou a sociedade portuguesa, Francisco Salgueiro regressa com uma nova história sobre os adolescentes portugueses do século 21.

Se esta tivesse sido a minha estreia com o autor Francisco Salgueiro teria, muito provavelmente, ficado fã, mas como não foi e eu já era sua admiradora, posso simplesmente afirmar que todas as minhas expectativas foram totalmente superadas.
Leitura de um único dia, O Fim da Inocência II prima pelas questões controversas que vai explorando ao longo de um folhear onde, logo nas primeiras páginas, nos é oferecida uma sentença que pressagia as muitas problemáticas que vamos encontrando ao longo da leitura, uma sentença assustadora devido aos muitos lugares comuns que os leitores poderão encontrar.

Sendo um livro de adolescentes, mas de extremo interesse para o público em geral - pais e educadores, em particular -, esta é, portanto, uma história de risos e angústias fáceis, típicas de uma idade repleta de extremos e "fins do mundo" onde os copos transbordam em emoções velozes, emoções capazes de levar as suas personagens da euforia à depressão num curto espaço de tempo, algo que é em parte conhecido por todos e palpável através virar de cada página.

A narrativa, o relato que Gonçalo decidiu partilhar com o autor desta obra, é triste, é deprimente tendo em conta que o seu foco individual visa alertar a cegueira alheia de todos os que se recusam a reflectir sobre os riscos de se viver à velocidade de um clique, à velocidade de uma realidade que não acompanha a evolução e amadurecimento humano e que está acessível a qualquer individuo, de qualquer idade, sendo especialmente perigosa para os que partilham a retorcida inocência de Gonçalos.
Aquele que acompanhamos aprendeu da pior forma possível que por vezes as possibilidades não devem passar disso mesmo, possibilidades, porque a essência de viver está nas nossas escolhas e que essas, para o bem ou para mal, é que definem o nosso caminho e aquilo em que nos transformamos.

Uma brincadeira, um convívio banal em casa entre um grupo de amigos privilegiados e com pais ausentes, é o primeiro passo para que um grupo de jovens curiosos e sedentos de actualização, modas e aceitação social dê o primeiro passo maior que as pernas na conhecida pornografia.
Uma festa particular, que poderia ser tão pueril como qualquer café para confraternização, é o acesso mais rápido para as primeiras experiências entre o álcool e as drogas leves, acessíveis em qualquer círculo menos controlado.
A Internet, ferramenta crucial para os estudos e pesquisas didácticas no percurso académico, é agora fundamental para a afirmação social de cada um nas redes que ligam milhares de desconhecidos, redes sociais que vieram alterar completamente os comportamentos das massas acabando, felizmente ou infelizmente, por ter um peso emocional extremo para os que procuram conviver. Falo-vos de uma convivência que para muitos ultrapassa aquilo a que muitos adultos definem de relação saudável. Falo-vos da fascinante e fatídica invenção do clique.
E, existe ainda, o telemóvel. Um pequeno objecto fundamental para a comunicação dos nossos dias mas que evoluiu para algo mais, evoluiu para uma moda, para um laço que nos liga a todos quantos conhecemos, ou não, e que nos permite, tal como a Internet, uma interacção profunda através de imagens e vídeos com os quais se pode fornecer, literalmente, a nossa intimidade.
Tudo isto, os momentos e os acessos que nos permitem crescer e chegar mais longe nos dias de hoje são, da mesma forma, armas capazes de destruir um individuo que não está emocionalmente preparado para a complexidade do lugar em que existimos, são armas disponíveis e capazes de destruir Gonçalos com pais e educadores menos atentos que precocemente, tão precocemente como a capacidade de fazer um clique, devem estar atentos para prover uma educação que deve acompanhar as inovações e ambições que rodeiam as nossas crianças. Uma tarefa impossível, certamente. Factos assustadores, sem dúvida alguma.

O texto viciante que li, um texto que vos dará certamente prazer em descobrir, não vos contará nada que já não tenham imaginado ou reflectido, pelo menos durante alguns segundos, mas não deixa de ser arrepiante sermos confrontados com a facilidade, disponibilidade, com que este se apresenta e se compõe através das palavras de Francisco Salgueiro. O enredo, propriamente dito, pode ser resumido como a descrição do crescimento precoce de um jovem igual a tantos outros, e do seu grupo de amigos, que se encaixa da pior maneira no mundo que o rodeia, mas creio que poucos irão encará-lo com tal leviandade.


Em suma, esta é uma não-ficção que levanta muitas perguntas e nos confronta com diversos tabus e problemáticas actuais, enquanto nos choca e nos emociona com as vidas espelhadas nas suas páginas, vidas pelas quais torcemos mas que sabemos condenadas por si próprias e por todos os que as partilham desde o início. E, no fim, no fim da inocência destes pares, fica o medo do leitor pela permissividade da roda que faz girar este universo no qual estamos inseridos, onde nos sentimos completamente incapazes ao ver destruídas existências que poderiam ter sido brilhantes. Fico destroçada.

Quanto à escrita de Francisco Salgueiro, é muito agradável e fluida, trabalhando a nossa língua materna de forma simples e coerente, o que proporciona uma leitura voraz e aprazível.
Gosto de crer na credibilidade que este autor impõe aos seus textos que, a não serem reais, possuem uma verosimilhança tão forte que é impossível ficar-lhes indiferente.
Um escritor que vou continuar adquirir e a acompanhar com maior prazer e que sugiro veemente aos leitores deste blogue.

Como nota pessoal, devo-vos um pedido de desculpa porque já li este livro há bastante tempo e se tivesse feito a opinião na altura creio que esta teria sido diferente, mais apelativa para uma história que merece avaliação máxima.
E termino com um apontamento sincero e muito pessoal, a ser verdade tudo o que li - como acredito ser -, por cada capítulo que percorri perdi um pouco mais de fé na geração que me precede, o que só faz com que esta leitura seja tão obrigatória quanto triste. Tremendamente triste. Estejam atentos.

Esta é uma publicação da Oficina do Livro que merece a minha total recomendação a todos quantos tenham oportunidade de ler.
Do Mesmo Autor



O Anjo Que Queria Pecar (Opinião)


Título: O Fim da Inocência II
Autor: Francisco Salgueiro
Género: Não-ficção
Editora: Oficina do Livro


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