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sábado, 8 de junho de 2013
Sinopse:
Para Fox, Caleb e Gage o número sete representa tragédia. Há muitos anos, um ritual inocente entre eles libertou um mal antigo na sua terra natal. Como resultado, sete dias de loucura repetem-se a cada sete anos. Agora, já homens, sentem esse mal a regressar. Visões de morte e destruição atormentam-nos. Mas este ano, três mulheres juntaram-se à batalha: Layla, Quinn e Cybil. Será que também elas estão ligadas a essa maldição? Desde criança que Fox tem a capacidade de ler outras mentes, um talento que partilha com Layla. E para combater a escuridão que ameaça a cidade, Fox precisa de ganhar a confiança de Layla. Infelizmente ela não consegue aceitar esse misterioso talento e a nova intimidade com Fox apavora-a. É que Layla sabe que quando abrir a sua mente não terá qualquer defesa perante o desejo que ameaça consumi-los a ambos…

Creio que já o tinha reafirmado anteriormente mas não resisto a citá-lo uma vez mais, estou a tornar-me uma grande fã de Nora Roberts e, a cada livro que leio, gosto cada vez mais do seu trabalho.
Ritual do Amor, tal como o seu antecedente da trilogia Signo dos Sete, apresenta uma faceta muito romântica, cómica e com um teor paranormal forte. Neste livro em particular, o casal principal, Layla e Fox,  encontra-se bem explorado superando-se ao longo da narrativa, não só mostrando a coragem coragem necessária para enfrentar o eminente culminar do mal que se avizinha, como também para ultrapassando os seus traumas emocionais, que os impedem de se entregarem ao que realmente sentem.

Tal como tinha indicado na minha opinião do livro anterior, Irmãos de Sangue, Nora segue um estilo de escrita e enredo com o qual já me sinto familiarizada utilizando, desta feita, um núcleo de seis intervenientes, três masculinos e três femininos, de personalidades atractivas e que acabam por estabelecer uma relação afectiva de amizade e algo mais, respectivamente. E se é verdade que a repetição poderia ser um ponto menos positivo, as aventuras, a acção e as peripécias são tão constantes durante o folhear que, nesta narrativa de entretenimento puro, descomplicado, após final prevalece uma vontade imensa de saber mais sobre todos os que a habitam.

A história continua a decorrer em Hawkins Hollow onde a loucura reina, mas convenhamos que assim o é há 21 anos. No entanto, desde a chegada de Layla, Quinn e Cybil que a situação tente a piorar de dia para dia, com Twisse - um demónio secular desperto pelo pacto de sangue feito por Fox, Caleb e Gage na infância -, a instalar uma insanidade generalizada. Violência, ilusões macabras e tensão constante são o dia a dia destas seis personagens que tentam descobrir como parar esta força do mal mas, porque nem tudo é mau, entre os muitos sustos com que as personagens se deparam, a insensatez da paixão em tempos de “guerra” vai atenuando a dor e conferindo leveza ao ambiente onde se pressagia a morte - que o digam Layla e Fox, o segundo casal atingido pelo cupido nesta trilogia. Entre solucionar o puzzle que os levará à vitória e descobrir os desígnios do amor, tudo pode acontecer e, quiçá, não estará na união a resposta para a salvação da mítica cidade Hawkins Hollow e dos seus peculiares habitantes.

Gosto, gosto mesmo das singulares personagens criadas por esta autora. Sei que são excessivas face à realidade e talvez isso, possivelmente, demasiado especiais, mas ainda assim é bom que características como a honra, honestidade e integridade - qualidades humanas cada vez mais raras -, estejam presentes na ficção para nos recordarem a importância da sua existência.
Fora os traços gerais que acabei de citar, partilhados por quase todos os intervenientes do núcleo principal, Layla o Fox têm distintivos pertinentes que os marcam em relação ao casal anterior, Caleb e Quinn. No caso de Layla, sendo a mais introvertida do grupo, acaba por ser tímida e ter dificuldade em lidar com o que sente, algo que alia a um perfeccionismo nato e ao medo de arriscar. Já Fox é corajoso e tem um íntimo realmente bom, destacando-se pela preocupação constante que tem para com os seus e um passado triste marcado pela perda, o que lhe tratará dificuldades em lidar com uma já de si muito complexa Layla. São um casal muito interessante, mas, confesso, que é uma opinião que tenho por todas as personagens, pares, e, mesmo aquelas que por vezes mostram personalidades mais retorcidas, como Gage, é impossível deixar de as admirar.

Desta vez não me vou alongar sobre a escrita de Nora, algo que já referi em quatro opiniões anteriores de livros seus e que aqui se mantém igual, ou seja, bastante apelativa. Ainda assim tenho de referir a forma como a autora trata as relações humanas e afectivas, bem como todas as emoções a que vamos assistindo. O laço criados entre o grupo e a forma como este vive medos e alegrias é excepcional, algo que aliado à forma como estão expostos os pequenos e os grandes prazeres comuns dá à ficção uma credibilidade e palpabilidade que nos faz usufruir em pleno da sua leitura.

Em relação ao fantástico, a sua ligação aos intervenientes (sim, tudo gira em torno das personagens), é fascinante, sem ser demasiado exaustiva, e está exposta na medida certa para que se sinta a sua presença constante. O facto é que, entre Deuses, demónios e maldições - mesmo nos momentos assustadores -, esta história continua a ter muito de comédia romântica.

Por tudo o que já disse, fica claro que gostei bastante do trabalho desta autora nesta narrativa, a que se encontra associado um humor delicioso que me fez rir vezes sem conta, mesmo nas situações mais complexas e emocionais. Para mim, Nora Roberts é definitivamente uma prioridade quando pretendo descontrair entre leituras, e sim, ela é previsível, mas sabe sê-lo de uma forma encantadora. Já agora, é impressão minha ou Nora é viciada em Coca-Cola?

Uma aposta assertiva da chancela Chá das Cinco, pertencente ao Grupo Saída de Emergência, que aconselho às leitoras de romances sem qualquer restrição.





Irmãos de Sangue (Opinião)


Título: Ritual do Amor
Autora: Nora Roberts
Género: Romance; Fantasia


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