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quarta-feira, 6 de março de 2013

Sinopse:
Na primavera de 1938, a ameaça nazi paira sobre a Europa. Em Viena, a família Landau vê desaparecer muitos dos seus amigos e teme pela sua segurança. Decidem fugir do país mas não poderão partir juntos. Elise, a filha mais nova, é enviada para Inglaterra, onde a espera um emprego como criada de uma família aristocrática. É a única forma de garantir a sua segurança. Para trás deixa uma vida privilegiada. Em Tyneford, ela tenta encontrar o seu lugar na rígida hierarquia da casa. É agora uma das criadas, mas nunca antes trabalhou. Tem a educação e os hábitos da classe alta, mas não pertence à aristocracia. Enquanto areia as pratas e prepara as lareiras, usa as magníficas pérolas da mãe por baixo do uniforme. Sabe que deve limitar-se a servir, mas não consegue evitar o escândalo ao dançar com Kit, o filho do dono da casa. Juntos vão desafiar as convenções da severa aristocracia inglesa numa história de amor que tocará todos os que os rodeiam. Em Tyneford, ela vai aprender que é possível ser mais do que uma pessoa. Viver mais do que uma vida. Amar mais do que uma vez.

Uma das editoras que mais me tem vindo a surpreender pela riqueza das suas histórias é ASA. São histórias com uma rara beleza, descritas através vidas que se traduzem em romances credíveis e com uma escrita cuidada, são oportunidades de leituras extraordinárias e que eu vou recordar durante muito tempo. Depois em 2012 ter descoberto A Menina da Falésia (opiniãoe O Segredo de Sophia (opinião),  heis que 2013 me estreio nesta editora com Uma Casa de Família, uma narrativa perfeita em todos sentidos que compõem um romance contemporâneo e que me enterneceu profundamente, intensamente, ao longo do folhear das suas páginas.

A Segunda Grande Guerra é, e por toda a minha eternidade será, um tema tocante, difícil de deglutir pelos tantos, imensos, incontáveis, amores e vidas que quebrou. Foi o princípio de um fim que, mesmo sem real finitude, ainda hoje toca as consciências e os corações pelo sofrimento deixado a todos os que existiram entre 1939 e 1945. Ninguém ficou imune e, para não me dispersar ainda mais no meu comentário, digo-vos que o alguém que inspirou esta belíssima, encantadora, narrativa não foi excepção.

É, na minha perspectiva, muito difícil não ser e não amar Elise ao longo deste texto. Não nos deixarmos maravilhar pela sua Viena resplandecente de melodias, arte e sabores, e, mais tarde, não nos perdemos na sua paixão e novos amores, mais agridoces, mais intensos, permitidos apenas a quem experimentou, entre a verdadeira dor, o canto dos afortunados num recando edílico perdido nas Ilhas Britânicas.
Para ser mais concreta, fala-vos de uma menina-mulher de classe alta que, na eminência da calamidade no parágrafo acima referida, se viu obrigada a abandonar tudo o que conhecia, se viu obrigada a romper com todas as suas concepções e, mais difícil ainda, se viu obrigada a deixar para trás os que amava para sobreviver. Fala-vos de uma menina-mulher que aprendeu de maneira abruta, penosa, a encontrar dentro de si coragem, força e resistência para crescer e suportar uma nova realidade que mudou todas as vidas. Falo-vos de Elise, uma grande mulher, uma grande protagonista que personifica todos aqueles que, não estando no centro da guerra, carregaram em seus braços, estoicamente, arduamente, as lágrimas, o medo e a emoção forçadamente ofertada àqueles que conhecem a eterna saudade.

Não se iludam, embora esta não seja uma história de repleta de finais felizes é, isso sim, uma história de pequenas conquistas e alegrias, de crescimento emocional e psicológico, onde há lugar para primeiras vezes em todos os sentidos.
O quadro onde esta obra ganha luz é, por si só, de uma excelência e complexidades deslumbrantes. A bucólica comunidade e estrutura Tyneford, uma janela distante para o sofrimento, permite-nos usufruir, apenas com um ligeiro aperto no peito, das vidas que aí de desenrolam. São vidas que se regem por hierarquias intrinsecamente vinculadas à cultura inglesa, onde cada um tem um papel que deve desempenhar com zelo para manter a estabilidade, naqueles tempos ameaçada. Claro que tudo era mais fácil se tivéssemos sido educados para fazer parte desde minucioso retrato. Elise não foi.

Para lá da personagem principal que, tal como a sinopse anuncia, vive mais do que uma vida e dos quadros espaciais, de lugar e de época, onde se desenrola acção, é importante ainda referir que esta obra nos oferece uma diversidade enriquecedora de intervenientes que nos permitem ter perspectivas singulares e únicas dos muitos papeis desempenhados na guerra, intervenientes esses que marcam de forma inquestionável o enredo, assim como sublinham as muitas notas que se fazem soar nesta canção que nos embala e nos faz recuar no tempo, de forma plena, e vivenciar as palavras lidas neste livro.

Sem dúvida, este é um romance muito muito especial para todos os que apreciam uma boa história onde o todo se conjuga na perfeição – com surpresas e desilusões, com mágoas e sorrisos – conferindo um lugar íntimo à realidade que, com uma peculiar despedida em Ré Menor, deixará certamente saudade e momentos de reflexão.

Natasha Solomons tem uma escrita bela e harmoniosa que transmite a sua sensibilidade para este tema que é abordado em particular sem, com isto, descurar a ficção e o romance tão importantes para que lê.
As suas descrições cuidadosamente elaboradas, em todos os sentidos, permitem que esta seja uma leitura emocional e sensitiva que não se priva de pormenores, pequenos retoques que nos vão conquistando logo de início numa Áustria inebriante cultural e artisticamente e, posteriormente, numa Inglaterra também atractiva muito mais peculiar, conferindo uma a este texto uma dimensão que alcançará os leitores mais exigentes.

Quanto a mim, adorei. Vivenciei completamente esta história que no fim me deixou um ligeiro sabor a sal das lágrimas, de pesar e felicidade, de saudade por personagens ricas e plenas, e por todos os que aqui foram representados (Sr. Rivers, Kit e Anna, entre tantos outros).
Um romance magnífico a que dei nota máxima por me falar da vida, da morte e do credível que me permite cultivar um outro pedaço do meu ser, um pedaço mais cru, um pedaço da minha alma.

Uma maravilhosa aposta da ASA que, arrisco-me a dizer, conquistará um grande número de adeptos ou, pelo menos, todos aqueles que se permitirem ler por lazer sem esquecer tudo o que está retido nas suas entrelinhas.

Título: Uma Casa de Família
Autora: Natasha Solomons
Género: Romance
Editora: ASAChocolate para a Alma

2 comentários :

p7 disse...

Parece tão bonito... só tenho lido boas recomendações deste livro, e as expectativas estão em alta. :)

Elphaba J. disse...

Olá P7 :)

Este é, de facto, um livro extraordinário e uma leitura de que não te irás arrepender. Beijinhos*

(Mas calmas com as expectativas lol, lê sem pensar em nada, a viver simplesmente o momento entre ti e as personagens (as vidas).)

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