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sábado, 23 de março de 2013

Sinopse:
Publicado em Paris, em Abril de 1892, na casa Léon Vanier, Só surpreenderá os leitores e críticos nacionais com o carácter inesperado dos temas e com a novidade das opções formais e estilísticas. Integrado na geração de poetas da década de 90, Nobre revela o desejo de renovação da linguagem poética próprio de uma estética finissecular, integrando temas e registos de língua cujo acesso à expressão poética estivera outrora vedado. Em termos temáticos, destaca-se o pessimismo profundo da sua visão do mundo; em termos formais, a presença da linguagem popular e a utilização expressiva das marcas da coloquialidade.

Para os mais distraídos, no passado dia 21 de Março foi o Dia Mundial da Poesia e eu tinha pensado em realizar um pequeno comentário sobre este género literário aqui no blogue. Infelizmente não tive disponibilidade, mas penso que nunca é tarde para falar um pouco, ainda que pela primeira vez, sobre este tipo de letras que marcam a historicidade lusitana.
Confesso-vos que pouco ou nada conheço de poética porque, simplesmente, não me atrai. Não quero com isto dizer que não gosto, de todo. Sei de memória alguns poemas e vários são aqueles que me levam a procurar interpretações aprofundadas, mas é raro encontrar algo qualidade - o que não invalida um olhar através da beleza nas palavras simples ou nas rimas comuns.

Como não gosto de falar do que me é desconhecido, escolhi deixar aqui algumas palavras sobre a obra de António Nobre que estudei recentemente. Este é um livro que não apreciei inteiramente, o que não invalida que seja cega à sua extrema qualidade.


Pequeno comentário:
Introduzindo-nos e apresentando-nos a temática de  através do poema Memória, é fácil perceber a simbologia, a noção de linhagem e premonição de fatalidade que o autor desenvolve ao longo de toda a sua obra, algo que complementa com os poemas António e Lusitânia no Bairro Latino, que precedem seis secções de poemas e distintas.  Nos dois últimos poemas citados, é clara a representação do sujeito – a duas vozes em António –, a representação de um Portugal realista e, ainda, uma ligação à História lusitana, respectivamente. Todas estas abordagens são acompanhadas de um sujeito sofrido e que deixa presente os seus afectos, sejam eles actuais ou originários da infância.
E é assim se começa a construir  pelas palavras de Anto.

Os temas acima citados vão sendo explorados, com maior ou menor profundidade, ao longo de todo o livro e, após leitura, ficará principalmente na lembrança do leitor os princípios de regularidade do autor, a ancestralidade e tradição representadas, os muitos símbolos que encontramos da nossa História ou de cariz particular, assim como a marca da sua geração e, ainda, traços de poesia épica e clássica. Um cocktail perfeito para os entendidos.
Fora isso, é importante citar que o autor tem o cuidado de utilizar a poesia oral, aquela que fica no ouvido mesmo de quem não lê, e uma voz que pode ser na primeira, segunda ou terceira pessoa, sendo a primeira predominante

A título de curiosidade, e uma vez que isso é uma das marcas relevantes durante a leitura, logo no seu primeiro poema, António Nobre imprime um fatalismo e uma dor constantes, que nunca acabam, ao seu texto, algo que, quiçá, não se tratava já de uma antevisão ao seu percurso breve. Esta foi a sua única obra publicada em vida, tendo este falecido em 1900, aos 33 anos de idade, vítima de tuberculose.

Quando a mim? Bem, eu não fiquei fã mas não consigo dizer mal de um livro com tantos predicados de valor. É uma boa aposta para quem pretende analisar este género a nível de autores nacionais, até porque este poeta deixa descendentes neste campo do saber em Portugal. Para quem gosta de poesia, lembro ainda que o CCB vai festejar o Dia Mundial da Poesia no próximo dia 24 de Março, amanhã. (Mais informações.)

Deixo-vos os versos finais do poema Lusitânia no Bairro Latino, versos estes que fazem pensar muitas vezes.
«Qu’é dos Pintores do meu país estranho,
Onde estão eles que não vêm pintar?»

Título: Só
Autor: António Nobre
Género: Poesia
Editora: Porto Editora

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