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Adoradora de literatura em geral.
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quinta-feira, 28 de março de 2013

Sinopse:
«Eu sou aquela rapariga. Eu sou o espaço entre as minhas coxas, a luz do sol a derramar-se entre elas. Eu sou a auxiliar de biblioteca que se esconde na "Fantasia". Eu sou a aberração de circo enclausurada em cera. Eu sou os ossos que eles querem, ligados num molde de porcelana.» 
Viajei na terra dos Corações Gelados devido às inúmeras leitoras que me escreveram a contar a sua luta com distúrbios alimentares, automutilação e sensação de andarem perdidas. A sua coragem e sinceridade puseram-me no caminho para encontrar Lia e ajudaram-me a compreender a sua devastação. Embora não seja uma história da vida real, Lia foi inspirada nessas leituras, e por isso lhes estou muito grata.

Faz sentido, para mim, começar esta opinião partilhando convosco aquele que foi o meu primeiro pensamento, ao fim de poucas páginas, a respeito desde livro. Foi algo como: esta autora escreveu de forma a rasgar-me a alma com palavras extraordinariamente belas. E assim foi, do princípio ao fim de Corações Gelados, durante todo o folhear, senti-me sempre tomada pela emoção, sempre compadecida por todas as Lias que existem por este mundo fora e, por isso, esta é daquelas opiniões. É das difíceis, das que nunca ficam suficientemente boas para transmitir, na totalidade, o quanto estimamos uma obra.

Para quem leu a sinopse antes deste meu comentário, este enredo não tem segredos. Temos uma jovem, Lia, que sofre distúrbios alimentares graves e, após várias tentativas de reabilitação, mantém o perfil constante da doença, com agravante de que perdeu a sua ex. melhor amiga.
O segredo desta história está, isso sim, na voz que alcança profundamente o leitor. Está na escrita, está no retrato cruelmente fidedigno traçado ao perfil psicológico de quem sofre a angústia de ser bulímico ou anoréctico e está, igualmente, no sentimento de anormalidade permanente, como se de uma segunda pele se tratasse, uma pele que queremos arrancar de nós mesmos, como se disso depende-se toda a nossa existência enquanto, perdidas, as Lias, vão destruindo as suas vidas.

Na mente delas, não há lugar para o romance e não há lugar para a família, por muito que esta tente chegar perto, porque este é um mal de tal maneira egocêntrico que só existe um espaço, quanto mais pequeno melhor, para dirigirem a sua obsessão. Ainda assim, as personagens secundárias deste texto cumprem, e de que maneira, o seu papel.
O pai, a madrasta e a meia-irmã de Lia mostram bem o quão fácil é ludibriar os que nos amam se nos esforçarmos. Constantemente preocupados e cumprindo todos os preceitos recomendados pelos médicos, é notável o seu esforço para acompanhar esta jovem-mulher mas isso pode não chegar, pode não chegar porque quando não quer ver o ser humano é completamente cego.
A mãe de Lia, médica, é outra história e Lia sabe, sabe tão bem que saiu da sua casa e preferiu apontar-lhe o dedo recusando, literalmente, a olhar-se a um espelho.
Já perceberam que a protagonista desta história está longe de ser perfeita, certo? É isso que a torna tão verdadeira e que a faz chegar tão perto de nós.

A Lia. A Lia é a personagem e o sumo de todo o livro. Violentamente intensa, imprudentemente atroz para consigo mesma e extremamente complexa, ela é capaz de nos dizer algo tão simples como: «Mas quem é que quer recuperar? Levei anos a ficar assim tão maneirinha. Eu não estava doente; estava forte.» - página 29.
Os seus pensamentos foram como o voo de um pássaro que me fez planar abertamente sobre a sua loucura. O seu desespero foi tão absolutamente angustiante que nem vos sei dizer o medo que senti por esta realidade e a sua compulsividade absorveu-me totalmente no seu desejo insano, um desejo que moveu todo o seu ser com um único objectivo incompreensível para pessoas sãs, como eu, a quem resta assistir, impávidas, a esta doença da alma que só termina quando leva o corpo, e leva-o tão bem que as faz, às Lias, sentirem-se cada vez mais fortes.

É verdade, existem sempre temas sobre os quais é sempre difícil falar – não importa a lírica utilizada, a grandiosidade das personagens ou mesmo o cenário e enredo que os sustenham – a anorexia, a bulimia e a proximidade de ambas com a morte são marcas a ferro quente na tenra carne do coração de qualquer um e neste livro, até as questões simples, os dilemas familiares, acaba por marcar, porque quando se vive esta condição, toda e qualquer uva faz diferença no que resta do seu cacho.

Claro que aqui a escrita de Laurie Halse Anderson faz toda a diferença. As suas palavras entranham-se no leitor, envolvem e encantam, no horror e na beleza, com a uma simplicidade que nada tem de banal, pelo contrário, tudo é encantatório, hipnótico, perfeitamente delineado para nos deixar presos ao tema que está a ser abordado.
As suas descrições são assustadoras, claro que sim, não poderiam ser de outra maneira, mas são assustadoras com uma excelência e mestria que não pode ser julgada, aliás, todo este cuidado só serve para nos abrir ainda mais os olhos para uma realidade que, convenhamos, é tão, mas tão triste.


Eu já conhecia a autora e já sabia, com certeza quase absoluta, que o que iria ler só poderia ser bom mas foi melhor que bom, foi um dos melhores entre os melhores. Que querem que vos diga, toda a gente deve ler este livro em algum momento, é obrigatório. Pais, filhos, netos e avós, do primeiro origami ao enrugar do papel, é importante que seja lido porque não há maneira de, em alguns destes momentos de existência, se saber o quando e por onde esta doença silenciosa espreita. É arrepiante.
Se acho que alguém pode estar preparado, não. Mas conhecer o lado psicológico, o medo e a ambição, os primeiros sinais deste mal, pode, no meu ver, fazer a diferença.

Da Mesma Autora
Esta é mais uma grande aposta da colecção Livros com Sentido da ASA, uma colecção que não pára de me surpreender e que eu não consigo deixar de recomendar, adoro-a e, em particular, a este título que é extraordinariamente intenso, este título que nos arrefece e, por ter sido escrito, nos aquece por dentro.



Grita - Opinião

Título: Corações Gelado
Autora: Laurie Halse Anderson
Género: Ficção
Editora: ASA – Livros com Sentido.

6 comentários :

p7 disse...

Uau, estou só a ver boas opiniões, e a ficar com água na boca. Não gostei foi muito do outro da autora (Grita), não me consegui ligar à personagem principal. :/ Como é que compararias este com o outro? Melhor/pior? Mais/menos emocional?

Elphaba J. disse...

Olá Catarina *.*
Acho este melhor que o outro e não é tão emocional...
No outro tu interiorizavas muito o sofrimento da protagonista, neste, pelo contrário, a protagonista acaba por nem sofrer de forma dramática, sofres mais tu enquanto leitor face à "loucura" dela em relação à doença. Psicologicamente este é mesmo muito forte, eu acho. E o tema é muito mais racional e está muito mais próximo do leitor.

Se quiseres empresto-te e tiras as teimas.
Beijinhos*

p7 disse...

Obrigada pela tua oferta :D, vou pensar nisso, porque realmente a autora deixou-me na dúvida com o outro. :/

Elphaba J. disse...

Pensa sim, por mim estás à vontade - a sério!
Eu gostei do outro - gosto muito da maneira dela escrever, mas este, só pelo tema, é mais interessante e é muito mais psicológico (eu adoro essas coisas).

Beijinhos*

ℒ ღ disse...

Segundo os comentários dá-me a parecer que me vai acontecer como esta escritora como me aconteceu com o livro "se eu ficar".
Adorei o "se eu ficar" porque me interiorizei com a personagem, no segundo livro do ponto de vista do namorado já não foi o mesmo.

O Grita para mim é um livro para a vida, fascinou-me e tocou-me como poucos o fazem, se calhar com "Corações Gelados" que ando tão ansiosa por ler para voltar a sentir as emoções da personagem e aquele tipo de escrita tão característico da autora já não será o mesmo... :(

Vou ter de desenfrear as expectativas e ler para descobrir por mim própria.

Elphaba J. disse...

É algo que terás mesmo de descobrir por ti mesma *L*, porque não existem dois leitores iguais na mesma medida em que não há duas pessoas iguais. Mas eu pessoalmente adorei :)

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