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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Sinopse:
Estamos em 1453 e todos os sinais apontam para que o fim do mundo esteja iminente. Acusado de heresia e expulso do seu mosteiro, Luca Vero, um atraente jovem de 17 anos, é recrutado por um misterioso estranho para registar o fim dos tempos por toda a Europa.
Obedecendo a ordens seladas, Luca é enviado a cartografar os medos da Cristandade e a viajar até à fronteira do bem e do mal. Isolde, de 17 anos, abadessa, está presa num convento para impedir que reclame a sua enorme herança. Quando as freiras ao seu cuidado enlouquecem com estranhas visões, sonambulismo e exibindo estigmas, Luca é enviado para investigar e todas as provas incriminam Isolde.
No pátio do convento constrói-se uma pira para a queimar por bruxaria. Forçados a enfrentar os maiores medos do mundo medieval – magia negra, lobisomens, loucura – Luca e Isolde embarcam numa busca pela verdade, pelo seu próprio destino e até pelo amor, enquanto percorrem os caminhos desconhecidos até à personagem histórica real que defende as fronteiras da Cristandade e detém os segredos da Ordem das Trevas.


Para quem segue o blogue com relativa regularidade e vai espreitando este e aquele comentário, já ficou claro o quanto eu gosto de livros e o quanto eu atento a pormenores porque estes fazem, na minha singela opinião, a verdadeira diferença. Claro que o enredo é fundamental, é o mais importante, mas as singularidades e o cuidado na elaboração de uma obra podem, definitivamente, tornar uma narrativa excepcional mediana e uma narrativa mediana num livro de grande valor. Em Predestinado estamos perante o segundo caso.
Esta é uma história de entretenimento perfeita para introduzir o público jovem adulto em romances históricos, que nem sempre são a primeira opção mas que quando bem elaborados são sem dúvida uma fonte satisfação plena para o leitor que aprende enquanto se diverte.

A série Ordem das Trevas apresenta-nos um enredo de ficção e aventura ainda na época medieval, onde conhecemos a jovem e nobre dama Isolde, que remeterá os leitores leigos, com eu, para um drama típico de um conto de fadas, e o inquisidor Luca que, tal e qual cavaleiro, esta destinado a desbravar os males que apoquentam a Cristandade.
Muito sucintamente, em relação à história propriamente dita, numa região perto de Roma, Lucretilo, Isolde é obrigada, após a morte do seu pai, a passar o resto do seu fado num convento a mando do seu irmão e, consecutivamente, seu dono. Nesta desgraça faz-se acompanhar pela sua dama de companhia, Ishraq, que não sendo cristã é encarada por terceiros como sua escrava. Enquanto isto, em Roma, o jovem Luca que estuda para padre acaba preso pela sua astucia e curiosidade mas, misteriosa e repentinamente, é destacado como inquisidor, tendo como missão desmitificar as anormalidades que ameaçam a igreja. Na sua demanda faz-se acompanhar por um trabalhador do seu convento, Freize, e por um escrivão encarregue de anotar todos os pormenores da viagem, Peter.
O destino acabará por juntar estes cinco jovens no início de uma jornada que levará, prazenteiramente, o leitor conhecer os temores e superstições destes tempos em que a fé era soberana.

Extraordinariamente rico em pormenores este é o característico livro sobre o qual eu poderia escrever sem cessar. Cada uma das suas personagens representa um estereótipo da época e, como se tal não fosse suficiente, existe ainda um primor excepcional em retratar todo o ambiente que os envolve.
Luca, a par com Peter, representa a fuga dos pobres, muitos deles órfãos, para uma vida mais cómoda através do clero que lhes permite ascender socialmente.
Isolde, embora contradita, permite-nos igualmente antever as possibilidades da vida eclesiástica para as mulheres, que nada detinham nesta época, através do seu relacionamento com as freiras com as quais se cruza no convento erguido pela sua família. É o caso da irmã ecónoma, ambiciosa, que faz carreira neste meio.
Freize é quase um escravo nestes tempos, espelha a miséria e as opções, quase nulas, daqueles que não dedicando a vida a Deus nasceram na miséria. Esta é ainda uma personagem com um forte sentido de humor e com um dom muito especial para com os animais, o que o torna fundamental para este texto.
Ishraq é a minha personagem favorita. Ela simboliza todos os estrageiros que arriscaram entrar e prevalecer no mundo dos cristãos, independente do que os levou a esse fim. Originária do Médio Oriente, muito inteligente e forte, é a melhor amiga de Isolde e regularmente encarada como sua escrava. É uma herege dentro e fora da sociedade.

Embora haja uma ligação ténue ao maravilhoso, esta obra é uma fantasia sem o ser, atendendo ao facto da incumbência de Luca ser desmitificar todas as ilusões que possam surgir das crenças do povo. Os credos entre plebeus iletrados eram uma arma de dois cumes para a própria igreja que os fomentava para aumentar a fé numa só salvação.
Fica claro através dos diversos intervenientes a forma como a sociedade da época era gerida, bem como o cenário envolvente, descrito eximiamente por uma autora que, embora aqui nos proporcione algo leve, permite antever os seus estudos nesta área.

Ao longo da história são abordados dois fenómenos – heresias, pecados – em particular, que nos fazem prever como será desenvolvida a restante série e que género de aventuras, mitos e situações de época poderemos esperar, assim como o quão interessante pode ser descobrir os pensamentos a respeito de bruxas e feiticeiros num século, século XV, em que as atitudes era tão drásticas e não havia justificações para a mais ínfima, estranha, ocorrência devido à ausência de conhecimentos científicos.

Sem ser brilhante esta é, isso sim, uma leitura bastante agradável e excelente a nível de pormenores, que eu recomendo a quem tem curiosidade por este género literário e, em particular, a leitores mais inexperientes.

Philippa Gregory tem uma escrita bonita, fluida e simplificada para chegar a qualquer tipo de público.
Gostei das suas personagens mas foram as suas descrições que me conquistaram e, consequentemente, o nível de entrosamento que me permitiram durante a narrativa. O que, convenhamos, não é nada fácil no que respeita à época medieval que tende a ser embelezada.
Não sei se é comum, porque é a primeira vez que leio esta autora, mas adorei a sua nota final que não só influenciou, como me facilitou bastante a escrita desta opinião. Desta feita, Philippa Gregory desenvolve, em poucas páginas, tudo o que aborda na história, enquadrando-nos com enredo e, como tal, creio que qualquer leitor fica totalmente esclarecido.

Quanto a mim gostei bastante da qualidade e empenho que se denota na elaboração do livro. Dá outro prazer ler uma história assim.
Gostei igualmente das imagens que a autora escolheu para ilustrar o livro, muito fiéis ao tempo em que se desenvolve a história. Era um tempo em que só havia obras manuscritas e em que as ilustrações eram verdadeiras obras de arte mas, no entanto, existiam já os primeiros carimbos – técnica denominada de xilografia, elaborada através de entalhes na madeira – sendo, inclusivamente, a imagem adoptada para ilustrar a nota final da autora baseada no bloco xilográfico que representa a primeira autora da História do Livro a viver da escrita, Christine de Pizan. (Philippa refere C. Pizan e a origem da imagem, o que eu achei fabuloso).

Isto não interessa nada para a opinião mas como eu sei estas pequenas coisas e gosto de partilhar o pouco que sei, Christine Pizan foi publicada pela primeira vez em Portugal em 1518, com título adoptado Espelho de Cristine, a mando de D. Leonor e pelo impressor Hermão de Campos. Foi fundamental para o feminismo da época e teve um peso social relevante.

Este livro é uma maravilhosa aposta da Civilização, uma vez mais no formato idêntico ao paperback e com um preço muito apetecível que, reafirmo, recomendo a quem se quer iniciar neste género com uma leitura de qualidade histórica que é ao mesmo tempo uma excelente fonte de entretenimento.

Título: Predestinado
Autora: Philippa Gregory
Género: Fantasia, Romance Histórico
Editora: Civilização 

4 comentários :

p7 disse...

Lol, consigo perceber porque adoraste. Pelo menos deste-me um empurrão grande na direcção do "vou dar uma hipótese ao segundo livro". ;)

Elphaba J. disse...

Boa :)
É como disse Catarina, o livro não é de facto extraordinário e o facto de aludir ao fantástico na sinopse porque se uma desilusão para quem procura uma fantasia, mas o resto tem o seu "quê" de muito engraçado.

Beijinhos*

Miguel Cunha disse...

Viva, como vai?
Deparei-me com o seu blog e é só para lhe dizer que vou começar hoje a ler este livro. Sou um admirador da autora e li quase todos os livros da época da dinastia Tudors.
Depois dar-lhe-ei a minha opinião acerca do livro.
Beijos e boas leituras!
Fernando Miguel

Elphaba J. disse...

Olá Miguel :)
Bem obrigado, e tu?
Quando a este livro, eu só li este título da Gregory e já percebi que não é o seu melhor trabalho - em particular para quem leu obras suas anteriormente. De qualquer forma, penso que livro no contexto "young adult" pode ser um leitura interessante e, neste sentido,, espero que goste.

Beijinho e Boas leituras *.*

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