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Adoradora de literatura em geral.
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Sinopse:
Toots, Sophie, Mavis e Ida conhecem-se desde a escola e não deixam que nada interfira na sua sólida amizade, nem abdicam de uma vida recheada de emoções fortes, apesar de já contarem 65 primaveras. Mas, desta vez, talvez as emoções estejam a ser um pouco fortes demais. Quando, após uma sessão espírita, Ida recebe uma mensagem que sugere que o marido foi assassinado, as quatro amigas decidem investigar. O resultado? Um plano ambicioso, peripécias inesperadas e um livro divertido que afirma que nada é impossível quando a amizade genuína se ergue contra todos os obstáculos.


Eu já conhecia Fern Michaels e fui uma das leitoras que gostou do seu anterior romance publicado pela Editorial Presença
Quando soube que iria ser publicado Nunca É Tarde Demais fiquei curiosa, senti vontade de rever a sua escrita e, quiçá, voltar a encontrar mais uma história de coragem, amor e muitas peripécias mas nada, de todo, me poderia ter preparado para a agradável surpresa contida nesta pequena grande ficção. Aqui, mais do que amor, encontramos espíritos de aventura sem idade, um humor singular e constante, bem como verdadeiras amizades, um bem precioso, sem prazo de validade.

Fugindo ao estereótipo usual do romance, este livro conta-nos as histórias de vida de quatro mulheres reformadas, monetariamente confortáveis graças à chefe do seu grupo e que, após a viuvez, não se negam novos começos e destinos de felicidade para os anos que lhes restam, são elas Toots, Sophie, Mavis e Ida.
Sem qualquer tipo de sentimentalismo, que poderia estar presente com a chegada da temerosa terceira idade, eu gostei imenso desta narrativa pela vida, “genica” e boa-disposição que advêm das suas protagonistas que não só satirizam a morte como brincam com ela.
Cada uma das personagens principais tem os traços da sua personalidade muito vincados pela passagem do tempo e todas elas são muito discrepantes entre si, o que resulta numa forte união pela diferença, diálogos extremamente divertidos e na enfatização do valor da amizade. Toots é a consciência e a bondade reencarnadas, Sophie é irreverente e tem uma língua viperina mas é muito corajosa, Mavis, por outro lado, é a mais contida do clã, sempre reservada, e Ida é uma verdadeira "dondoca" que não resiste a um homem bem-parecido. Tal como vem descrito na sinopse, uma sessão espírita levada a cabo pela sensorial e arrojada Sophie vai balançar as vidas destas quatro mulheres que encetaram uma demanda pela verdade, pela felicidade e pelo prazer que é estarem juntas e de boa saúde. É importante ter em conta a ironia da situação, uma vez que tudo começa através do contacto com um morto.

Ao longo do texto são vários os pontos de interesse, até porque abordamos em igual medida quatro casamentos e quatro perspectivas diferentes, desta feita é nos permitido analisar de diversos prismas as relações entre casais, quer de uma forma agradável, quer pelo lado negativo da violência doméstica ou traição.
Atendendo ao facto de duas das protagonistas terem muito dinheiro, o leitor poderá igualmente verificar os aspectos menos positivos que surgem desta condição social, seja através de personagens secundárias que podem ser interesseiras ou até de intrigas e problemáticas familiares, que acabam por conduzir a questão do assassinato abordada na premissa.

Apesar de tudo o que citei anteriormente é importante reafirmar que está é uma leitura muito leve e que todas as questões são abordadas com simplicidade e a ligeireza de quem já passou por muito na vida, de quem aceita as dificuldades reais que, embora tristes, são comuns. Assim sendo, o que verdadeiramente é enfatizado ao longo da narrativa é o prazer retirado dos pequenos gestos e momentos do dia-a-dia, como um café num alpendre em tempo ameno, ou a companhia dos que amamos, dos que nos fazem rir e chorar por tudo e por nada, permanecendo assim eternamente no nosso coração.
Merece igualmente destaque, a força de vontade que aplicamos quando desejamos alcançar os nossos sonhos, o risco e a compensação de querer ir mais além seja em que momento for da vida, porque nunca é tarde demais para atingir a estabilidade emocional e nos sentirmos realizados.

Em suma, esta não é uma obra-prima mas é daqueles livros que proporcionam entretenimento de qualidade através valores a ter em conta por todos nós e que, ao mesmo tempo, nos faz sorrir facilmente. Um livro com essência, se é que me entendem.

Fern Michaels tem uma escrita bonita e descomplicada que chega facilmente a qualquer tipo de público adulto.
Direccionadas para as emoções, as suas descrições passam essencialmente pelos sentimentos dos seus intervenientes, que são esmiuçados através dos obstáculos e das vivências, onde quem lê se reencontra.
É importante ainda frisar que este não só é um livro fácil pela sua escrita mas, principalmente, pela boa disposição com que se encara a adversidade.

Quanto a mim gostei de tudo no geral. 
Sem ficar fascinada, fiquei com vontade de continuar a ler esta autora e de conhecer mais trabalhos seus que, espero eu, continuem a ser publicados por cá. Lá fora Fern Michaels tem dezenas de livros editados e Nunca É Tarde Demais, no original Late Edition, pretence a The Godmothers Series. (Curiosidades.)

Esta é mais uma aposta assertiva Editorial Presença que me deu imenso prazer descobrir e que eu sugiro a todos os leitores de ficção que gostam de reflectir e reencontrar-se noutras histórias usufruindo do prazer de uma simples leitura.

Da Mesma Autora



Uma Mulher de Sonho (Opinião)


Autora: Fern Michaels
Género: Romance, Ficção

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