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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Sinopse:
E se o apocalipse não fosse como pensamos mas algo mais estranho, mais inexplicável, com o desaparecimento de milhões de pessoas em todo o mundo? Velhos, jovens, homens, mulheres, santos, pecadores, todo o tipo de pessoas… simplesmente desaparecidas, de um momento para o outro. Como poderão aqueles que ficaram reconstruir as suas vidas?
É esta a questão que os cidadãos de Mapleton têm de enfrentar, uma comunidade suburbana outrora tranquila que perdeu mais de uma centena de pessoas no dia que ficou conhecido como a Partida Súbita. Kevin Garvey, o presidente da câmara, tenta renovar a esperança e dar algum alento aos habitantes da cidade, mas a sua própria família está a desintegrar-se. A mulher, Laurie, deixou o marido e os filhos para se juntar a uma seita chamada Remanescentes Culpados, cujos membros fazem um voto de silêncio mas vagueiam pelas ruas deixando mensagens sobre o juízo divino. O filho, Tom, desistiu da universidade para se juntar a uma outra seita, liderada pelo «Santo Wayne», um suposto profeta que afirma ser capaz de curar a dor dos que perderam aqueles que amavam. Jill, a filha adolescente, é a única família que resta a Kevin, mas o peso da tragédia comunitária fez com que ela se afastasse cada vez mais.

Um livro desigual e com uma abordagem surpreendente sobre o começo depois do fim, é o que nos trás a recente aposta de Tom Perrotta em terras lusas. Perfeito para quem gosta de ler entrelinhas, esta obra proporciona abordagens variadas a questões tão proeminentes e actuais como a família, religião e emoções diversas através da análise de reacções de um grupo de indivíduos que assistiu ao Arrebatamento.

E de repente, entre a batida de um coração, foram tantos os que deixaram de viver como aqueles que passaram apenas a sobreviver. Não se sabe se foi o fim ou se foi o início de algo. Sabe-se que a mágoa e a ausência de respostas mudaram tudo e todos. Sabe-se que aconteceu a alguém, a um conhecido ou familiar de alguém e que, se se procurar, existirá mesmo um alguém para recordar. Foi apocalíptico e não poupo ninguém.

Kevin não perdeu nenhum familiar mas, como muitos outros, o presidente da câmara colhe os cacos dos muitos cidadãos de Mapleton e sofre com as consequências do desaparecimento de outros enquanto tenta, desesperadamente, manter nos que ficaram aquilo que todos parecem ter perdido, a esperança.
Laurie, a esposa de Kevin, não perdeu os seus mas sente que perdeu tudo, a sua melhor amiga é a imagem de alguém perdido e, face à impotência, também ela terá de procurar algo antes que se perca também.
Tom, o filho de Kevin, sente-se a enlouquecer com o desespero alheio. O começo da universidade não deveria ser assim e uma pausa nos estudos parece a solução acertada quando alguém aparece e apregoa ser capaz de lhe retirar a tristeza que lentamente se aconchega dentro de si.
Jill, a filha adolescente de Kevin, não percebe porque é que os que ficaram têm de se deixar levar na onda de desânimo, ela só quer uma juventude normal mas esse conceito, como muito outros, desapareceu com todas as almas levadas pelo dia fatídico.

Não vos vou mentir, dizer-vos que foi para mim uma tarefa titânica escrever parcas linhas sobre esta história é, literalmente, um eufemismo. Como leitora e curiosa sou, fui automaticamente cativada pela sinopse desta obra mas, desconhecendo totalmente o trabalho deste autor, nada me poderia ter preparado para a sua abordagem, para sua escrita, relativa a temas tão actuais como aqueles que apresenta.

Trabalhando particularmente o lado emocional das personagens, Tom Perrotta apresenta-nos uma temática que tanto tem dado que falar este ano 2012, um ano que muitas crenças acreditam ser o último. Tendo vista o este estranho acontecimento, o autor pressupõe a existência de um Arrebatamento que faz desaparecer milhões de vidas deixando-nos uma reflexão singular e pormenorizada de como todos aqueles que por cá ficaram reagem aos desaparecimentos e, fundamentalmente, aos efeitos sociais de um acontecimento com estas proporções.

A família está na primeira linha de reflexão quanto às ressonâncias de tal acontecimento e Kevin, o protagonista, tendo em conta que ninguém da sua família desapareceu, é o exemplo perfeito para obtermos uma visão externa deste evento catastrófico. A forma como reflecte e como tudo na sua vida se altera, mesmo sendo um privilegiado, é muito interessante e, dado que a sua família é bastante dinâmica, permite que o leitor tenha várias perspectivas dos sentimentos deixados por este desastre.

Outro dos factores que é fortemente esmiuçado é a religião e neste ponto o autor criou diversas ceitas interessantes que visão satirizar a necessidade que o ser humano tem de se agarrar a algo superior sempre que se encontra em situações extremas. Os Remanescentes Culpados, uma das ceitas imaginadas, são fascinantes pelo impacto que têm em todos os intervenientes com as suas características peculiares, no entanto, tal como em quase tudo, quanto melhor vamos conhecemos esta vertente religiosa, mais nos vamos surpreendendo pelo seu lado obscuro que certamente não deixará nenhum leitor indiferente.

Em suma, uma temática interessante sob o traço de um autor inteligente que soube efectuar uma abordagem pouco convencional, pouco comercial, mas, ainda assim, direccionada para o entretenimento na mesma medida em que nos faz repensar o lado psicológico de cada um.

Tom Perrotta tem uma escrita bonita assertiva para um público que gosta de narrativas descritivas dando, em particular, primazia à introspecção.

Eu pessoalmente considerei a leitura agradável embora não tenha criado afinidade com qualquer uma das personagens. Senti-me, no entanto, impulsionada para descobrir os rumos que foram sendo criados para os diversos intervenientes que no fim me deixaram a reflectir sobre as suas acções, tanto quanto o conseguiram durante os desenvolvimentos do texto.

Esta obra é uma aposta Contraponto que, como já vem sendo usual, investe fortemente em leituras diferentes que de uma forma ou de oura marcam os leitores. Uma leitura que sugiro aos leitores de ficção em geral e, em particular, aos que gostam de temáticas apocalípticas.

Título: O Mundo Depois do Fim
Autor: Tom Perrotta
Género: Ficção
Editora: Contraponto

2 comentários :

addle disse...

Parece que os livros distópicos nos andam a perseguir, mas este parece-me completamente diferente daquilo a que estamos habituados.

Elphaba J. disse...

Addle peço desculpa se induzi em erro mas este livro não é uma distopia. É sim uma ficção que explora uma catástrofe num ambiente actual e aprofunda a emoções humanas face a esse acontecimento. Mas não tem nada de distópico no meu parecer.

Boas leituras * Beijinhos*

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