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A Elphaba...

Adoradora de literatura em geral.
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domingo, 14 de outubro de 2012
Sinopse:
Não foi a arte do engano que desconcertou Michael Hepburn, mas sim a inocência. A sua recém-esposa era confiante, bonita e, para seu espanto, absolutamente fascinante.
Julianne Sutton sempre soubera que casaria com o marquês de Longhaven, como fora acordado anos antes pelas famílias. No entanto, assumira que o marido seria Harry, o afável herdeiro ducal, e não o enigmático irmão. Quando Harry morreu de forma inesperada e Michael lhe sucedeu como o novo marquês, não foram apenas os planos de casamento de Julianne que se alteraram.
Michael combatia um inimigo implacável num jogo de espionagem e engano, mas quando descobriu que a mulher tinha os seus próprios segredos, depressa descortinou que o amor se regia por um conjunto de regras completamente diferentes…

Só quando folhei-o as primeiras páginas de um romance de Emma Wildes é que me apercebo da verdadeira saudade que sentia da sua escrita.
Com um carácter envolvente, os enredos desta autora primam pelo misto de inocência e luxuria que caracterizam as suas personagens femininas, fortes e intensas nas suas emoções. No que respeita à paixão, sempre ardente, ela começa cadenciada, repleta de possibilidades, até que o leitor, a par com os intervenientes, se apercebe que está completamente enredado na outrora ausente palavra amor.

Para quem já leu alguns títulos anteriormente publicados, como Um Homem Imoral ou Um Erro Inconfessável, um dos maiores prazeres que irá encontrar nestas páginas é o reencontro de  protagonistas, explorados em obras precedentes, que continuam a ter pequenas intervenções recordando que a felicidade persiste para lá das últimas páginas. Mas se, por outro lado, esta leitura for uma estreia então maravilhar-se-á com homens marcados pelos amargos temperos da guerra e mulheres, ainda jovens, que quebrarão todas barreiras emocionais florescendo, magnificamente, para os mistérios do corpo e do coração.

Neste livro em particular, um dos principais pontos de interesse que exploramos logo de início é o facto de os protagonistas, Julianne e Michael, só se conheceram realmente a partir do casamento, algo inovador mas bastante atractivo neste texto.
Julianne estava prometida ao Marquês Longhaven, um homem aprazível, de trato fácil, que ela conhecia desde menina mas que, infelizmente, morreu em vésperas do casamento deixando, inadvertidamente, a sua noiva destinada ao seu irmão mais novo, Michael, irmão esse que Julianne recorda como uma criança pouco afável na infância. Marcado pelas batalhas que ainda o perseguem, distante e sob a mira de um inimigo, o nosso protagonista está longe de ser o marido de sonho para uma resignada debutante que cumpre à risca as regras do ton. No entanto, é certo, que todos os casamentos são uma história de conhecimento e aprendizagens mútuas e nada, absolutamente nada, poderia preparar este casal para a chama, rara, que incendiará os seus encontros de poucas palavras, onde os gestos serão descodificadores perfeitos para a transparência entre duas pessoas demasiado observadoras, demasiado astuciosas ao ponto de poderem colocar a vida de ambos muito perto da linha da morte.

Exímia no que respeita a retractar emoção, Emma Wildes transforma as linhas desta história num verdadeiro bálsamo para todas as leitoras que se perdem no erotismo de um olhar intenso ou na dança que os corpos nasceram ensinados a valsar, não deixando um único pormenor ao acaso na magia que só o amor consegue concretizar. Devido à sua versatilidade, acompanhada de método e coerência, traços que tão bem definem esta autora, também o crime é um factor presente na sua narrativa, a par com mistérios interessantes e intrigas em elevados círculos sociais onde sobressai um conservadorismo ousado, contraditório, que prendem que lê até ao desenlace.

Como já frisei em opiniões anteriores, os pormenores de época são deliciosos. A tradição, o rigor, a cultura e as próprias movimentações nos cenários encontram-se primorosamente concebidas pelo que, facilmente, atentamos ao vestuário, aos gestos e às atitudes das variadas personagens, algo que marca definitivamente a qualidade desta obra. Sentimo-nos realmente integrados no universo ficcional.

Quanto à escrita da autora é cuidada e descontraída, como convém a qualquer leitura lúdica, promovendo o entretenimento.
As suas descrições são breves mas suficientemente detalhadas para dar a ver o ambiente em que estamos inseridos, não faltando, em momento algum, singularidades agradáveis a par com momentos de tensão onde o perigo vai espreitando entre as cenas eroticamente floreadas. Nada é banalizado.

Quer seja pelo seu esmero, o enredo ou pelas bonitas personagens, esta é definitivamente uma autora que eu faço questão de acompanhar e uma referência no que se refere a romances históricos sensuais.
Quando a este livro em particular, Michael e Julianne fazem um casal apelativo quer pelas suas inseguranças, quer pela sua astúcia e inteligência, e, embora estejam repletos de pequenas lacunas, muito humanas, muito palpáveis, conseguem deslumbrar e atrair ao longo de toda leitura.

Esta é, portanto, uma excelente aposta da Planeta Manuscrito que publica em diversificados géneros literários com uma qualidade já vinculada. Uma leitura que eu sugiro, sem qualquer tipo de restrição, a todos aqueles que gostam de romances de época com laivos de mistério e sensualidade.

Da Mesma Autora


Um Homem Imoral (Opinião)

Um Erro Inconfessável (Opinião)



Título: Pecados Escondidos
Autora: Emma Wildes
Género: Romance Histórico e Sensual


5 comentários :

Jojo disse...

A Emma é das minhas favoritas também! É das poucas escritora de época que ainda tem originalidade.

Elphaba J. disse...

É verdade Jojo. Se ainda não leste este, é uma boa aposta. Eu não li todos, mas dentro do que li dela este é o meu favorito.

Boas leituras. Beijinhos

Jojo disse...

Não ainda li este mas, já está na listinha:)
Beijinhos*

Nameless disse...

Quando vi a capa deste livro, de soslaio, na papelaria, passei-lhe ao lado, porque, por alguma razão, fez-me lembrar um dos livros da Nora Roberts. Mas, vendo-o agora, vi que cometi um "pequeno" erro. :P
Conheço bem a escrita de Emma Wildes, porém, ainda não tive a oportunidade de comprar este livro, contudo escontra-se na minha lista de espera.

Boa semana!

Elphaba J. disse...

Olá Nameless foi, de facto, um "pequeno" grande erro porque este livro é uma delícia. Eu adorei. Sem dúvida que numa próxima oportunidade, se gostas do género, é o que eu te recomendo. :)

Boas leituras e boa semana :)

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