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A Elphaba...

Adoradora de literatura em geral.
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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Sinopse:
A princesa Margrethe está escondida num convento porque o seu reino está em guerra e um dia, no jardim que dá para o mar gelado, testemunha um milagre: uma sereia emerge das ondas com um homem nos braços, moribundo. Quando chega à praia, a princesa descobre que a sereia desapareceu no mar e enquanto trata do belo estranho, descobre que é um príncipe e também o filho do grande rival do pai. Certa de que a sereia lhe entregou aquele homem por uma razão, Margrethe engendra um plano para acabar com a guerra no seu reino.
Entretanto, a princesa Lenia anseia voltar para o homem que transportou para terra e não se importa de trocar o seu mundo, a sua voz e até a sua saúde por umas pernas e a possibilidade de lhe conquistar o coração…
Uma versão surpreendente da história clássica, A Sereia é a história de duas mulheres que têm tudo a perder, fazendo-nos pensar duas vezes na história de fadas que ouvimos em crianças, uma história que nos mantém em suspenso até à última página.

Acho fantástica a capacidade que algumas histórias têm de saltar do nosso imaginário pueril e nos atingirem na maturidade com a mesma intensidade de outrora, de um outrora em que desconhecíamos os desígnios da paixão, de um outrora em que ser-se sereia era um sonho quase tangível de alcançar.

É entre o vento frio das terras altas norte e o murmurar selvagem das ondas do mar que conhecemos as três personagens principais desta história que reavivarão as memórias da nossa infância, não com uma mas, desta vez, com duas princesas corajosas que farão tudo por aquilo em que acreditam.
Margrethe e Lenia são duas princesas oprimidas, pelas escolhas dos seus reis, pais, que as inibem de encontrar o que realmente anseiam. Enquanto Margrethe vive enclausurada num convento devido às guerras travadas pelo homem em nome da honra, Lenia encontra-se presa no mar, sem poder vir à superfície, longe dos caminhantes que a fascinam com os mil tesouros que deixam perdidos no oceano, até ao dia do seu 18.º aniversário, dia em que vem a terra e, por coincidência  salva um homem muda para sempre aquele que era, como certo, o seu destino, Christopher. Entre o salvamento de uma vida e o despertar de desejos singulares, proibidos, este jovem valente sem armadura irá tornar-se a esperança e o amor de uma mulher e de uma sereia que através de uma estranha amizade mudarão o rumo dos seus reinos na terra e no mar.

Com um valor genuíno que irá atrair muitos leitores esta narrativa encontrou o equilíbrio perfeito, entre a inocente felicidade da adaptação Disney e o verdadeiro, trágico, clássico de Hans Christian Andersen, através do seu triângulo amoroso, desigual e familiar, que prima pela intensidade das emoções vividas e as peculiares alusões ao reino do maravilhoso que apelam ao deslumbramento na mesma medida em que desperta antigas fantasias que prevalecem na memória de todos nós. E, embora exista uma boa dose de ambas as histórias neste livro, a verdade é que é imenso o que se encontra exposto para lá da belíssima capa que acompanha esta publicação Planeta Manuscrito.
Dos cenários épicos, onde os reis são suseranos, à profundeza dos oceanos, que explodem em melodias e cores, o amor continua a ser a principal força impulsionadora daqueles que dão vida a estas páginas mas são os seus pormenores, constantes, que conferem uma nova luz aos contornos fantasiosos onde se encontram as encantatórias sereias. As diferenças entre a vida em ambos os reinos, a par com o contraste entre o brilho e as trevas que neles existe, é outro dos pontos fortes desta história que se expõe numa vertente mais ousada, surreal e adulta onde vingam as vozes das suas protagonistas arrojadas que combatem o perigo em nome do amor.


Sim, esta é uma obra para os amantes de antigas histórias de encantar e para os corações mais românticos, mas também para um público diversificado de fantasia que dá primazia ao lado negro da luz que aventura a morte, a espuma, em nome de algo maior.

Carolyn Turgeon tem uma escrita cuidada e primorosa que visa ao longo de toda a história aclamar pela sua própria voz uma fábula inesquecível.
O ambiente que a autora criou é particularmente fascinante pelos contrastes que vai revelando através das singularidades que conferiu ao texto sendo muito interessante a atracção que consegue alcançar na medida em que tão depressa nos descreve a beleza de um cadáver como a de um ser que deixa como sua marca um brilho admirável.
As descrições simples para as suas personagens, de emoções complexas, são outro ponto de interesse se vai intensificando com o folhear até ao desenlace impressionante que rompe convenções acabando, desta forma, por surpreender.
Fica, claro está, os parabéns a Carolyn pela subtileza e inteligência com que rescreveu algo que se encontra tatuado na mente na mente dos leitores que, embora seja emotivo, se lê descontraidamente e de forma veloz.

Pessoalmente este foi um livro que me agradou no geral mas que não me surpreendeu tanto quanto as minhas expectativas. Confesso-vos, no entanto, que não me recordava bem do clássico de Hans Christian Andersen nem da Pequena Sereia e, após rever ambos, acabei por alcançar uma agradável satisfação.
Gostei, particularmente, dos contrastes e emoções contraditórias que as personagens foram revelando ao longo da leitura, assim como de toda a vertente fantásticas das sereias que tão depressa podem ser encaradas pela sua beleza como pelo seu exacerbado encantamento que, rezam algumas lendas, tantas vidas de homens roubaram no mar.
No final fiquei com uma imensa saudades de relembrar as narrativas que outrora me faziam adormecer a sonhar e com uma nostalgia que caminhará sempre a passo com a infância que nunca mais voltará.

Este livro é mais uma excelente aposta Planeta Manuscrito que tem vindo a publicar cada vez mais e melhor dentro da fantasia para um público juvenil mas, também, como exemplifica esta obra, para leitores adultos que continuam a deixar-se levar pela magia de outros mundos.

Título: A Sereia
Autora: Carolyn Turgeon
Género: Fantasia, Romance

2 comentários :

addle disse...

Eu nunca gostei muito de ler readapatações de clássicos, mas como uma opinião tão favorável como esta quem é que não fica intrigado?

Elphaba J. disse...

Olá Addle,

Espero que gostes. Relembro apenas que, na minha opinião, esta adaptação tem mais do clássico de Hans Christian Andersen do que da conhecida "Pequena Sereia" da Disney.

Boas leituras. Beijinhos.

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