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Adoradora de literatura em geral.
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segunda-feira, 4 de junho de 2012
Sinopse:
Na Chicago distópica de Beatrice Prior, a sociedade está dividida em cinco fações, cada uma delas destinada a cultivar uma virtude específica: Cândidos (a sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Intrépidos (a coragem), Cordiais (a amizade) e Eruditos (a inteligência). Numa cerimónia anual, todos os jovens de 16 anos devem decidir a fação a que irão pertencer para o resto das suas vidas. Para Beatrice, a escolha é entre ficar com a sua família e ser quem realmente é. A sua decisão irá surpreender todos, inclusive a própria jovem.
Durante o competitivo processo de iniciação que se segue, Beatrice decide mudar o nome para Tris e procura descobrir quem são os seus verdadeiros amigos, ao mesmo tempo que se apaixona por um rapaz misterioso, que umas vezes a fascina e outras a enfurece. No entanto, Tris também tem um segredo e que nunca contou a ninguém porque poderia colocar a sua vida em perigo. Quando descobre um conflito que ameaça devastar a aparentemente perfeita sociedade em que vive, percebe que o seu segredo pode ser a chave para salvar aqueles que ama ou acabar por destruí-la.

No dia fatídico... O pressentimento implantou a dúvida. A dúvida implantou o medo. O medo obrigou a uma escolha. Uma escolha mudou, para sempre, completamente, a sua vida.
O dia em que Beatrice teve de escolher o seu futuro foi o dia em que arriscou, pela primeira vez, o seu último sopro. Foi nesse mesmo dia que despertou, revelou, o princípio da coragem que desconhecia dentro de si, e que passaria a fazer parte constante de todos os seus dias.

Divergente caracteriza-se como sendo absolutamente arrebatador devido sua narrativa intensa, uma narrativa onde a barreira entre o bem e o mal é quase inexistente, onde as personagens nos conquistam pelos seus extremos repletos de emoção e onde a vida, a sociedade, se encontra distorcida aos limites do inimaginável.
Veronica Roth tem uma escrita simples que, através de um discurso directo, nos permite saber na primeira pessoa as emoções, transparentes, da sua protagonista. O ritmo de leitura é avassalador e o seu enredo flui sem momentos mortos de acção mantendo um suspense, constante, que nos domina até à constatação, reflexão, do último parágrafo.

Eu leio muita ficção, mesmo muita, e livro após livro ainda me sinto fascinada com a capacidade que novos mundos e realidades têm de entrar em mim, de espalhar a sua magia no meu universo lucido e fazer-me explorar locais muito além do meu espaço, pela capacidade de me envolver para além das palavras… Divergente encaminhou-me para uma cidade de medo, para uma cidade dividida por um ideal de perfeição, fez-me chegar a mentes pequenas de grandes vidas repletas de vontades, repletas da necessidade de serem fiéis a si mesmas e, até, pequenas grandes vidas que nunca chegaram a ser.

Existe na morte algo de tão assombroso como fascinante. Existe na morte uma finitude que por vezes se torna simples pela sua previsibilidade. Existe na capacidade de Veronica Roth expor a morte algo que me maravilhou por completo.

As suas personagens são marcantes, tal como todo o meio que nos envolve, dos protagonistas aos intervenientes secundários cada um marca, pontua, a leitura de forma diferente e mesmo aqueles que nos retêm apenas por algumas linhas, acabam por desenvolver cenas tão essenciais que é impossível ficar-lhes indiferentesNo entanto, aqueles que se distinguem, como principais, prevalecem após terminada a leitura, falo-vos claro de Tris e Quatro. Estas duas personagens formam um par singular, com uma ligação instintiva, quase rebelde, quase misteriosa, quase apaixonante, que mantém a veia romântica da leitura repleta de suspense.
Entre mim e Quatro houve uma espécie de amor à primeira vista. Amei-o e repudie-o, compadeci-me e agradeci-lhe por tudo aquilo que fez por esta história e por Tris. Adorei o seu lado frio, rude, que em determinados momentos transborda uma ternura temerosa, que nos faz ansiar por mais de si e, não tenho dúvidas, que é dos melhores protagonistas que já li.
Tris é diferente e é essa mesma diferença, desigualdade, num mundo tão mecânico, previsível, que a torna tão fascinante. As suas intuições, os seus receios e a sua coragem distinguem-na de qualquer uma das fações que dominam a sociedade e, embora se venha a tornar uma intrépida, contrariando possíveis destinos, ela provará ser muito mais do que qualquer um que a tente refrear.

O cenário do enredo é quase brutalizado em alguns momentos, passando facilmente de absolutamente inóspito a uma beleza incompleta que deixa prevalecer a indiferença, a superficialidade forçada que nunca permitirá a permanência de felicidade, que nunca permitirá a sensação de se estar completamente vivo ainda que, atenção, a autora eleve a palavra adrenalina a um novo patamar.

Algo que eu prezo muito, num livro, são as sensações que a sua leitura me consegue transmitir e Divergente, como poucos, tocou em algo íntimo dentro de mim.
A sensação de medo e a desvalorização da morte, chocou-me. A ausência de consciência pelo próximo. O terror das experiências. A crueldade face à dor. A tensão limite, sempre presente. O risco, o constante risco na luta pela sobrevivência… num todo, são um conjunto imenso de factores que reflectem muito mais do que palavras, e que me fizeram reflectir sobre a humanidade ficcional e real.

Pessoalmente, considerei que o livro foi muito além do que eu ousei imaginar e algum dia ousaria conceber. Notei a ausência de pessoas com qualquer tipo de deficiência, fui a única? Ainda assim, enquanto leitora, fui surpreendida de tantas formas e tão intensamente que a vontade de continuar a ler é sufocante. Espero mesmo que o segundo título seja publicado em Portugal em breve. Para já fica a lembrança deste mundo quase perfeito, tão pequeno em valores mas imenso nas suas personagens avassaladoras que me arrebataram por completo. Afirmo que foi uma das melhores leituras que tive o prazer de disfrutar até hoje e, embora seja ficção, embora seja uma distopia, distorcida, com a pureza mais heterogenia que se possa apreciar, o seu efeito em mim foi extremamente tangível.
 
Por tudo o que foi dito, Veronica Roth é magistral na sua criatividade e concebeu um enredo futurista que ultrapassara todas as expectativas. Do ambiente estéril à infinidade de possibilidades dos seus intervenientes, tudo se concilia para formar algo maravilhoso. Descritiva na medida certa, com diálogos assertivos e dando a ver o que é essencial, são pormenores cruciais que fazem desta autora um marco na ficção científica para jovens adultos, e, creio eu, ficará na vossa memória com a mesma intensidade que ficou na minha.

Esta é uma publicação Porto Editora que sugiro a qualquer leitor pela experiencia que proporciona e em particular aos adeptos de novas realidades. Adorei.

Espreite o site do livro: Aqui!

Título: Divergente
Autora: Veronica Roth
Género: Ficção Cientifica, Romance.
Editora: Porto Editora

4 comentários :

Helena disse...

Amei sua resenha, adorei o geito como você escreve :D Queria eu poder escrever assim. Mas enfim, ainda acho que a autora copiou um pouco Jogos Vorazes (Jogos da Fome ai em Portugal), mas tanta gente fala bem dessa série que fiquei curiosa xD

travelingamongworlds.blogspot.com

Elphaba J. disse...

Olá Helena,
Antes de mais, obrigado :)
Em relação aos Jogos de Fome, são histórias bastante diferentes e, pessoalmente, gostei mais destas personagens.

Boas leituras*

Anónimo disse...

olá.. estou pela primeira vez neste blog porque li à pouco o livro Divergente e adorei, e estava a tentar arranjar livros do mesmo gênero? podes aconselhar alguns? Obrigada e parabéns pelo texto :P

Ana

Elphaba J. disse...

Olá Ana. Em primeiro lugar, bem-vinda. Espero que gostes do espaço e que encontres aqui respostas para algumas dúvidas em relação às tuas leituras.
Bem, cada livro é um livro e “Divergente” é muito bom. É raro encontrar livros que nos absorvam desta forma. Mas relativamente a distopias posso apenas aconselhar-te pelo que li, que é pouco.
Portanto aqui fica a minha pequena lista de recomendações:
(Trilogia) Os Jogos de Fome – Editorial Presença
(Série) Unglies – Vogais
(Série) Maze Runner – Editorial Presenta (ainda só foi publicado o primeiro volume)
O Pacto/A Resistência – Editorial Presença

Sinceramente, dentro do mesmo género é o que me recordo. Mas se quiseres envia-me um email para o contacto aqui do blogue e conforme me for lembrando de mais alguns títulos, ou até outro géneros que te poderão agradar eu indico-te. Que te parece?

Boas leituras*

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