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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Sinopse:
"Desperdicei as últimas semanas de agosto a ver desenhos animados da treta. Não fui ao centro comercial, ao lago, à piscina, nem atendi chamadas. Entrei na escola secundária com o cabelo errado, a roupa errada, o feitio errado. E não tenho ninguém sentado a meu lado."
Melinda Sordino é a pessoa mais odiada do Liceu de Merryweather. No final do verão chamou a polícia, acabando com uma festa e colocando em sarilhos alguns dos finalistas mais populares da escola. Mas Melinda tem um segredo que guarda bem fundo, dentro de si, e que não pode contar a ninguém. Mas Melinda está a ser corroída pelo que aconteceu, e o mundo de reclusão que construiu para si ameaça ruir a qualquer momento.

Nem sempre sabemos ao certo o momento exacto em que algo se quebra dentro de nós, o momento em que o mundo, como o conhecíamos, se torna um emaranhado labiríntico de estranheza e emoções rafeiras que lutam com a nossa memória contra o medo da fatídica recordação.

Grita é um livro que dá voz a muitas jovens através de uma adolescente magoada e perdida num quotidiano onde já não se consegue sentir inserida. Transportando-nos para um ambiente banal escolar, somos conduzidos por um espirito, um corpo, alienado do seu meio, alienado do que nos rege socialmente na selva que nos domina pós-puberdade.
Laurie Halse Anderson expõe o seu conhecimento de causa com palavras desprovidas de sentimentalismos, conferindo à sua escrita uma estreita proximidade com a crua realidade que não pode, nem deve, ficar silenciosa.

É incrível a facilidade com que as palavras tendem a desaparecer quando decidimos expressar-nos sobre algo que realmente aconteceu, sobre algo tão mau que não devia coexistir com qualquer tipo de existência e que, até mesmo na ficção, deveria ser banido.

Esta narrativa é tremendamente simples, a única complicação esconde-se na mente de Melinda que, quanto mais compreendemos, menos queremos crer no que realmente sucedeu.
Não vos contar o facto central da trama e deixo isso já como ponto assente, têm de ler, têm de encontrar a vossa própria indignação e revolta e depois expressem-se, através de uma opinião na Internet, numa conversa com amigos ou com um desabafo entre aqueles que vos são mais queridos, só não permitam que estas situações continuem caladas, não permitam que a vergonha continue a ser um porto de abrigo para quem não deve, de forma alguma, ficar impune.

Sucintamente, nas últimas férias de Verão a nossa protagonista fez algo que levou ao afastamento de todos os que conhecia, ao afastamento da sua vida e, pior de tudo, ao afastamento dela própria que já não se reconhece. De regresso a um novo ano lectivo, ela vive entre o medo do que a pode rodear, a dificuldade de se expressar e a insegurança proporcionada por uns pais que não olham duas vezes para a filha tomando o partido mais fácil de a acusar de ser rebelde e intransigente.
É complicado…
Foi, é e será sempre complicado conseguirmos transpor para palavras um acto que nos embaraça e que transcende a noção que, aos catorze anos, se tem de realidade – amigas, festas, aulas, etc. – no entanto, é mais complicado ainda quando as pessoas não se esforçam por perceber o que se passa quando agirmos de forma estranha, esse é o verdadeiro problema de muitas Melindas

«Encho a boca de tecidos e grito até não haver mais som algum debaixo da pele.» - Página 144

Gostei de tudo neste livro. Foi uma completa e total surpresa para mim que desconhecia a história e que, sei agora, já existe em filme protagonizada pela actriz principal da saga Twilight. Enquanto surpresa defino-a como assombrosa, o desenvolvimento deste enredo breve contém tanto em cada página que dei por mim a suster a respiração e a engolir em seco na esperança de se tornar mais fácil acreditar. Sei que acontece, se calhar na minha rua, ou talvez apenas no meu bairro, ou ainda, com um pouco de sorte, um ou outro caso na minha cidade mas… é tão mais fácil, tão menos revoltante não pensar nisso.

Vou tentar focar-me em factos, agora. Li o livro há apenas algumas horas e ainda não estou coerente, perdoem-me. O enredo desenvolve-se numa escola e tem um ritmo cadenciado pela tomada de consciência de Melinda sobre a possibilidade de o seu trauma poder afectar outras colegas a quem outrora chamou de amigas. A personagem em si passa por diversas fases até conseguir libertar a sua voz, que inclusive chega mesmo a perder, resumindo-se a um perturbador silêncio pela sua repentina inaptidão expressiva.

Penso que a mensagem proeminente fica clara no entanto, até que nos seja permitida a absorção total, a dinâmica total que esfera psicológica de Melinda pretende extravasar, existem alguns momentos fulcrais que me são permitidos citar. Uma paixão ou apenas mera distracção, no caso de Melinda é pela arte,  pode ser o suficiente para que a mente saia do bloqueio em que ficou retida. Uma voz amiga, não precisa de ser íntima, só precisa de dar o primeiro passo e o caminho para o renascimento pode começar a formar-se exigindo um esforço menos titânico. E por último, um olhar mais profundo, um desabafo sincero consigo própria, que permita estudar o seu medo e encontrar o meio para o superar.  

Pessoalmente, uma vez que já ficou evidente a minha adoração por este livro aproveito este parágrafo para vos pedir desculpa por esta opinião ter uma conotação muito pessoal, por vos fornecer tão pouco sobre a história em si, mas temo que uma palavra seja suficiente para estragar todo o factor surpresa que tocará o vosso íntimo.

«Não há nada mais calado do que a neve. O céu grita para a largar, uma centena de bruxas a voar na ponta de um nevão. Porém, assim que a neve cobre o chão, cala-se tão calada como o meu coração.» - Página 117

No que respeita à escrita Laurie Halse Anderson é bela sem a necessidade de florear factos que serão sempre horríveis. A autora proporciona um confronto quase brutal com uma realidade traumática que, se retém algum género de encanto, passa pela coragem e pelo tipo de abordagem ao tema com palavras bem estruturadas e um ritmo sôfrego nos leva a desejar o desenlace da história como se a nossa vida disso dependesse. É uma leitura muito gratificante.


Este livro pertence a um núcleo de livros que ASA está a publicar do qual fazem parte títulos como Á Procura de Alaska (opinião aqui). São histórias que embora ficcionais dão vida a factos verosímeis e credíveis que mexem com o leitor de uma forma profunda e que se entranham na nossa mente muito depois de concluída a última página. Por tudo isto este é um livro que recomendo a todos os leitores sem excepção com a garantia de que não lhe conseguirão ficar indiferentes. Adorei.

Título: Grita
Autora: Laurie Halse Anderson
Género: Ficção
Editora: ASA

11 comentários :

Sandra disse...

Elphaba adorei a opinião...quero tanto este livro!!!!

Elphaba J. disse...

Obrigado :)
Não te vais arrepender desta aquisição Sandra. É espectacular. :)

Anónimo disse...

olá, vi o filme... e achei-o um pouco parado! mas vê-se bem! Provavelmente o livro é melhor :D

Daniela

Elphaba J. disse...

Olá Daniela,

Eu não vi o filme mas dou-te a garantia de que o livro está entre os melhores que li este ano :)

Boas leituras!

Anónimo disse...

Olá, pois... é totalmente diferente ler a história e depois ver a mesma história no cinema!

Daniela

Mil Estrelas disse...

Já li e adorei, não tenho palavras para expressar o que senti ao longo do livro.

Elphaba J. disse...

Sandrita :)

É mais um daqueles livros que nos rouba as palavras através das mesmas. Fico feliz que tenhas gostado.

Beijinhos*

Anónimo disse...

Parabéns pela resenha!!! Tenho procurado comentários sobre o livro e seus comentários foram os melhores!!! Obrigada!!

Elphaba J. disse...

Muito obrigado anónimo :)

ℒ ღ disse...

Um dos melhores livros que já li na vida... <3

Elphaba J. disse...

Verdade *L*, é daqueles que nos marca profundamente. **

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