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terça-feira, 1 de maio de 2012

Sinopse:
Alguma vez se perguntou o que há por detrás de uma lágrima?
Ennio é um jovem tímido que tem um interesse muito especial: é fascinado por lágrimas, misteriosas gotas de água salgada que contêm sonhos, lembranças, medos… Quando vê uma, fotografa-a e inventa uma história. Contudo, o próprio Ennio não chora… nunca. Aprendeu a enterrar a dor, a ocultar os seus sentimentos e, com eles, o seu segredo mais inconfessável.
Fugindo do passado, Ennio parte para Nova Iorque. Certo dia, encontra o diário de uma rapariga japonesa: Kazuko. Deslumbrado pela perspicácia e pelos fabulosos desenhos que encontra naquelas páginas, Ennio parte numa busca incessante para devolver o livro à dona. Durante este périplo, a sua história entrecruza-se com a de outras personagens tão excêntricas quanto cativantes: Gianny, que tem uma fisga no nome; Arwin, que filma tudo o que o rodeia com uma câmara escondida no cabelo; Josh, que perdeu a mulher no atentado às Torres Gémeas e agora coleciona pó; e, ainda, uma gaivota ferida, resgatada da neve de abril – que, dizem, dá sorte…

Não são raras as vezes que a vida tende a marcar um homem deixando de passagem um rasto salgado e, mais profundamente, uma cicatriz que nenhuma lágrima conseguiria, por si só, conter. São muitas, tantas, as voltas pelas quais essa vida nos conduz em busca de respostas face aos nossos medos e perguntas que, outras tantas vezes, nem sabemos que existem. É um enigma intrincado, o estigma, para quem retém, unicamente, o momento.

As Coisas Que te Caem dos Olhos é um livro fabulado sobre a complexidade humana e a sua capacidade de lidar com o trauma, sobre a influência desses momentos breves e marcantes em tudo o que nos rodeia e no futuro, dos actos mais simples, quotidianos, à exposição emocional.
Gabriele Picco pinta, com as suas letras, uma espécie de arte urbana onde correlaciona factos reais e emocionais em mentes conflituosas. Através da sua escrita fluida, e por vezes até encantatória, somos embalados num universo de ficção que expõe perturbações subtis que permanecem e permanecerão na actual geração.

Não sabia muito bem o que esperar de uma capa tão chamativa e de um título tão peculiar mas, penso que nada me poderia ter preparado para um encontro tão cru e ao mesmo tempo tão maravilhoso que confronta o passado mundial recente.

Algo evidente logo a partir das primeiras páginas é a forte mensagem, arrisco-me a dizer critica, politica que o autor pretende passar através das suas personagens explorando uma grande quantidade de temas que, embora diferentes, acabam por se consolidar na emoção que nos abrange a todos, concluindo na própria emotividade do leitor.

Ennio o nosso protagonista, emigrante, começa por nos abrir as portas para a dificuldade de inserção num novo país, assim como a capacidade lidar com um problema do passado e, este facto, é comum a outras personagens.
Kazuko, a autora de um diário ilustrado descoberto por Ennio, é o interveniente escolhido pelo autor para abrilhantar a sua obra. É muito confuso compreende-la, apesar de ser aquela que transmite maior transparência emocional, evidenciando conflitos com a realidade em que está inserida. Não sei até que ponto posso considerar estas duas personagens como principais mas um facto é relevante e faz toda a diferença grande parte da história, Ennio tem uma coisa que Kazuko deseja e Kazuko é a fonte para a procura de Ennio. 

Embora por vezes, de início, pareça faltar alguma coesão e proximidade no enredo, divido à diversidade de intervenientes, no final fica a sensação que tudo se completa e que o desenvolvimento nunca se poderia ter dado de maneira diferente. O enriquecimento por parte de todas personagens é pleno e é impossível não citar grande parte delasGianny, o explorador do “sonho americano” na sua vertente realizada, espelha-nos o stresse a que estamos submetidos no dia-a-dia para cultivar o nosso sucesso, assim como um lado menos moral entre relações. Arwin, o rapaz que filma a vida, luta por direitos esquecidos e vive um drama tão recorrente como dramático. E Josh, como a própria sinopse indica, leva-nos até um outro lado do traumático 11 de Setembro que ainda hoje está presente e, que temo, estará presente numa próxima geração.

Existe, efectivamente, aquilo que eu defini como incoerência assertiva até ao final do livro que vai chegando, de mansinho, ao leitor e tocando, aqui e ali, o seu lado mais susceptível. Tudo isto é realizado de uma forma bela, não só pelas palavras, mas também pela magia das imagens tão reais quanto fantásticas que vamos encontrando com o folhear do diário de Kazuko. São imagens que, tenho a certeza, qualquer um de nós gostaria de ofertar ao mundo e que de alguma forma, na sua mente, já as pintou um dia sem o talento e a criatividade de Gabriele Picco.

A lágrima, que representa todas as coisas e muitas vezes provém de coisa nenhuma, é o ícone que nos guia e sobre-eleva a imaginação do princípio à conclusão da trama. Ainda agora tento entender o poder que uma gota pode conter e, se nos perdêssemos, como Ennio, em todos os seus segredos, quanto de nós próprios não conseguiríamos encontrar em algo tão fugaz.

Gabriele Picco escreve com um ligeiro toque irónico, um ligeiro toque de romance quase lírico sobre alguns dos cancros do mundo. O autor escreve com paixão, com a capacidade de fazer florescer alguns sorrisos com a dor. Escreve procurando fazer chegar ao leitor alguma luz no meio sofrimento e a mim, como leitora, fez chegar tudo isso e algo mais sobre qual ainda reflicto.

Este livro é uma pequena preciosidade Contraponto, que já nos habituou às suas histórias desiguais e profundamente tocantes que guardarmos na memória muito depois de terminada a última página. É uma leitura que recomendo a qualquer tipo de leitor, amante de qualquer género, pela sua carga simbólica que conseguirá chegar a todos, sem excepção. Muito bonito.

Título: As Coisas Que te Caiem dos Olhos
Autor: Gabriele Picco
Género: Romance, Ficção  
Editora: Contraponto

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