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segunda-feira, 14 de maio de 2012
Sinopse:
No calor das febres que incendeiam a Lisboa do século XIX, Joana, uma burguesa jovem e demasiado inteligente para o seu próprio bem, vê o destino traçado num trato comercial entre o pai e o patriarca de uma família nobre e sem meios.
Contrariada, Joana percorre os quilómetros até à nova casa, preparando-se para um futuro de obediências e nenhuma esperança.
Mas Santiago, o noivo, é em tudo diferente do que esperava. Pouco convencional, vivido e, acima de tudo, livre, depressa desarma Joana, com promessas de igualdade, respeito e até amor.
Numa atmosfera de sedução incontida e de aventuras desenham-se os alicerces de um amor imprevisto... Mas será Joana capaz de confiar neste companheiro inesperado e entregar-se à liberdade com que sempre sonhou? Ou esconderá o encanto de Santiago um perigo ainda maior?

Não há muito tempo, quando a mão do homem geria todas as leis e a morte toldava a mente dos mais sãos, a palavra amor era proibida, era apenas uma dádiva para ser sonhada e, unicamente, assim era pelas mais tolas resistentes. Era um tempo de lágrimas, era um tempo de confissões e segredos onde o medo se fazia senhor da razão.

Alma Rebelde caracteriza-se por ser um fidedigno romance tradicional de época que facilmente nos transporta para um Portugal convencional. As suas personagens, fiéis temporalmente, têm a capacidade de transmitir emoções puras enquanto lentamente se afundam em presságios e proibições que nos fazem ansiar por um verdadeiro amor.
Carla M. Soares estreia-se e dignifica-se através de uma escrita magistral que me cativou logo na primeira página introdutória. Narrando em jeito de prosa, a autora aprimora-se exclamações e cuida com desvelo cada momento da acção que nos embala, cadenciadamente, para um final extremamente emotivo.

São diversificados os motivos que nos atraem para uma história que, independentemente do seu género, deve retractar e personalizar zelosamente para atingir o público que pretende. Neste caso em particular, para lá das suas personagens, penso que os leitores ficarão marcados pela transparência da carga afectiva transmitida de diferentes formas e por diferentes vozes que retractam, ainda que ficcionalmente, de forma justa o passado lusitano.

Grande parte do romance é dado a ver por Joana, a protagonista, e se é facto que esta bela jovem quase inocente, quase perdida, nos inunda com os seus pensamentos, para lá dela foi um Santiago, o seu futuro marido, e uma Ester, a mais leal das amigas, que me conquistaram e clamaram ao meu coração de leitora.
Santiago é um jovem nobre e simples nos afectos, nos gestos, mas preso à tirania do pai que abrange todos os que lhe são queridos e agora também, quem sabe, a sua Joaninha. Oferecendo algumas peripécias e extravasando, quase tempestivamente, os seus sentimentos ele afaga a alma feminina de quem cuidamos, independente do seu nome, e até ao fim deste enredo.
Para lá dos nomes ficam latentes as relações, sempre conturbadas, que dominam as várias fachas etárias de tempos em que geração, após geração, a mulher pouco mais era do que um pertence, do que uma moeda de troca pelo bom nome e consagração social.

Um dos pormenores que facilmente me cativou são as cartas e as confissões que dominam boa parte da narrativa, as mais perfeitas, de tão tocantes, são as que nos dão a conhecer Ester a amiga de Joana que carrega a cruz de um casamento que, por si só, deveria pecar até mesmo quando visado por Deus. Juntas, Joana e Ester, mergulham numa troca de palavras que traduzem dor, mas que também transmitem força, para as suas vidas que fazem imensas para suportar, sendo este um retoque, muito especial, que marca a escrita da autora.

O desenvolvimento breve do cenário em que se desenrola a acção, de Lisboa a Pero da Moça, permite a integração do leitor mas confesso-vos, mais do que as imagens é a noção do que aí se desenrola que nos permite sentir um pouco mais de cada interveniente.

Para lá do espaço, sobeja o tempo que me fez reflectir sobre as ligações e os tratados que outrora comandavam estas vidas. Foram anos demasiado extensos para as mulheres, quase crianças, injustamente presas a homens e costumes rígidos. Foram anos demasiados extensos para os tantos que temeram e os que feneceram sob as febres que devoraram Lisboa

Pessoalmente tenho a noção que existe um ou outro pormenor que roubou uma pequena parte do quão grande se poderia revelar este livro, falo-vos de Joana que, como protagonista, impõe uma carga dramática muito elevada à primeira metade da história. Se foi intencional, para deixar latente o pesar da época, não sei, no entanto é impossível não evidenciar os restantes pormenores que nem por uma Joaninha, demasiado menina, demasiado temerosa e quase sufocante, se deixaram apagar.

Carla M. Soares tem o dom da palavra e, como portuguesa que é, trabalha magnificamente a nossa língua que à sua voz fica um pouco mais encantatória. Proporcionando diferentes métodos de exposição de texto, diferentes formas de abordar a afeição, a autora soube deixar a sua marca com um final que para lá se surpreendente é muito bonito e que, com folhas e tinta, enterneceu o meu coração.

Este romance de estreia é uma excelente aposta Porto Editora que louvo por apostar no que de novo por cá se vai produzindo, sendo uma narrativa que sugiro aos amantes da boa escrita e aqueles que facilmente disfrutam dos desígnios do amor. Gostei.

Título: Alma Rebelde
Autora: Carla M. Soares
Género: Romance
Editora: Porto Editora

3 comentários :

Carol disse...

interessante :)

Cláudia disse...

Estou muito curiosa com este livro e adorei a tua opinião. O que demonstra o quanto eu quero lê-lo porque geralmente prefiro ler e só depois estudar e avaliar outras opiniões. Aguçaste-me o apetite literário e está certamente nos livros a ler em breve (Encruzilhadas Literárias)

Elphaba J. disse...

Obrigado Cláudia :)
Para quem gosta de ler na nossa língua materna este livro está muito bem escrito mesmo. Espero que gostes!

Boas leituras.

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