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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sinopse:
Em Frankenstein - o Filho Pródigo, Dean Koontz começou a contar uma nova versão do clássico da literatura gótica, na qual o demoníaco médico Victor Frankenstein continua a tentar criar uma raça de criaturas perfeitas, e apenas Deucalião, o seu primeiro «monstro», parece capaz de lhe fazer frente.
Em A Cidade das Trevas, a saga do criador e da criatura continua. Os espécimes da Nova Raça, as mais recentes criaturas de Victor Helios (antes conhecido como Victor Frankenstein), são na verdade assassinos perfeitos, e começam a espalhar um reino de terror pela cidade de Nova Orleães. À medida que Deucalião, com a ajuda de dois agentes da polícia da cidade, tenta impedi-los, vai descobrindo que estas criaturas podem ser assustadoramente semelhantes a seres humanos - sobretudo na sua tendência para a crueldade…


Quando o mal se encontra no meio de nós, quando a humanidade nos é retirada e ficamos desprovidos de sentido, quando tudo o que conhecemos é blasfémia às mãos de um soberano, nada é o que parece e ainda assim permanece propositadamente igual… como uma sombra às tenebrosidades que se adivinham.
Frankenstein, A Cidade das Trevas é a continuação de uma realidade arrepiante e assustadora transportada para os dias de hoje e inspirada por uma lenda do passado. Dando continuidade ao livro anterior em 24 horas acompanhamos personagens já nossos conhecidos que se encontram à beira do abismo onde nem verdadeiro monstro se salvará. Esta é uma leitura que consegue transmitir ao leitor a sensação de morte iminente, onde me imaginei a lidar com o fim da nossa Era num quotidiano exactamente idêntico ao que conheço, assustador.
A escrita de Dean Koontz poderia ser um bom guião de qualquer filme de terror, ficção científica e policial, onde acompanhamos todo género de acontecimentos com um suspense tremendo ao longo de 80 capítulos muito breves.

O medo é a sensação proeminente durante toda a leitura, abafando-nos o espirito e mantendo-nos inquietos, sequiosos de esperança, até um final que promete abanar todos os nossos alicerces de sanidade. O casal de polícias Michael e Carson são quem melhor nos transmite esta sensação neste segundo livro. Portadores da verdade, e impotentes face ao inimigo, são estas duas personagens que muitas vezes nos aliviam a tensão com o seu humor pontual e diálogos mordazes, quase insanos, enquanto reflectem sobre o que os persegue. O seu destino está traçado, cada segundo à procura de armas e respostas pode ser o último e é impossível deixarmos de nos colocar na sua pele.

Deucalião, a primeira concepção de Victor e a que mais vestígios carrega de humanidade, é quem menos se destaca neste livro ao contrário do seu criador, Frankenstein que finalmente se depara com controvérsias nos seus seres da Nova Raça, embora não considere algo negativo, simplesmente aprecia as mutações como nós reflectiríamos sobre um genocídio, chocante. Sentindo-se cada vez mais impulsionado a conceber e perto do seu objectivo maior esta personagem não tem limites para as suas atrocidades que me chocaram ainda mais que no primeiro livro, sendo latente a sua loucura e enervando-me cada vez mais como leitora.

Quanto aos seres da Nova Raça, algo está definitivamente a mudar e não é para melhor. Neste livro exploramos mais aprofundadamente as inúmeras características que podem ter, o método de criação e as suas funções, resumidamente o motivo da sua natureza, bem como algumas falhas naquilo para o qual foram concebidos desenvolvendo pequenas necessidades que são um indício do princípio do fim do seu criador. São vários os que nos são apresentados e alguns já nossos conhecidos começam a tecer contornos perturbadores. Destaca-se Erika, um casal de assassinos, um padre, alguns elementos que trabalham na casa de Victor entre outros. Muitos deles conseguem impressionar o leitor, quer pelas suas atitudes, quer pela forma como são desprovidos de livre arbítrio e recheados de instintos primitivos.

Pessoalmente, quando terminei este livro, tal como aconteceu com o primeiro, obriguei-me a uma pequena reflexão sobre o ser humano, os seus valores e pecados, bem como tudo aquilo que nos faz como ser racionais e, embora a temática evidente desde o princípio recaia sobre o desprovir de determinados sentimento ao homem para que este seja mais perfeito, na minha opinião a falha de Frankenstein debate-se numa única constante inerente a qualquer ser vivo, a evolução, o sonho e o pesadelo de qualquer um de nós.

No que diz respeito a Dean Koontz é evidente que o seu trabalho pesquisa foi exaustivo, e confirma-se de diversas formas inclusive através de pequenas anomalias que nós, enquanto humanos, nos esquecemos constantemente.
Apesar de já ter lido criticas em relação à escrita deste autor, eu nada tenho a apontar, apresenta-se com pequenos capítulos direccionados a todos os interveniente e com um tempo de história curto em que percorremos, acompanhamos, tudo ao momento com descrições assertivas muito mais direccionadas para sensibilizar o leitor emotivamente do que com cenários.

Resta-nos assim aguardar pelo final desta utopia elaborada à imagem do monstro dos tempos modernos que com toda a certeza proporcionará bons momentos de adrenalina e terror. Na continuação, Frankenstein - Morto e Vivo, iremos confirmar se a raça humana sucumbirá, ou não, ao holocausto. Uma publicação com que poderão contra já no próximo mês de Fevereiro pela já nossa conhecida Contraponto.




Opinião anterior:
(livro 1)


Título: Frankenstein, A Cidade das Trevas
Autor: Dean Koontz
Género: Terror e Ficção
Editora: Contraponto

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