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segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Sinopse:
“Molching, um pequeno subúrbio de Munique, durante a Segunda Guerra Mundial. Na Rua Himmel as pessoas vivem um dia-a-dia penoso, sob o peso da suástica e bombardeamentos cada vez mais frequentes, mas não deixam de sonhar. A Morte, narradora omnipresente e omnisciente, cansada de recolher almas, observa com compaixão e fascínio a estranha natureza dos humanos. Através do seu olhar intemporal, é-nos contada a história da pequena Liesel e dos seus pais adoptivos. Hans, o pintor acordeonista de olhos de prata, e Rosa, a mulher com cara de cartão amarrotado, do pequeno Rudy, cujo herói era o atleta negro Jesse Owen, e de Max, o pujilista judeu, que um dia veio esconder-se na cave da família Hubermann e que escreveu e ilustrou livros, para oferecer à rapariga que roubava livros, sobre as páginas de Main Kampf recuperadas com tinta branca, ou ainda a história da mulher que convidou Liesel a frequentar a sua biblioteca, enquanto os nazis queimavam livros proibidos em grandes fogueiras. Um livro sobre uma época em que as palavras eram desmedidamente importantes no seu poder de destruir ou de salvar. Um livro luminoso e leve como um poema, que se lê com deslumbramento e emoção.”


Este foi sem dúvida um livro que me despertou o interesse mesmo antes de o ter nas mãos. Emocionalmente muito forte é para mim muito difícil transmitir-vos tudo o que senti. Quanto terminei de escrever a minha opinião tinha 4 páginas A4 e umas quinze páginas marcadas que gostaria de vos citar, mas sendo impossível expor algo tão extenso optei por colocar a minha opinião da seguinte forma:


História: Como é fácil perceber este livro é mais um retrato da Segunda Guerra Mundial. Desta feita vimos o sofrimento sob o ponto de vista da Alemanha pobre, mais propriamente um subúrbio de Munique, Rua de Himmel.
Através de Liesel, criança adoptada por família pobre conhecemos inúmeras vidas e prespectivas diferentes de viver a guerra. Existe pobreza, existe fome, existe dor, existe o medo constante mas existem também os sorrisos fáceis das crianças e através delas uma réstia de esperança na vida, os seus pormenores, as pequenas conquistas e ironias inocentes. Tudo isto enriquece esta história e deixa-nos na alma o sabor amargo de um dia-a-dia difícil em que cada pequena vitória não é mais que um belo castelo de areia.


As Personagens: Sem conseguir escolher uma como preferida posso dizer que as adorei a todas e às suas particularidades.

Morte: Como narradora tem um papel fundamental. Um ser cansado de transportar almas, com mais 40 milhões de almas carregadas a seus braços ainda antes de guerra findar, mostra-nos a forma como o mundo deixou de ter cor e passou a ser apenas cinzento. Confusa por não compreender o ser humano nas suas atitudes, somos por vezes confrontados com as suas reflexões e tentativas de compreender.
Oferece-nos os seus monólogos mais reais quando nos conta particularidades brutais, mas ainda assim sublimemente descritos sobre as crianças que carregou e afagou em campos de concentração. É também ela quem muitas vezes nos elucida sobre a forma como as personagens actuam ou pensam sendo intermediária entre o leitor e todas as outras vidas.

Liesel: Criança filha de mãe comunista e por isso mesmo dada para adopção. Durante a sua viagem para a Rua de Himmel perde o irmão e rouba o seu primeiro livro. Com uma história enriquecedora e preenchida de infortúnios é o laço que nos une a todas as outras existências. Uma menina sensível e apaixonada pela leitura rouba livros durante a narrativa das formas mais surpreendentes. Com uma inocência infantil descobre os afectos e o peso da perda. Com a sua carência humana estropia-nos o coração e termina a história como uma grande mulher.

Hans: É o pai adoptivo de Liesel e preenche a nossa história de humanidade numa realidade desumana e transcendente. Uma lufada de ar fresco e fonte de inspiração este homem é carinho e amor com o olhar.
Sobre ele vimos vários fardos, ex. combatente da primeira guerra vai ser novamente sacrificado, não pertence ao partido nazi e desta feita através dele vemos todas as dificuldades que isso acarreta. Com um coração enorme, Hans dos olhos cor e prata trás muitas emoções ao longo da narrativa.

Rosa: Mãe adoptiva de Liedel e a responsável pela sopa de ervilhas de segunda a domingo! Uma mulher dura, capaz de uma valente Watschen (uma boa surra) mostra à nossa criança a colher de pau, as ruas de Munique e outras vidas no seu oficio de “lavadeira”. Mas também demonstra a coragem para ultrapassar os tempos mais duros. É uma personagem crescente ao longo da narrativa. Primeiro estranha-se, depois gosta-se mas no fim é impossível não sentir adoração.

Max: O judeu pugilista. (Oh Max o que eu chorei por ti.) A verdadeira aflição de ser judeu é encarnada em Max, o seu medo, o seu ódio, a sua luta interior contra o próprio Fuhrer e a revolta imensa de existir naquele mundo. Quem não sentiria?
É uma personagem mágica, durante os meses que vive escondido na cave da família Hubermann oferece livros à menina Liesel e compartilha com ela um laço de perda e de amor, uma amizade tão crua e sincera que é impossível não nos sensibilizar de numerosas formas.

Rudy: O amiguinho de Liesel. Rudy é quem mais me fez sorrir na sua inocência de menino de rua, irmão de mais seis conhece a fome e o prazer da conquista. Sempre ao lado da “Rapariga Que Roubava Livros” vivem muitas peripécias. Atentos como só as crianças sabem ser, mostram-nos particularidades sem no fundo compreenderem bem toda a desgraça que os rodeia. Proporcionam ao leitor momentos doces e ternos, para mim inesquecíveis. Um beijinho para todos os Rudys que existiram neste mundo.


Todos os outros: Existem muitas outras personagens que gostaria de citar, como a mulher do presidente da câmara, Ilsa Hermann, que mostra a Liesel a sua biblioteca e loucura.
Tommy um companheiro de rua que também ele sofre maselas da guerra.
Frau Holtzapfel a visinha do lado rude e dura como pedra, mas não terá elas as suas razões?
São muitos, tantos os que enriquecem esta narrativa, tantos os que Liesel nos apresenta e que de alguma forma marcaram a sua vida. É difícil enumera-los, mas mais difícil é esquece-los.


Alguns Pormenores: É nos pormenores que esta história mais nos toca o coração. Somos muitas vezes sensibilizados sem nos apercebermos, alusões feitas aos pormenores mais crus da guerra nunca nos deixam esquecer o que estamos a reviver e o que aconteceu não só na Rua de Himmel como em toda Alemanha e países intervenientes. Paradas de judeus, “Rua das Estrelas Amarelas” e “Duche após Duche” são expressões inesquecíveis e que perduraram para sempre manchando a nossa história. Existem ainda os livros feitos por Max a que temos acesso, desenhos e histórias simples mas cheias de simbologia… é possível vermos as frases de Mein Kampf através das ilustrações sobrepostas, estes pormenores fazem sem dúvida toda a diferença.


A Escrita: Sou obrigada a fazer uma vénia a Markus Zusak, as suas descrições são sublimes. A Morte como narradora? Genial! O autor não deixa nenhum detalhe de fora e temos imensos apontamentos a negrito, sejam eles expressões, citações ou pequenos diálogos que enaltecem ainda mais toda a narrativa.


Citação: É mais forte que eu e tenho de citar uma passagem breve. Página 298, “O Diário da Morte: Os Parisienses”.
“Para mim o céu era da cor de judeus.
(…)
Arrepio-me sempre que me lembro, e tento abstrair-me.
Sopro ar quente para as mãos, para as aquecer.
Mas é difícil mantê-las quentes quando as almas continuam a tremer de frio.
Deus.
Digo sempre esse nome quando penso naquilo.
Deus.
Pronuncio-o duas vezes.
Digo o Seu nome numa tentativa vã de compreender. «Mas o teu trabalho não é compreender.» Sou eu mesma que respondo. Deus nunca diz nada. Pensam que são os únicos a quem ele nunca responde? «O teu trabalho é…» E deixo de me ouvir, porque, para falar fracamente, eu canso-me mim própria. (…)”


Eu: Eu, fui arrebatada para este livro. Sem dúvida o meu preferido deste ano. Chorei que nem uma perdida muitas vezes e dei por mim a lê-lo de forma sôfrega. Ao estilo masoquista entendem? Quanto mais chorava mais difícil era arrancar-me destas páginas. Quando terminei senti-me vazia e cansada emocionalmente como a Morte. Dei a mim mesma tempo para reflectir sobre tudo o que li e lembro-me de adormecer bem longe do meu quarto e bem perto de todos aqueles que vivi nesta história. Que posso dizer-vos, se tiverem uma oportunidade leiam, para mim foi Excelente.


Titulo: A Rapariga Que Roubava Livros
Autor: Markus Zusak
Género: Romance.
Editora: Editorial Presença

14 comentários :

Iceman disse...

De facto trata-se de um excelente livro.
Embora tenhas focado fortemente a tua opinião nos personagens, soubeste reparar que são os pormenores que fazem a beleza desta obra.
Gostei!
:D

Elphaba J. disse...

Concordo, foquei-me mais nas personagens porque são elas que nos dão uma nova versão desta história. Todas elas são especiais e foram as suas particularidades que me deram uma nova visão da barbaridade denominada se Segunda Guerra Mundial.

Obrigado por teres passado pelo meu cantinho.

Beijinhos*

Ana C. Nunes disse...

Tenho o livro em casa à espera de ser lido, e depois desta opinião tão efusiva, só tenho vontade de pegar nele já e lê-lo, mas não posso ...
Espero para o ano ter oportunidade de o ler conveninetemente.

Elphaba J. disse...

Olá Ana,

Eu também tive este livro alguns meses em lista de espera e arrependo-me de não o ter lido antes. Mas tudo tem o seu momento certo? Ainda assim este vai merecer especial atenção da tua parte verás.
Boas Leituras***

Kel disse...

Eu li este livro há algum tempo. Está na minha lista de livros preferidos!
Tocou-me de tal forma, que comecei a ver a morte de outra maneira. A morte no livro é um ser, vê o mundo de dor e sofrimento, e carrega o pesado fardo de levar nas mãos as almas de imensas crianças. O autor faz descrições fenomenais a retratar a dor e o sofrimento que a morte sente a levá-las.
É uma história emocionante!
Acho que todos os amantes da leitura deviam ler! O vosso coração vai ficar para sempre marcado com algumas das descrições assustadores e arrepiantes da morte que passeia pelo mundo dos vivos, e acompanha as aventuras da nossa ladra de livros.
Elphaba, fizeste uma boa crítica sobre o livro. Conseguiste mostrar as emoções que o leitor sente, e a grandeza da escrita do Zusak. :D
Beijos.

Boas Leituras!

Elphaba J. disse...

Obrigado Kel =)
De facto é impossível a morte não nos emocionar e a forma como é descrita nesta passagens, de forma suave mas suficientemente explicita deixa-nos com a garganta seca sem dúvida. Muito bom mesmo este livro.
Beijinhos*

°•·.๓คятค disse...

Bom, o q dizer mais!?
Um livro q sempre puxou por mim, pq td o q fala sobre livros é cm se fosse um iman!... Ainda ñ tive "oportunidade" de o comprar, apesar das mtas promoções q a Presença já fez e q bastante me tentaram, mas tal cm tu disseste "tudo tem o seu momento", e se calhar o meu ainda ñ chegou por os mais variados motivos...
Gosto imenso das tuas criticas/opiniões acho q consegues sempre passar sentimento e isso significa q realmente sentiste o q leste, e já sabes cm eu sou c estas coisas: uma picuinhas. ;)

Beju GD***

Elphaba J. disse...

Obrigado Marta, a sério. =D

hehe, picuinhas ou não eu acho importante passarmos a nossa mensagem sobre a forma como o livros nos tocou. Oh Marta, e este tocou e de que maneira! Tens mesmo de ler!

Beijinhos*

Cat SaDiablo disse...

Olá Elphaba.
Bom... estou super feliz por ver que este livro te marcou tanto como a mim. Ainda bem que não te desiludiste! :)
Adorei a forma como expressaste a tua opinião, e revi-me imenso nela. Sinto-me arrebatada novamente pela grandiosidade emocional e moral deste livro ao ler os sentimentos que despertou em ti. É de facto uma obra que nos toca e não nos larga. É também como disse o Iceman, as personagens são marcantes, mas os pormenores fazem a diferença.
O autor soube construir uma obra tocante a partir dum cenário negro. também eu chorei com este livro, e penso que o faria se o lesse novamente. Coisa que decerto farei um dia.
Para já, soube-me muito bem "relê-lo" pelos teus olhos.

Sabes uma frustração que tenho em relação a este livro? Li-o em inglês, e portanto não posso emprestá-lo (ou impingi-lo eheh) a toda a gente à minha volta! Consegui convencer-te a ti, já não foi mau :P

Permites-me que poste a tua entrada no respectivo tópico no fórum bang?
Beijocas
Cat

A. disse...

Excelente crítica! ;)

"Chorei que nem uma perdida muitas vezes e dei por mim a lê-lo de forma sôfrega. Ao estilo masoquista entendem? Quanto mais chorava mais difícil era arrancar-me destas páginas. Quando terminei senti-me vazia e cansada emocionalmente como a Morte"

Não podia estar mais de acordo! Senti-me exactamente assim.

beijinho

Elphaba J. disse...

É verdade Cat, foi de facto uma leitura soberba, que me arrebatou e fico muito feliz por ter seguido o teu conselho e ter adquirido este livro. Só lamento não o ter oportunidade de o ler mais cedo.
Fico feliz por teres gostado da minha “opinião”, para mim é importante conseguir transmitir o que sinto, com uma obra destas ainda mais porque temos de aumentar a fasquia, ainda bem que te conseguis-te rever na leitura, obrigado.

Claro que sim Cat, coloca no fórum. Eu ultimamente não tenho lá ido muito, falta de tempo e preguiça soa os principais factores. Também não tenho lido muitas obras da SdE o que não colabora…
Beijinhos*

Elphaba J. disse...

Obrigado A =)

É um livro arrebatador e inesquecível!
Beijinhos*

MartaC disse...

"Quando terminei senti-me vazia e cansada emocionalmente como a Morte"

Não podia expressar de melhor maneira aquilo que também eu senti quando acabei o livro.

Foi com toda a certeza dos melhores livros que já li. Tem uma carga emocional bastante forte, e também não o conseguia largar! Tantas foram as páginas que me fizeram subir as lágrimas aos olhos, tantas foram as frases que me ficaram na memória e me fizeram reflectir. A força das personagens, o relato original, a personalidade de Morte - tão contrária àquela que estamos habituados... Tudo! Faz deste um livro memorável, extraordinário.

Depois de acabar o livro não consegui deixar de pensar nele e ainda o tive na mesa de cabeceira durante algum tempo, quase sem coragem de começar outro livro, com saudades da emoção de ter lido aquela obra pela primeira vez.

Poucas coisas fictícias me emocionam verdadeiramente: esta (apesar do contexto histórico real e incontornável) foi, e é, uma delas. Será um dos livros mais queridos para mim e um dos que mais recomendo.

Gostei muito de ler este post, parabéns pelo Blog! =)

Elphaba J. disse...

Olá Marta,

O teu comentário fez-me vir reler o meu post e ao relembrar é difícil não sentir os olhos a arder e aquela melancolia, mágoa sem culpa, mas que ainda assim que deixa um gosto peganhento, amargo no coração.

Sem dúvida um livro obrigatório para todos.

Para ser relido ao longo da vida, existem temas que a humanidade por muito que queira esconder debaixo do tapete não podem ser esquecidos, devem ser relembrados sim, para que não se venham a cometer os mesmos erros.

Obrigada pela visita Marta, volta sempre. :)
Beijinhos`*

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